Os usuários podem enfrentar interrupções repentinas de conexão na África do Sul, por exemplo, tarde na terça-feira à noite, sem que a operadora forneça qualquer notificação sobre o motivo ou o prazo de restauração. Após reiniciar o equipamento e verificar o aplicativo, nada muda. Entrar em contato com o call center resulta apenas no recebimento de um número de protocolo e uma promessa de retorno de chamada que nunca chega. Dois dias depois, o serviço é restaurado tão discretamente quanto desapareceu.
O motivo do silêncio das operadoras
Embora falhas na rede sejam inevitáveis em um país com fornecimento de energia irregular, a falha em si não é um indicador da qualidade da operadora. No entanto, o silêncio durante tais falhas pode ser um fator decisivo para o cliente. O problema não reside no fato de os gestores ignorarem a situação, mas sim nas características estruturais da própria construção das operadoras, que dificultam a comunicação oportuna.
Deficiências estruturais
A primeira deficiência está relacionada aos call centers. A indústria há muito tempo decidiu minimizar os custos de interação com os clientes, terceirizando essa função. Os centros terceirizados são orientados por métricas contratuais que incentivam a velocidade de processamento, o custo do contato e o encerramento de chamadas, e não a resolução de problemas. Como resultado, o agente apenas registra a falha, fornece um número e fecha o tíquete, criando a sensação de que o cliente foi apenas atendido, e não ajudado.
A segunda barreira estrutural é a estrutura organizacional. Especialistas que sabem sobre a falha da torre e funcionários que interagem com os clientes estão em departamentos diferentes, subordinados a gerentes diferentes e usam sistemas diferentes. As operações de manutenção da rede são avaliadas pelo tempo de funcionamento ininterrupto, enquanto as comunicações com os clientes (sob marketing ou cuidado) são avaliadas por campanhas e sentimentos. As falhas ocorrem na junção dessas duas áreas, e ninguém é responsável por informar os clientes sobre a falha e seus prazos de correção.
Limitações técnicas de comunicação
O terceiro fator é a infraestrutura técnica. Mesmo as operadoras que buscam fornecer atualizações proativas muitas vezes não conseguem fazê-lo porque os sistemas de detecção de falhas não foram originalmente integrados aos sistemas de comunicação com o cliente. As plataformas de gerenciamento de falhas notificam técnicos e rastreiam reparos, mas não são projetadas para enviar mensagens em massa a todos os usuários afetados. A integração desses sistemas compete por orçamento com projetos que geram receita mais óbvia. Assim, a capacidade de comunicação escalável durante uma falha está ausente na maioria das operadoras.
A soma desses fatores transforma o silêncio de um sinal de negligência em uma consequência lógica da arquitetura: um call center criado para economizar, a ausência de um proprietário do problema do cliente e a falta de um caminho desde o registro da falha até a informação ao usuário. Este sistema gera silenciosamente, independentemente das declarações sinceras da liderança sobre o cuidado com o cliente.
Comparação de métricas de rede e sentimentos
Existe uma maneira de testar essa hipótese: se as reclamações considerassem a qualidade da rede, a operadora com a pior interação de rede teria a pior qualidade de rede medida. No entanto, a situação é o oposto. De acordo com o relatório Opensignal de 2025 sobre a África do Sul, baseado em bilhões de medições de telefones, a MTN conquistou 11 de 15 prêmios, incluindo todos os prêmios de experiência geral. A empresa Rain recebeu reconhecimento apenas na categoria de voz. A Ookla registrou a velocidade média de download móvel da MTN em 74,76 Mbps, o que é o maior índice do país, e a Icasa registrou a cobertura nacional 4G da população em 99,5%. Isso indica que o gargalo não é a rede em si, e a liderança da MTN é mantida em vários benchmarks.
No entanto, ao comparar isso com a percepção dos clientes, o quadro muda drasticamente. O indicador de experiência operacional do cliente da DataEQ é quase diretamente oposto às classificações de qualidade da rede. A Rain, que ocupa o último lugar em qualidade de rede, demonstra o nível de sentimento mais alto entre as operadoras — +16%. A MTN, líder em rede, mostra um indicador de -17%. A rede melhor medida fica atrás da pior em como seus clientes se sentem. A Cell C também tem um indicador positivo de +11%, e aqui a comparação é mais clara: a Cell C não possui sua própria rede, mas usa as redes da MTN e Vodacom, portanto, seus clientes usam principalmente torres da MTN.
Quando as mesmas torres dão resultados opostos dependendo do nome na conta, isso significa que a métrica medida não reflete as próprias torres. É necessário estudar atentamente essa lacuna, pois dois conjuntos de dados medem coisas diferentes. Os benchmarks avaliam velocidade e cobertura através de dispositivos, enquanto a DataEQ mede os comentários dos usuários, que incluem questões de faturamento, precificação, serviços de linha fixa e dificuldades de reparo.
O que realmente influencia a satisfação
Portanto, o sentimento do cliente reflete não a rede em si, mas todos os fatores ao seu redor. O relatório indica quais aspectos estão causando danos: a cobertura da rede é avaliada em -27%, o que é um indicador ruim, mas tolerável, enquanto o atendimento ao cliente é -85%, a administração de contas é -80% e o call center é o pior canal do setor com uma avaliação de -84%, sendo que apenas 39% das mensagens urgentes recebem alguma resposta.
A rede não é a causa da diminuição da satisfação; é o serviço que a cerca. Deve-se notar que o indicador da Cell C poderia ter sido aumentado graças a uma campanha de cobertura, o que é controle da narrativa, e não melhoria do serviço. O sinal mais claro é demonstrado pela Rain, cujo ranking é baseado na capacidade dos agentes de resolver problemas no mesmo dia. Os clientes valorizam toda a experiência de interação com a rede: receber uma resposta, ser informado e ter o problema resolvido.
Caminhos para melhorar o serviço
Resolver este problema é mais barato do que parece. Se o sistema gera silêncio, é preciso mudar o próprio sistema, e não apenas as mensagens: é necessário designar um único proprietário da comunicação durante uma falha com autoridade em todas as operações e áreas de serviço; alterar as métricas de função de contato de foco na capacidade para foco na resolução; e integrar os sistemas de falha com os sistemas de clientes para que a atualização de status ocorra automaticamente, em vez de exigir esforços heroicos. Nada disso requer um novo espectro ou uma reconstrução completa da rede. É preciso considerar a comunicação durante uma falha como parte integrante do produto. Operadoras que continuam a ver isso como uma questão secundária não carecem de boa vontade; elas carecem de um proprietário, de um incentivo e da conexão necessária.