A NeoCharge busca persuadir condomínios e comércios de que a instalação de um carregador de veículo elétrico pode se tornar uma nova fonte de receita. Por meio do seu programa NeoCharge Eletropostos, a companhia assume a instalação e a gestão da estação sem custos para o parceiro, que, em contrapartida, recebe uma porcentagem sobre cada recarga realizada no local. A meta estabelecida pela empresa é atingir uma capacidade operacional instalada de 1 MW até outubro de 2026.
Este pacote de serviço abrange a análise de viabilidade técnica sem ônus, o fornecimento dos equipamentos necessários, a execução da infraestrutura e a operação contínua da estação. Além disso, há um reembolso total da energia consumida, o que significa que o empreendimento parceiro não arca com investimentos, custos de instalação, despesas operacionais nem com a conta de eletricidade das recargas.
Entretanto, a NeoCharge não divulgou detalhes cruciais, como o percentual de participação repassado ao parceiro, o período de vigência dos contratos ou a tarifa aplicada ao motorista, elementos que determinam o potencial real de lucro.
Guilherme Brambilla, diretor de expansão da NeoCharge, ressalta que o carregamento de veículos elétricos transcendeu sua função de mera infraestrutura de suporte, transformando-se em uma verdadeira oportunidade de negócio.
Essa premissa comercial baseia-se em dados externos. Um levantamento realizado pela EVgo, operadora americana de recarga, indica que aproximadamente 80% dos motoristas realizam compras ou utilizam serviços nas proximidades enquanto aguardam o carregamento do veículo. A NeoCharge interpreta esse dado como um indicativo de maior fluxo de pessoas, tempo de permanência estendido e um ticket médio mais elevado por cliente.
Um exemplo concreto é o condomínio Madison Park, localizado em Alphaville, São Paulo. Após a implementação de dois carregadores, os equipamentos são utilizados em 35% do tempo, correspondendo a cerca de 8,5 horas diárias, um índice que a NeoCharge considera 20% superior à média do setor.
Fernando Toledo, síndico do condomínio, comentou que observaram um aumento na migração dos moradores para veículos elétricos e híbridos. Ele afirmou que a adoção foi bem aceita e não gerou quaisquer reclamações entre os condôminos.
Outro caso notável é a JoaSol, uma empresa de equipamentos para energia solar situada em Joanópolis, no interior de São Paulo. O proprietário, Rafael Donizete, relatou que o benefício ultrapassou a receita gerada pelas recargas, incluindo ganhos em visibilidade e no aumento do tempo que os clientes passam no estabelecimento.

