Células de lítio ferro fosfato (LFP) fornecidas pela CALB para veículos elétricos da linha GAC Aion apresentaram problemas de inchaço e deformação, assumindo o apelido de 'baterias banana'. Este apelido surgiu na internet chinesa devido à grande repercussão do defeito, levando o fabricante a iniciar uma revisão interna de qualidade, conforme noticiado pelo jornal chinês Future Auto Daily.
A célula em questão é a LFP de 177 Ah, produzida pela CALB, que é a terceira maior fabricante de baterias da China, ficando atrás de CATL e BYD. A química LFP é amplamente utilizada globalmente por oferecer vantagens como a ausência de níquel e cobalto, o que diminui custos; maior estabilidade térmica comparada a alternativas com níquel; e capacidade de suportar mais ciclos de recarga, tornando-a um padrão em frotas.
O problema foi evidenciado pelo alto uso dessas frotas, sendo que 72% dos 220,9 mil carros vendidos em 2023 com esta célula foram destinados a serviços de transporte por aplicativo e táxi. Os relatos de falhas concentram-se em veículos que já percorreram entre 150 mil e 300 mil quilômetros. Além do inchaço, os proprietários do Aion S relataram vazamento de eletrólito, falhas no isolamento, queda súbita de autonomia e perda de potência enquanto dirigiam, havendo casos em que o veículo parou de funcionar durante a condução.
As plataformas de defesa do consumidor 12365auto e Black Cat registraram 182 reclamações sobre as baterias na primeira metade de julho. Estima-se que a frota potencialmente afetada seja de aproximadamente 213 mil carros, com uma taxa de detecção de falhas de 4,7%, embora não esteja claro o número exato de veículos com o defeito.
Embora não tenha ocorrido um recall formal, em 18 de julho, GAC e CALB emitiram pedidos públicos de desculpas e anunciaram medidas de assistência. A garantia da bateria para os modelos impactados foi estendida de oito anos ou 150 mil quilômetros para oito anos ou 300 mil quilômetros, incluindo inspeções, reparos e substituições sem custo. A montadora também se comprometeu a indenizar proprietários cujos consertos ultrapassassem cinco dias, e a CALB estabeleceu um canal direto de manutenção.
Essas alterações foram divulgadas pela mídia chinesa, e não pela própria empresa. De acordo com o Future Auto Daily, a CALB reforçou o controle sobre o revestimento dos eletrodos: a densidade de área, que antes era especificada entre 2,3 g/cm³ e 2,5 g/cm³, agora não pode divergir em mais de 1,5% — um padrão que a companhia afirma estar alinhando aos de líderes como a CATL. Adicionalmente, a CALB intensificou o monitoramento de umidade e ponto de orvalho na injeção do eletrólito e passou a arquivar amostras de cada rolo produzido, em vez de apenas uma por dia.
A empresa também teria iniciado uma auditoria retroativa de matérias-primas e insumos adquiridos entre 2022 e 2023 e concedido poder de veto ao departamento de qualidade, permitindo o descarte de lotes inteiros. Segundo a reportagem, este nível de autoridade é incomum entre fabricantes chinesas menores, que geralmente enfrentam pressão para cumprir volumes exigidos pelas montadoras.



