O Aeroporto Cape Winelands, antigo aeródromo militar fora de Durbanville, que está planeado para ser reconstruído com investimentos iniciais de até 10 mil milhões de rand, posiciona-se não apenas como um novo polo de passageiros para Cidade do Cabo.
Ambições Tecnológicas do Projeto
Os desenvolvedores do aeroporto e o parceiro University of Stellenbosch apresentaram planos para criar uma 'Aldeia Aérea' para empresas dos setores espacial e aeronáutico, um corredor dedicado a drones, um centro expandido de engenharia de satélites e um complexo de novas qualificações aeronáuticas. Já várias empresas assinaram intenções de instalar suas instalações nesta Aldeia Aérea.
Anteriormente conhecido como aeródromo Fisantekraal, o aeroporto foi construído em 1943 como base da Força Aérea Sul-Africana para bombardeiros Lockheed Ventura e hoje é usado para aviação geral e formação de voo.
Estrutura e Prazos de Implementação
O consórcio RSA Aero, proprietário do projeto, planeia a construção de um novo terminal, infraestrutura de pista de aterragem e 450 hectares de terreno edificável. O diretor do aeroporto é Dion Kloete, que anteriormente ocupou o cargo de diretor executivo do Aeroporto Internacional da Cidade do Cabo. No final de 2025, foram anunciadas parcerias estratégicas com a WBHO Construction e a Growthpoint Properties, e em março, os arquitetos Boogertman + Partners foram nomeados chefes de projeto juntamente com o especialista em aeroportos amd.sigma de Berlim, subsidiária do Munich Airport International.
Apesar de todos os planos, nada disto foi implementado até agora. O terreno permanece um aeródromo operacional para aviação geral, cercado por terras agrícolas; os primeiros trabalhos de preparação do local só estão previstos para o último trimestre de 2026, e a entrada em operação está prevista para o final de 2028.
Apoio Governamental e Desenvolvimento Tecnológico
A licença ambiental foi obtida em 27 de outubro de 2025 após seis apelações — uma foi retirada, e as cinco restantes foram rejeitadas pelo Ministro do Meio Ambiente do Cabo Ocidental, Anton Bredell, no final de maio. No entanto, o zoneamento aprovado pelo tribunal municipal da Cidade do Cabo está em processo de apelação separada, e a licenciamento do aeroporto ainda precisa ser obtido. O projeto foi reconhecido como um 'projeto integrado estratégico' pela Infraestrutura da África do Sul, o que obriga todos os órgãos governamentais a priorizarem sua aprovação, licenciamento e permissões.
As ambições tecnológicas tornaram-se evidentes no início de julho, quando o aeroporto e a University of Stellenbosch anunciaram um acordo de cooperação abrangendo o desenvolvimento 'inteligente' e 'verde', incluindo pesquisas em espaço e aviação. O Professor Corne Schutte, vice-reitor da Faculdade de Engenharia da University of Stellenbosch para Relações de Investigação e Indústria, observou que deve ser franco: 'isto é mais uma intenção do que uma perspetiva'.
Cluster Aéreo e Legado Científico
Uma representante da empresa, Deidre Davies, afirmou que o objetivo da criação da Aldeia Aérea perto do aeroporto é fortalecer o setor. Ela acrescentou que um Grupo de Trabalho da Aldeia Aérea foi formado, composto por representantes do meio académico, do setor privado local e internacional, do governo e da comunidade. Embora os detalhes dos nomes das empresas que assinaram intenções ainda não tenham sido divulgados, Davies confirmou a existência dessas empresas.
A universidade confirmou que a visão do aeroporto como um centro aeroespacial é precisa, referindo-se ao legado que 'passa do primeiro satélite sul-africano para a indústria local de engenharia de satélites, originada na universidade'. Segundo a Wesgro, em 2024, o Cabo Ocidental forneceu mais de 55% das exportações de sistemas de navegação no espaço sul-africano e quase 94% das exportações de espaçonaves e foguetes para mercados, incluindo EUA, Reino Unido, Japão, França e Tailândia. A agência chama o corredor Somerset-West-Stellenbosch de um nó chave na economia espacial africana.
