A utilização de inteligência artificial (IA) em atividades acadêmicas atingiu 78% dos estudantes no Brasil. Dentro desse grupo, 15% declaram utilizar a tecnologia sempre que precisam estudar, e 34% iniciam suas pesquisas utilizando ferramentas de IA.
No entanto, existe uma preocupação significativa em relação à qualidade das informações fornecidas, visto que os modelos atuais podem apresentar erros e alucinações. Especificamente, 52% dos alunos acreditam que a credibilidade do conteúdo gerado necessita de maior nível de confiança. Dos estudantes pesquisados, somente 22% afirmaram não recorrer à IA para fins de estudo.
Os dados foram coletados pela empresa norueguesa Opera, proprietária do navegador de mesmo nome e que também investe em IA. O estudo abrangeu 2.400 estudantes de instituições de ensino, tanto públicas quanto privadas, espalhadas pelo país.
Outro ponto relevante da investigação, além do elevado número de usuários de IA, é a proporção de alunos que aprenderam a usar a tecnologia por conta própria. Apenas 5% dos estudantes relataram ter recebido um treinamento formal das instituições de ensino sobre o uso adequado e saudável desses modelos no ambiente acadêmico. Adicionalmente, 40% nunca receberam qualquer tipo de orientação sobre o tema.
Em relação às políticas internas, 9% dos entrevistados estudam em escolas que proíbem o uso da IA, enquanto 20% mencionam a existência de diretrizes claras sobre o assunto. Em certas situações (32%), as orientações provêm dos próprios professores, mas de maneira informal.
A pesquisa sublinha a necessidade de promover um uso responsável da IA. Juliana Psaros, diretora regional da Opera no Brasil, destacou que esta representa uma «nova fase» da inteligência artificial na educação, enfatizando que «o desafio agora é garantir que seu uso contribua para ampliar conhecimento, autonomia e pensamento crítico».
Os resultados detalham como a IA se insere na rotina de estudos. Muitos discentes já começam seus trabalhos com auxílio da IA, que passa a complementar os mecanismos de busca convencionais. Cerca de 18,85% consultam a IA antes de recorrer a buscadores tradicionais, como o Google, ao passo que 14,40% utilizam a IA diretamente para realizar suas tarefas. Este comportamento ocorre tanto para acelerar o processo quanto para obter uma compreensão mais profunda dos temas, conforme apontado por 71% dos alunos. No grupo que utiliza apenas os buscadores, a porcentagem é de 33,90%.
De modo geral, os estudantes percebem positivamente o uso da IA nos estudos. Quarenta e seis vírgula nove por cento sentem um alívio por contar com a tecnologia durante o processo, e 30,1% enxergam a atividade com entusiasmo. Contudo, existem reservas; preocupações com o futuro profissional (30,96%) e com o próprio processo de aprendizagem (30,68%) foram mencionadas. Além disso, 28,11% dos entrevistados manifestaram sentir culpa pelo uso massivo da IA.
Conforme 52% dos respondentes, a fidedignidade das informações é um fator crucial no emprego da IA e deve ter prioridade sobre a velocidade das respostas. Da mesma forma, seria muito benéfico e mais útil que os aplicativos oferecessem um guia passo a passo ou alguma orientação integrada, em vez de apenas fornecer respostas prontas.
Este retorno está alinhado com os achados da pesquisa, que aponta o uso da tecnologia como suporte, e não como substituto da produção própria. O estudo também reforça que seis em cada dez estudantes afirmam verificar ou questionar as informações obtidas via IA: 31,76% asseguram buscar outras fontes para confirmar as respostas, enquanto 28,18% aprofundam as questões feitas à própria IA.
Ainda assim, chama a atenção o volume considerável de quem não presta a devida atenção, seja aceitando as respostas na maioria das vezes sem conferência (21,92%) ou até mesmo de forma direta (9,91%). Há também aqueles que optam por nunca realizar essa verificação, representando 8,23% dos alunos.