Ao Presidente Cyril Ramaphosa foi emitida uma ordem judicial que suspende as atividades do comité parlamentar responsável pelas questões de impeachment. Esta proibição foi concedida pelo Tribunal Superior do Cabo Ocidental na sexta-feira.
Fundamentos da Proibição
O tribunal decidiu que o comité não pode continuar o seu trabalho até que seja tomada uma decisão sobre o recurso apresentado por Ramaphosa contra o relatório da comissão independente. Este relatório foi preparado pela colegiada sob a presidência do ex-juiz-chefe Sandile Ngcobo e continha conclusões de que Ramaphosa poderia ter motivos para responder sobre o desvio de moeda estrangeira na sua quinta Fala Fala.
Decisão do Tribunal
A decisão foi proferida pelo juiz Andre Le Grand. Ele declarou que 'até que este tribunal determine o apelo do requerente, os réus primeiro e segundo estão proibidos de realizar audiências públicas de impeachment de acordo com uma das regras da Assembleia Nacional'. Além disso, ele observou que os custos do pedido seriam deixados a cargo do tribunal que julga o apelo.
Detalhes do Caso e Argumentos das Partes
A decisão do tribunal não foi unânime, pois Le Grand indicou que a segunda das decisões proferidas é maioria. O relatório contestado por Ramaphosa aponta para uma possível violação da lei por parte dele em relação ao roubo de moeda estrangeira na sua quinta Fala Fala. É sobre isto que ele está perante o comité.
A audiência do apelo está marcada para o período de 2 a 4 de setembro. O caso foi ouvido durante dois dias na semana passada pela colegiada completa, composta por Le Grand, Matthew Francis e Diane Davis, que adiaram a decisão. O advogado Wim Trengov, que representava o presidente, argumentou que conduzir uma investigação pública antes da verificação do relatório no tribunal acarretaria uma injustiça irreparável.
Posições da Oposição e do Comité
Os partidos da oposição manifestaram-se contra esta medida, classificando-a como uma tentativa de ganhar tempo. O comité recusara anteriormente esperar pela decisão do tribunal, reunindo-se na quarta-feira para trabalhar no projeto de disposições e estreitar a lista de candidatos que apresentariam provas contra o presidente. O presidente Makashule Gana afirmou que o comité continuará a trabalhar até que o tribunal indique o contrário.
Gana acrescentou que os advogados próprios do presidente foram informados de que o trabalho do comité é atualmente de natureza preparatória. Esta preparação incluía a nomeação de líderes de apresentação de provas, a preparação de testemunhas e a finalização das disposições, nada do que a proibição pretendesse parar.
Antecedentes do Processo
A situação surgiu depois de o Tribunal Constitucional ter decidido em maio que a Assembleia Nacional agiu ilegalmente em dezembro de 2022, quando adiou o relatório da comissão Ngcobo. O tribunal estabeleceu a existência de provas iniciais de que Ramaphosa poderia ter violado a constituição e a legislação anticorrupção em relação ao roubo ocorrido em fevereiro de 2020 na sua quinta em Limpopo. Ramaphosa sempre negou qualquer culpa.
Em 2022, o partido ANC usou a sua maioria para rejeitar o relatório, mas o tribunal superior posteriormente anulou essa decisão. No mês passado, o Parlamento aprovou novas regras para regulamentar o trabalho do comité de 31 membros.


