Um novo método de semaforização, concebido pela Escola Politécnica (Poli) da USP, utiliza sensores para monitorar a presença de pessoas na faixa de pedestres, visando reduzir significativamente o tempo de espera dos pedestres e melhorar a fluidez do tráfego de veículos.
Funcionamento do novo sistema
Em vez de operar com tempos fixos, este sistema inteligente detecta se o pedestre já finalizou a travessia. Caso a passagem esteja completa, o sinal é fechado, liberando os automóveis. Contudo, se houver alguém ainda no meio do trajeto — como um idoso ou uma pessoa com mobilidade reduzida —, o sinal permanece verde, mantendo os veículos parados.
Testes e aplicação da tecnologia
Atualmente, a tecnologia ainda não foi implementada em cruzamentos reais. Os testes foram realizados através de microssimulações utilizando o software PTV VISSIM, com o algoritmo programado em linguagem C#. Antes dessas simulações, os pesquisadores realizaram levantamentos de campo para mapear a geometria das vias, o volume de tráfego de carros e pedestres, além de identificar infrações comuns, como atravessar fora da faixa.
Quatro interseções foram replicadas para os testes: duas localizadas na Cidade Universitária da USP em São Paulo (SP), especificamente em frente ao Hospital Universitário (HU) e na Praça dos Bancos; e outras duas na própria cidade, no Terminal Rodoviário Cidade Tiradentes e no cruzamento da Avenida Rebouças com a Rua Oscar Freire. A seleção desses locais foi estratégica: o HU possui grande concentração de pedestres mais vulneráveis, incluindo idosos, crianças e cadeirantes, enquanto Cidade Tiradentes representa um cenário de urbanização não planejada.
Impacto no tráfego veicular
Um achado notável foi que os veículos não sofreram prejuízos com a implementação do sistema. O tempo médio de espera dos carros diminuiu em 22% nos modelos simulados da Praça dos Bancos e do Terminal Cidade Tiradentes. Embora o tempo máximo de espera tenha aumentado em 30,9 segundos, os autores consideraram esse acréscimo aceitável, dado que o foco principal do projeto era o bem-estar do pedestre.
Para os pedestres, a redução no tempo máximo de espera foi de 69% em média. A economia de aproximadamente um minuto foi observada nos modelos do HU e do terminal, enquanto na Praça dos Bancos, a redução atingiu 58 segundos.
Perspectiva e conclusão do estudo
Claudio Luiz Marte ressaltou que São Paulo possui uma regulamentação de um minuto e meio como limite de espera para pedestres nos semáforos municipais. Segundo ele, o cerne da questão é comportamental: embora os motoristas não abandonem seus veículos no meio do trânsito, é o pedestre que pode perder a paciência e se expor ao risco entre os carros. Andrey Luís Barbosa Gomes sintetizou a lógica do projeto, apontando que, tradicionalmente, a engenharia de tráfego tende a priorizar o fluxo de veículos e a estrutura das vias, mas todos, em algum momento do dia, são pedestres.
O estudo recebeu suporte da Capes e do BNDES, em parceria com o Centro Interdisciplinar de Tecnologias Interativas (Citi) da USP. A dissertação deverá ser disponibilizada em breve na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP.



