A Audi anunciou o A2 e-tron, um hatchback compacto com preço inferior a 40 mil euros, que a própria marca considera o mais eficiente já produzido. Os primeiros dados técnicos foram divulgados nesta terça-feira (4), indicando que o veículo consome 12,8 kWh a cada 100 km no ciclo europeu WLTP.
É importante notar que este consumo é preliminar e refere-se à versão de 190 cv equipada com o pacote de eficiência opcional. Este pacote inclui refinamentos aerodinâmicos que, segundo a montadora, conseguem reduzir o consumo em até 0,9 kWh/100 km. Sem essa opção, o intervalo homologado de consumo varia entre 12,8 e 15,6 kWh/100 km.
A aerodinâmica constitui um elemento central do projeto do A2 e-tron, apresentando um coeficiente de arrasto de 0,24, o melhor entre os modelos compactos da Audi. Para otimizar o fluxo de ar, o carro possui 'air curtains' nas laterais, que desviam o ar para diminuir a turbulência, além de 'gap reducers', componentes que estreitam o espaço entre o pneu e o para-lama. Adicionalmente, a entrada de ar frontal é controlada ativamente, permanecendo fechada em condições normais e abrindo apenas durante a recarga, em acelerações vigorosas ou em dias de alta temperatura.
Bateria de LFP e carro como tomada
A versão de 190 cv utiliza uma bateria de 61 kWh, construída com células de fosfato de ferro-lítio (LFP) em uma arquitetura cell-to-pack, onde as células são integradas diretamente à carcaça. Esta composição química elimina a necessidade de terras-raras, apresenta maior resistência ao envelhecimento e possibilita recargas rotineiras até 100%, diferentemente das baterias de níquel. Graças a uma estratégia de resfriamento específica, a marca alega que a eficiência de recarga em wallbox atinge 89,6%.
O veículo também suporta recarga bidirecional: a funcionalidade Vehicle-to-Load permite alimentar equipamentos externos, enquanto a Vehicle-to-Home converte o elétrico em uma bateria residencial. Contudo, esta última função está limitada ao lançamento na Alemanha, Áustria e Suíça. A eficiência do conjunto elétrico é elevada em até 10% devido ao uso de semicondutores de carbeto de silício, um novo enrolamento do estator e óleo de baixo atrito.
O nome que voltou
Gernot Döllner, presidente da Audi, relembrou que o A2 sempre foi uma presença constante em sua trajetória desde que ingressou no Grupo Volkswagen nos anos 1990, mencionando que a eficiência já era uma característica marcante da versão de três litros daquela época. Ele fez referência ao A2 1.2 TDI, lançado em 1999, que consumia 3 litros de diesel por 100 km. O modelo original possuía carroceria de alumínio e pesava menos de 900 kg, mas enfrentou dificuldades comerciais e foi descontinuado em 2005.
Fabricado em Ingolstadt e com características técnicas próximas ao Volkswagen ID.3 Neo, o novo A2 será posicionado como o elétrico mais acessível da Audi, com preço inicial a partir de 38.200 euros. Ele oferece quatro níveis de potência, variando de 170 cv a 326 cv, todos configurados com tração traseira, e anuncia uma autonomia máxima de 649 km no ciclo WLTP. A estreia global do modelo está agendada para setembro.