A África do Sul foi excluída do mapa global do Banco Mundial que exibe economias com estratégia nacional em inteligência artificial. Isso foi uma consequência direta do abandono do projeto de política nacional de IA, ocorrido em abril.
Esta exclusão foi apresentada na edição anual principal do Banco, o «World Development Report 2026: The Promise of Artificial Intelligence», publicado na terça-feira. Uma nota no mapa de estratégias nacionais de IA indica que a África do Sul não está incluída na lista de economias com estratégia devido à retirada do projeto de política nacional em abril de 2026.
Até junho de 2026, o Banco contabilizou mais de 80 países que publicaram estratégias nacionais de IA. Uma estratégia é definida como uma base autônoma e gerida pelo governo que define a visão e o plano de ação do país em relação à IA. A observação central do Banco é que os países que podem obter maiores benefícios desta tecnologia são frequentemente os menos preparados para ela: de 25 países de baixa renda, apenas Ruanda publicou uma estratégia especial de IA, enquanto mais da metade das economias de alta renda possuem tais documentos.
A África do Sul, sendo uma economia de renda média-alta e possuindo o setor tecnológico mais desenvolvido do continente, agora está completamente ausente neste grupo.
Razões para o abandono da política
O Ministro das Comunicações, Sulli Malatsi, retirou o projeto de política nacional de IA em 26 de abril depois que verificações internas revelaram que a lista de fontes continha dados falsos. O documento de 86 páginas, que foi oficialmente publicado em 10 de abril com 67 referências, mostrou-se com citações de artigos de revistas académicas que, na verdade, não existiam — o que provavelmente foi gerado por uma ferramenta de IA e publicado sem a devida verificação.
Malatsi declarou na altura que a falha não tinha apenas um caráter técnico, mas também minou a integridade e a confiança na própria política. Após isso, nomeou um grupo de especialistas independente, presidido pelo Professor Benjamin Rosman, investigador de IA da Universidade de Witwatersrand, para restaurar o documento.
Perspetivas para o desenvolvimento da política
O mapa do Banco Mundial reflete a situação até junho de 2026, mas é improvável que a ausência da África do Sul seja corrigida em breve. O Departamento de Comunicações e Tecnologia Digital informou ao parlamento que o relatório consolidado do grupo de especialistas está previsto para agosto, e o projeto revisado será apresentado ao gabinete de ministros em novembro, com consultas públicas agendadas para janeiro de 2027.
Assim, a África do Sul não conseguirá publicar uma política nacional de IA até ao próximo ano, o que ocorrerá quase três anos após a Cimeira Nacional de IA, que deu início a este processo em abril de 2024.
Há também um momento embaraçoso adicional no próprio relatório: na secção de agradecimentos do World Development Report, são mencionados o departamento de comunicações e o departamento de ciência, tecnologia e inovação como organizações que forneceram informações, juntamente com o regulador de comunicações Icasa e a Autoridade Tributária da África do Sul.
As recomendações do relatório aos governos incluem garantir fornecimento de eletricidade fiável, acesso de banda larga e alfabetização básica. O argumento é que estes elementos são complementos que o setor privado não financiará sozinho, e sem eles, as ferramentas de IA oferecem pouco resultado.
Em outros aspetos do relatório, a África do Sul apresenta resultados fracos, especialmente no que diz respeito aos problemas de fornecimento de energia. No capítulo sobre IA e ambiente, o Banco Mundial aponta o Brasil e a Malásia como direções promissoras para o trabalho de centros de processamento de dados hiperescalares, citando os cortes de energia crónicos na África do Sul como ilustração de como as restrições da rede elétrica impedem investimentos em IA em grande escala.

