Diversas marcas chinesas têm manifestado planos ambiciosos de estabelecer produção nacional no Brasil, com algumas já tendo iniciado o processo e outras possuindo contratos firmados ou em fase de planejamento para a nacionalização de veículos.
A primeira marca chinesa a se estabelecer no país foi a Chery, que inaugurou sua unidade em Jacareí, São Paulo, em 2014. Posteriormente, em 2017, as operações passaram a ser geridas pelo grupo brasileiro Caoa, que já operava uma fábrica em Anápolis, Goiás, dedicada à produção de modelos da Hyundai.
No cenário atual, novos fabricantes estão chegando, com suas operações sendo supervisionadas pelas matrizes chinesas. Há um forte foco no desenvolvimento de veículos eletrificados, embora alguns fabricantes também ofereçam opções movidas a combustão em nichos específicos.
Caoa Chery
Atualmente, a Caoa fabrica os veículos da Chery exclusivamente na planta de Anápolis, Goiás. Modelos como Tiggo 5X, Tiggo 7 e Tiggo 8 são produzidos sob o regime CKD, enquanto as versões híbridas plug-in são importadas diretamente da China. O Grupo Caoa continuará representando a Chery, mesmo com a entrada da matriz chinesa através de outras marcas. Os carros fabricados no Brasil já incorporam processos locais como pintura, soldagem e a utilização de certos componentes.
Caoa Changan
O Grupo Caoa também representa a Changan no mercado brasileiro, começando sua atuação com a divisão de luxo Avatr em 2025. Em 2026, a produção nacional dos modelos Uni-T e CS75 foi iniciada em Anápolis, Goiás, utilizando o sistema de montagem peça por peça. Este método é similar ao adotado pela GWM, pois os componentes não chegam em kits, o que simplifica a nacionalização de peças. Os veículos Changan produzidos localmente já passam por processos de soldagem, pintura e outros procedimentos realizados no Brasil. A marca planeja introduzir um terceiro modelo em breve, o CS55.
GWM
A GWM foi a primeira marca chinesa desta nova onda a se instalar no Brasil. Em 2021, ela adquiriu a fábrica desativada da Mercedes-Benz em Iracemápolis, São Paulo, antes mesmo de comercializar seus automóveis no território nacional. Inicialmente, o projeto previa a produção da picape média Poer P30 em versões híbridas e a diesel no Brasil, mas o sucesso do Haval H6 forçou uma alteração nos planos. A produção local teve início em 15 de agosto de 2025. Após o lançamento do Haval H6, a GWM introduziu a Poer P30 e o Haval H9, ambos equipados com motor turbodiesel. Os três modelos nacionais são montados peça por peça e já contam com componentes fabricados no país. A GWM já estabeleceu contato com fornecedores locais visando elevar o índice de nacionalização de seus veículos e confirmou a abertura de uma segunda fábrica no estado do Espírito Santo. Além disso, está sendo desenvolvido um centro de desenvolvimento em Iracemápolis. O Haval H6 nacional já dispõe de motor flex, e toda a linha comercializada no Brasil recebeu adaptações para o gosto local, como suspensão mais firme e rodas pretas.
BYD
A BYD frequentemente atrai atenção no segmento de novas marcas chinesas devido à sua estratégia de marketing agressiva e alto volume de vendas. A empresa adquiriu a fábrica localizada em Camaçari, Bahia, que havia sido construída pela Ford, em 2023. Diversas promessas foram feitas sobre os cronogramas de produção. Inicialmente, a produção deveria começar no final de 2024, mas esta data foi postergada por vários motivos. A operação efetiva começou em setembro de 2025. A BYD realiza a montagem de seus carros no Brasil no regime SKD, onde os veículos chegam em kits semiacabados. Os processos executados localmente se limitam à união das peças, sem envolver soldagem, pintura ou componentes locais; os pneus são entregues montados nas rodas e inflados. Durante a inauguração da fábrica em 2025, foi prometido que a transição do SKD para a produção totalmente nacionalizada ocorreria em agosto de 2026, mas em julho de 2026, o prazo foi estendido até o final do ano. Atualmente, a BYD monta os modelos Dolphin Mini, Song Pro e King.
Geely
A Geely ingressou no Brasil com o suporte da Renault. Essa colaboração culminou na aquisição de 26,4% da filial brasileira da marca francesa pela Geely. Isso proporcionou à Geely a vantagem de poder utilizar a fábrica da Renault em São José dos Pinhais, Paraná, bem como toda a infraestrutura e rede de distribuição já consolidadas. O primeiro produto nacional previsto era o SUV médio EX5 EM-i, mas o sucesso do hatch elétrico EX2 exigiu uma mudança de última hora. A Geely planeja iniciar a montagem do EX2 no regime SKD até o fim do ano, e ele será lançado atualizado, com bateria aprimorada, melhorias no acabamento interno e um pacote ADAS mais avançado. A possibilidade de nacionalização do EX5 EM-i não foi descartada com essa readequação de planos.
GAC
A GAC estabeleceu um acordo com a HPE Automotores para aproveitar a capacidade ociosa da fábrica em Catalão, Goiás, que atualmente produz apenas veículos da Mitsubishi. A marca também avaliou outros locais para estabelecer uma planta própria, incluindo o estado do Amapá. Com esta parceria com a HPE Automotores, a GAC poderá ser habilitada no Programa Mover. A empresa investirá R$ 1,3 bilhão na fábrica de Catalão para viabilizar a produção local. Adicionalmente, a GAC criará um centro de pesquisa e desenvolvimento local, focado na criação de motores flex e outras tecnologias adequadas às condições brasileiras. Ainda não foi divulgado qual será o método de produção inicial da GAC no Brasil nem quais modelos serão nacionalizados primeiramente.
Leapmotor
O grupo Stellantis detém 51% das ações da Leapmotor, uma startup chinesa especializada em veículos eletrificados. Suas operações fora da China são administradas pelo conglomerado que possui a Fiat e outras marcas. A Stellantis já confirmou que os carros da Leapmotor serão fabricados na fábrica de Goiana, Pernambuco, ainda em 2026. A produção será inicialmente no regime SKD, com uma progressão gradual para o CKD até atingir a plena nacionalização. O modelo mais esperado para iniciar este processo é o SUV C10, que sairá da fábrica pernambucana já com um facelift, acompanhado pelos modelos B10 e C16.
MG Motor
A MG Motor é uma marca de origem britânica que pertence à chinesa SAIC. A empresa confirmou que montará o modelo MG4 Urban na fábrica multimarcas da PACE, em Horizonte, Ceará, no regime SKD até o final de 2026. Esta planta atualmente fabrica os veículos elétricos chineses da Chevrolet, como o Spark EUV e o Captiva EV. Por enquanto, a MG Motor não apresentou planos de construir uma fábrica própria no Brasil.
Em relação à Omoda & Jaecoo, a Chery global retomou sua presença no Brasil com esta dupla de marcas, criada com foco na exportação. Desde o início, a companhia indicou sua intenção de produzir veículos localmente. Atualmente, a empresa está em negociações para adquirir a fábrica da Jaguar Land Rover, localizada em Itatiaia, Rio de Janeiro. Embora o negócio ainda não esteja concluído, houve tratativas entre os representantes chineses e a prefeitura da cidade.