Uma nova análise de fósseis indica que os primeiros seres vivos a manifestar lateralidade, como o Spriggina floundersi, eram animais marinhos semelhantes a sanguessugas e não possuíam mãos.
Descoberta sobre o Spriggina floundersi
Há aproximadamente 550 milhões de anos, durante o período Ediacarano, um organismo marinho conhecido como Spriggina floundersi, que tinha o tamanho de um dedo, rastejava no fundo dos oceanos. Um estudo recente sobre seus fósseis revelou que, embora fosse um animal sem membros superiores, ele demonstrava uma forte inclinação para se mover para a direita, sendo assim o exemplo mais antigo documentado de um animal destro.
Metodologia e Localização do Estudo
Pesquisadores dos Estados Unidos examinaram um conjunto de fósseis excepcionalmente bem conservados, localizados no Parque Nacional Nilpena Ediacara, na Austrália Meridional. Muitos desses espécimes estavam dobrados, e a maioria apresentava uma tendência de inclinar-se para o lado direito. O estudo foi divulgado no periódico Scientific Reports, da Nature, no dia 9 de julho.
Implicações da Lateralidade Primitiva
O paleontólogo Scott Evans, líder da pesquisa, explicou que, diferentemente do que se imagina ao pensar em destreza humana (como segurar um lápis), esta descoberta aponta que animais sem mãos ou pés podiam desenvolver sua própria forma de lateralidade. A pesquisa sugere que a preferência por um lado do corpo surgiu muito antes do que se acreditava, logo após os organismos começarem a apresentar simetria bilateral.
Características do Organismo e Análise Fóssil
O Spriggina foi um dos primeiros animais a exibir essa simetria durante o Ediacarano, um período entre 635 e 538 milhões de anos atrás, quando seres microscópicos evoluíram para organismos multicelulares maiores. Este organismo, medindo poucos centímetros, possuía um corpo alongado e segmentado, com uma extremidade frontal maior, que lembrava um capacete em formato de crescente lunar. Os fósseis do Parque Nacional Nilpena Ediacara, juntamente com a região dos Montes Flinders e da Austrália Meridional, fornecem um registro detalhado desse momento.
Resultados Detalhados do Movimento
Ao analisar mais de cem espécimes, os cientistas fotografaram o relevo das rochas para observar a postura final dos animais e, em seguida, criaram modelos tridimensionais para medir o desvio da curvatura de cada Spriggina em relação a uma linha reta. Os resultados indicaram que esses animais eram mais móveis do que se pensava, podendo se contorcer de maneira similar às minhocas modernas. Mais significativamente, os dados mostraram uma clara preferência pelo lado direito ao se virar, quase duas vezes mais frequentemente do que o lado esquerdo. Como os fósseis são imagens espelhadas, essa inclinação confirma que a preferência populacional era pelo lado direito.
Possíveis Capacidades Sensoriais
Adicionalmente, os novos achados podem oferecer pistas sobre como esses animais percebiam o ambiente. Scott Evans comentou que, dado que animais atuais com lateralidade (como insetos, polvos, aves e mamíferos) possuem sistemas sensoriais complexos, isso sugere que o sistema nervoso do Spriggina era relativamente sofisticado, comparável ao de animais conhecidos atualmente.