Conquistas Científicas da Universidade
A universidade forneceu um dado notável: a sua faculdade de engenharia 'conta atualmente com 226 pessoas empregadas em suas empresas spin-off relacionadas com o espaço, com um volume de negócios agregado superior a 205 milhões de rand'. O programa em questão é o Laboratório de Sistemas Eletrónicos, fundado em 1991. Dele nasceu a Sunsat, o primeiro satélite sul-africano, que foi projetado e montado quase inteiramente por estudantes de pós-graduação em engenharia e lançado num foguete Delta II de Vandenberg, Califórnia, em fevereiro de 1999.
SunSpace e Information Systems foram desmembrados do laboratório em 2000 e depois construíram o SumbandilaSat em conjunto com a universidade, lançado em 2009 e utilizado para monitorar desastres naturais, incluindo campanhas de combate a incêndios no Parque Nacional Kruger. A empresa CubeSpace, que saiu do mesmo laboratório sob a liderança do Professor Herman Steyn, lida com sistemas de determinação e controlo de orientação que 'são usados atualmente em centenas de satélites para clientes em mais de 30 países e aprovados pela NASA'.
Direções de Pesquisa Planeadas
O acordo de cooperação prevê um centro de excelência modernizado na University of Stellenbosch. O Professor Schutte salientou que 'isto não é um começo do zero'; as oportunidades existiam há mais de 30 anos, e a questão é como desenvolvê-las mais adiante.
As pesquisas planeadas dividem-se em três áreas interligadas: a primeira é a própria tecnologia de satélite (cargas úteis óticas compactas, sensores de imagem, eletrónica de bordo resistente à radiação); a segunda é a engenharia de missões (montagem destas tecnologias em missões completas para monitorização de colheitas ou resposta a desastres); e a terceira é a autonomia e consciência situacional no espaço (satélites que tomam decisões próprias e rastreamento de lixo espacial).
Questões de Foguetes e Drones
Em relação a foguetes e lançamentos, por exemplo, no campo de testes Denel Overberg no Cabo Sul, a universidade encaminhou questões sobre o programa de desenvolvimento e teste de foguetes para o Instituto de Sistemas Aeroespaciais da Universidade do KwaZulu-Natal (ASRI). No entanto, confirmou que ambas as possibilidades interagem, afirmando que 'está ativamente a interagir com o ASRI para entender como o trabalho deles e a nossa própria atividade de satélites podem ser alinhados'.
Deidre Davies informou que o aeroporto também planeia um corredor para drones. Ela observou que a integração da aviação tripulada e não tripulada se tornará necessária à medida que o setor se desenvolve, e o aeroporto quer desempenhar um papel de liderança nisso. O corredor será integrado com a estratégia de drones do Cabo Ocidental, permitindo testar sistemas em condições reais perto da aviação operacional.
Sustentabilidade e Educação
O aeroporto também se compromete a ser 'verde' desde o início, no que diz respeito à construção, fornecimento de energia e operação. As fontes de energia renovável incluirão painéis solares e biodigestores, bem como a captação de água e o tratamento de águas residuais no local. Os arquitetos procuram torná-lo um dos aeroportos mais ecológicos do mundo.
Para a University of Stellenbosch, o componente educacional é o cerne da parceria, pois é aqui que o aeroporto deixa de ser apenas infraestrutura e começa a formar pessoas. A estrutura de ensino é concebida como uma 'escada, e não uma única qualificação': desde cursos curtos e microcertificados até mestrados estruturados com projeto de investigação. Os programas propostos incluem gestão de aviação e aeroportos, sistemas aeroespaciais, aviação e logística, veículos aéreos não tripulados e aviação sustentável.
O terreno também incluirá uma 'Zona Agrícola', que não será puramente comercial ou industrial. Está planeado o desenvolvimento de 'espaços integrados, limpos e saudáveis', incluindo habitação para funcionários. Esta zona concentra-se em pesquisa e desenvolvimento para aumentar o rendimento e a rotação de culturas.