O aumento exponencial da Inteligência Artificial (IA) está gerando uma forte demanda por chips de memória, o que, segundo a General Motors (GM), resultará em um encarecimento dos automóveis. O consumo de IA na produção mundial de memória já atinge 32% e projeta-se que alcance 48% até 2028.
Impacto nos Custos Automotivos
Este aumento de demanda pressiona os preços dos componentes DRAM, essenciais para o armazenamento temporário de dados. Atualmente, esses componentes custam seis vezes mais do que há um ano. Como todos os aspectos dos carros modernos, desde sistemas básicos do painel até assistentes avançados de direção, dependem desse tipo de silício, o impacto é sentido diretamente pelos fabricantes.
Em conversa com o Nikkei Asia, Paul Jacobson, diretor financeiro da GM, informou que a montadora prevê um aumento nos custos de insumos entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões neste ano. Ele ressaltou que este valor ainda não considera tarifas de importação e que a pressão de custos tende a intensificar-se no segundo semestre.
Projeções de Mercado e Escassez
A consultoria AlixPartners aponta que a indústria automobilística utiliza aproximadamente 10% de toda a DRAM globalmente produzida. A IA, como principal consumidora isolada, está superando smartphones e computadores nesse segmento. Quando data centers e a IA consumirem metade da produção mundial, os demais setores, incluindo montadoras, terão que arcar com o custo.
Além da elevação de preços, existe um problema de escassez, visto que os produtores de chips não conseguem suprir o ritmo crescente da procura.
Estratégias das Montadoras
Diante deste cenário, as fabricantes estão adotando medidas preventivas. A GM e a Ford, juntamente com outros sete fornecedores de peças, como Denso e Astemo, firmaram recentemente acordos de fornecimento de longo prazo com a Micron. As montadoras também buscam estocar DRAM antes da escassez prevista para o próximo ano.
A GM já ajustou sua estimativa de preços para a América do Norte, passando de uma expectativa de estabilidade ou leve queda de 0,3% para um aumento médio projetado de 0,3% no valor dos veículos novos neste ano. A própria empresa cunhou o termo «chipflation» para descrever esse fenômeno inflacionário dos chips.
Diferenças Regionais no Custo
As fabricantes chinesas sentem o impacto de forma mais acentuada, pois seus veículos eletrificados avançados utilizam uma quantidade maior de chips em comparação com muitas opções ocidentais. A corretora Huayuan Securities calculou que o custo de memória em carros fabricados na China ultrapassava US$ 70 por unidade em novembro de 2025, enquanto nos modelos japoneses esse valor era de cerca de US$ 30. Algumas marcas chinesas já iniciaram o repasse desses custos, elevando o preço de pacotes opcionais de assistência à condução.

