O mercado brasileiro de automóveis leves registrou 265.148 emplacamentos em julho de 2026. Este número representa um aumento de 2,1% em comparação com junho e um crescimento de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior. Um marco importante deste mês foi o desempenho dos veículos eletrificados — englobando modelos 100% elétricos, híbridos e híbridos plug-in —, que somaram pelo menos 17% de todos os veículos registrados no país, o que significa que quase um em cada seis carros novos vendidos possuía algum nível de eletrificação.
Apenas os modelos totalmente elétricos totalizaram aproximadamente 24 mil unidades, correspondendo a 9% do mercado, um patamar que há dois anos era considerado distante. A liderança do ranking reflete este progresso, com três carros elétricos, todos de origem chinesa, figurando entre os dez mais vendidos no Brasil. O BYD Dolphin Mini ocupou a sexta colocação geral, com 7.265 emplacamentos, ultrapassando o Volkswagen T-Cross (7.070), que caiu da liderança de junho entre os SUVs para a sétima posição.
Outros modelos chineses notáveis incluem o BYD Dolphin em oitavo lugar (6.492) e o Geely EX2 em nono lugar (5.898), ficando à frente do Hyundai Creta. Entre os híbridos, o GWM Haval H6 se destacou com 5.533 unidades, alcançando a 13ª posição geral, seu melhor resultado desde o lançamento. Também apareceram o BYD Song Pro (4.158) e o Jaecoo 7 (3.061), evidenciando a expansão da presença chinesa além dos elétricos puros.
Na tabela geral, a Fiat Strada manteve sua posição de liderança, vendendo 14.912 unidades, com uma vantagem superior a 4.500 carros sobre o segundo colocado, Volkswagen Polo (10.340). Uma surpresa foi a ascensão do Volkswagen Tera ao terceiro lugar geral, com 10.165 unidades, consolidando o crescimento do SUV compacto. Os modelos Chevrolet Onix (9.313) e Fiat Argo (8.612) completaram o top cinco.
Em termos de movimentação, a Volkswagen Saveiro apresentou o maior crescimento absoluto do mês, somando 2.186 emplacamentos a mais que em junho, e retornou ao top-15. Em contrapartida, o recuo do T-Cross foi o mais significativo em números absolutos, perdendo 4.683 unidades. O Hyundai HB20, que antes competia por vagas no pódio, sofreu uma queda acentuada, saindo do top-30 com 3.037 emplacamentos.
Quais tiveram maior e menor crescimento
Fora do grupo principal, julho mostrou grandes variações. Analisando apenas modelos com mais de 100 emplacamentos em junho, o carro com maior crescimento percentual foi o GWM Ora 5, um SUV elétrico da submarca da GWM, que saltou de 133 para 725 unidades, representando um aumento de 445,1%. Seguiram o Hyundai i20 (+294,7%, passando de 676 para 2.668 unidades) e o BYD Sealion 7 (+197,2%, de 109 para 324).
Esses três casos compartilham a mesma razão: são lançamentos recentes que ganharam força comercial em julho, após o término da fase de pré-venda e a chegada de estoque às concessionárias. O i20, em particular, começa a se estabelecer como a aposta da Hyundai para retomar o espaço perdido pelo HB20. O top cinco dos ganhadores também incluiu o MG4 (+98,9%) e o GAC GS3 (+97,4%), ambos novidades no mercado brasileiro.
Na outra extremidade, a maior redução percentual foi observada no Aion ES, que despencou 93,3%, caindo de 104 para apenas 7 emplacamentos. O Geely EX5 teve um recuo de 77,7% (de 1.450 para 324 unidades). Nesses dois exemplos, a baixa pode estar ligada à escassez de estoque. Tanto Aion quanto Geely importam seus veículos da China, e o suprimento das concessionárias depende de remessas marítimas; quando um lote se esgota e o próximo ainda está em trânsito, os emplacamentos diminuem até a chegada do novo carregamento.
Este é um padrão comum entre marcas que ainda não possuem produção no Brasil e que tende a se reverter nos meses subsequentes. No caso do EX5, há um fator adicional: a introdução da versão híbrida EX5 EM-i, que registrou 1.236 unidades em julho e pode ter absorvido parte da procura pela versão elétrica. O top cinco das quedas também contou com a Nissan Frontier (−72,4%), o Fiat Ducato (−58,6%) e o Chevrolet Spark (−56,7%).