A JAC Motors Brasil anunciou que o lançamento do seu hatch elétrico, o E-JS3, não terá mais data prevista para o Brasil. Segundo Nicolas Habib, vice-presidente de operações da JAC Motors Brasil, o grande impacto veio do movimento da BYD e de outras marcas chinesas.
Habib revelou em entrevista exclusiva ao Motor1.com que o crescente burburinho gerado pela BYD e outros concorrentes chineses impulsionou discussões sobre a taxação de produtos importados, coincidindo com o período em que a JAC estava preparando o referido hatch para o mercado nacional.
Embora o executivo não critique a abordagem comercial da rival, ele apontou que o fator decisivo foi a escala de atuação. A rápida expansão da BYD transformou sua chegada em um evento notório, colocando os veículos chineses sob intensa atenção e acelerando uma reação que já vinha se formando no setor, especialmente dentro da Anfavea.
Habib reconhece que a JAC tinha ciência de que a isenção fiscal para veículos elétricos não seria permanente, mas expressou insatisfação com a rapidez das mudanças regulatórias. Desde julho, carros elétricos importados estão sujeitos a 35% de Imposto de Importação, encerrando o processo gradual de aumento de impostos que havia começado em 2024. Para a JAC, o momento em que o E-JS3 deveria ser lançado coincidiu com a entrada de rivais cada vez mais competitivos no segmento.
A BYD introduziu modelos como o Dolphin no final de 2023 e início de 2024, quando muitos elétricos acessíveis disponíveis eram subcompactos de baixa autonomia, baseados em motores de combustão ou modelos mais antigos, como o Nissan Leaf e o Chevrolet Bolt. A marca chinesa investiu fortemente em marketing, utilizando memes em redes sociais, influenciadores, aparições em programas de televisão abertos e anúncios em horários de pico.
O diferencial competitivo da BYD residiu no produto: em vez de exigir um preço elevado apenas por ser elétrico, a empresa ofereceu carros com muitos recursos por valores próximos aos de modelos convencionais equivalentes. Habib comparou essa tática à estratégia da própria JAC em 2011, quando lançou o J3 (hatch e sedan) no Brasil, oferecendo mais itens de série pelo custo das versões de entrada de compactos já estabelecidos, acompanhado de publicidade forte para consolidar uma marca nova.
O E-JS3 já havia progredido em sua homologação, e algumas unidades permanecem na sede da empresa, localizada no bairro do Limão, em São Paulo. Em dezembro, comerciantes informavam que o lançamento estava programado para março, com duas versões focadas em motoristas de aplicativo, público que a JAC também visa com o E-JS1.
Este modelo, conhecido como Yiwei 3 na China e E30X em mercados de exportação, utiliza uma plataforma dedicada a veículos elétricos. Suas dimensões são 4,03 m de comprimento, 1,77 m de largura, 1,56 m de altura e 2,62 m de entre-eixos, posicionando-o em concorrência direta com o BYD Dolphin Mini e o Geely EX2. Um destaque interno é a central multimídia de 15,6 polegadas desenvolvida em colaboração com a Huawei. No mercado internacional, existem duas configurações: 95 cv e 13,8 kgfm, ou 136 cv e 21,4 kgfm, com autonomias de 405 km e 505 km, respectivamente, calculadas pelo ciclo NEDC. Contudo, nenhuma dessas configurações obteve homologação junto ao Inmetro.