A Mercedes-Benz concluiu o segundo trimestre de 2026 com um lucro líquido superior em 13,5%, totalizando 1,09 bilhão de euros. Contudo, o lucro da sua divisão de automóveis sofreu uma drástica redução em função da situação na China.
Impacto da China nas Vendas
Devido à diminuição das vendas no país asiático, a montadora alemã foi forçada a reduzir suas previsões de receita e de volume de vendas para o decorrer do ano. O resultado operacional da divisão de carros registrou uma queda aproximada de 94%, caindo de 783 milhões para apenas 49 milhões de euros.
Essa queda foi explicada por perdas de 704 milhões de euros reconhecidas em investimentos da marca em companhias chinesas, configurando um ajuste de valor no balanço patrimonial que não afetou o fluxo de caixa. Ao descontar este impacto, o lucro da divisão recuou 26%, atingindo 909 milhões de euros, mantendo a margem de 4% sobre as vendas, o que está dentro das metas estabelecidas pela empresa.
Desempenho Global e Local
Apesar do prejuízo no mercado chinês, a perda de participação de mercado é um fato concreto. No trimestre analisado, foram comercializados 417.765 veículos, em comparação com 453.674 no ano anterior. Especificamente na China, os registros de emplacamento diminuíram 30%, sob pressão da competição de fabricantes locais e da baixa procura. Em contraste, as vendas na Europa apresentaram um aumento de 4%, enquanto nos Estados Unidos cresceram 10%. Estima-se que, sem o desempenho chinês, o crescimento global de volume teria sido de 2%.
Em resposta a esses desafios, a companhia passou a estimar receitas e vendas de automóveis ligeiramente inferiores aos valores projetados para 2025. No entanto, manteve a meta de lucratividade anual e elevou a expectativa de participação de veículos eletrificados para entre 23% e 25%. As ações da empresa registraram uma alta superior a 5% na bolsa de Frankfurt.
Fatores de Suporte ao Balanço
Dois setores contribuíram para estabilizar o balanço geral: o segmento de serviços financeiros, que viu seu lucro operacional ajustado subir 70%, alcançando 492 milhões de euros, e os 417 milhões obtidos com a alienação de parte da participação na Daimler Truck. No portfólio de veículos, os modelos elétricos trouxeram um alívio significativo, com a venda de 52.852 unidades, um aumento de 51% em relação ao ano passado.
O relatório financeiro não detalha informações referentes ao Brasil, onde a marca comercializa apenas automóveis de passeio importados desde que encerrou a produção em Iracemápolis (SP) e vendeu a fábrica para a chinesa GWM.