A companhia aérea Gol teve que devolver dois jatos Boeing 737 MAX 8, que estavam praticamente novos, devido a um grande número de problemas. Após um curto período de operação, as aeronaves foram destinadas ao desmonte, transformando-se em sucata.
Histórico das Aeronaves
Os dois aviões chegaram à Gol em 2025. A aeronave com matrícula PS-GRM iniciou seus voos em julho e foi entregue em setembro, enquanto o PS-GRN começou a operar em outubro e foi entregue em novembro. Assim, tratava-se de equipamentos recém-saídos da linha de produção, com apenas alguns meses de uso.
De acordo com o BrasilAviation.info, essas aeronaves começaram a exibir falhas crônicas de fabricação relacionadas tanto aos motores CFM LEAP-1B quanto ao centro de gravidade. Por causa desses problemas, os Boeing 737 foram retirados do serviço de transporte de passageiros em fevereiro deste ano e encaminhados para o centro de manutenção da companhia, localizado no aeroporto de Confins, em Belo Horizonte.
Inspeção e Decisão Final
Durante aproximadamente sete semanas, as aeronaves permaneceram paradas em Belo Horizonte. Segundo informações obtidas pelo AeroIn, foi verificado que ambos os veículos apresentavam um desempenho inferior ao esperado, exigindo reparos mais extensos do que o usual.
Considerando que manter os aviões parados representava um prejuízo financeiro, a Gol decidiu não prosseguir com os reparos dos dois 737 MAX e optou por se desfazer deles. Em vez de voltarem a voar, os jatos foram transportados para o Pinal Airpark, situado no Arizona, nos Estados Unidos, um dos maiores locais de descarte de aeronaves do planeta. Lá, eles serão desmontados para que suas peças possam ser revendidas.
Impacto no Mercado e Contexto
Um aspecto notável é que, por serem quase novos, esses jatos se tornaram itens raros no mercado. O site View from the Wing registrou que eles são os primeiros 737 MAX a serem desmontados intencionalmente, e o arrendador já está anunciando os componentes como itens de «primeira mão» de aeronaves pouco utilizadas. Além disso, reportagens brasileiras indicam que a Boeing estaria sob investigação judicial relacionada aos defeitos, embora a fabricante ainda não tenha emitido declarações oficiais sobre o assunto.
O caso da Gol soma-se a uma série de controvérsias envolvendo o Boeing 737 MAX desde seu lançamento em 2017. Este modelo foi introduzido como uma alternativa mais econômica ao mais vendido da fabricante, mas esteve envolvido em duas tragédias aéreas: a queda do voo da Lion Air em outubro de 2018 e a da Ethiopian Airlines em março de 2019, resultando na morte de 346 pessoas. As investigações apontaram o sistema automatizado MCAS, o que levou à proibição de voo do modelo globalmente entre 2019 e o final de 2020. Mais recentemente, em janeiro de 2024, o avião voltou a ser tema de discussão após um painel de porta se desprender durante um voo de um jato da Alaska Airlines, gerando novas apurações sobre falhas na linha de montagem da Boeing.