Pesquisadores da Universidade Loma Linda examinaram mais de três mil ossos de dinossauros recuperados de um depósito em Wyoming, nos Estados Unidos, e conseguiram identificar quatro peças com marcas que foram atribuídas ao Tyrannosaurus rex.
Pesquisadores da Universidade Loma Linda examinaram mais de três mil ossos de dinossauros recuperados de um depósito em Wyoming, nos Estados Unidos, e conseguiram identificar quatro peças com marcas que foram atribuídas ao Tyrannosaurus rex.
O estudo, divulgado na revista PLOS One na última quarta-feira (15), demonstrou que sinais que se assemelham a mordidas podem induzir ao erro até mesmo especialistas. Fatores como doenças, o processo de decomposição e as próprias estruturas naturais dos ossos são capazes de gerar marcas que imitam ataques de predadores.
Bethania C. T. Siviero e sua equipe conduziram esta investigação com o intuito de estabelecer métodos para diferenciar vestígios deixados por animais carnívoros de modificações resultantes de fenômenos naturais.
Os fósseis analisados provêm da Formação Lance, localizada no nordeste de Wyoming, uma área que se formou há aproximadamente 66 milhões de anos, no final do período Cretáceo. Este local possui uma grande quantidade de ossos, predominantemente pertencentes ao dinossauro herbívoro Edmontosaurus annectens.
Ao longo de duas décadas de escavações, milhares de fragmentos foram coletados do depósito, formando um conjunto conhecido como bonebed, que contém restos de diversas espécies misturadas, sem a configuração de esqueletos inteiros.
Embora a equipe tenha buscado evidências de alimentação por predadores, eles encontraram apenas 13 ossos com alguma marca similar a uma mordida. Após uma inspeção mais minuciosa, apenas quatro exibiram características consistentes com a ação do T. rex.
A confirmação da identificação baseou-se na comparação entre os padrões deixados pelos dentes e as características conhecidas dos carnívoros daquela era. As marcas mais significativas eram pequenos riscos paralelos criados pelas reentrâncias dentárias.
Segundo Bethania C. T. Siviero, paleontóloga da Universidade Loma Linda e líder do projeto, é fundamental reconhecer a origem correta das alterações nos ossos para interpretar o comportamento dos animais extintos. Ela esclareceu ao Earth.com que marcas superficiais podem ter múltiplas origens e exigem avaliação cuidadosa.
A equipe chegou à conclusão de que o espaçamento das pequenas protuberâncias nos dentes correspondia ao Tyrannosaurus rex, pois outros predadores da região possuíam dentes com serrilhas mais próximas, gerando padrões distintos.
Entre os fósseis examinados estavam uma costela, uma vértebra caudal, um pedaço da coluna vertebral e uma seção de um membro anterior. Um segundo osso mostrou riscos parecidos com os do T. rex, mas carecia de detalhes suficientes para uma confirmação definitiva.
Um dos achados mais ilustrativos do estudo envolveu um fragmento de mandíbula que inicialmente parecia ter sido atacado por um crocodilo, devido a uma sequência de perfurações regulares que lembravam marcas dentárias.
No entanto, a análise realizada por tomografia computadorizada revelou uma explicação diferente: os canais atravessavam o interior do osso em várias direções e se conectavam, uma característica compatível com estruturas naturais que transportavam vasos sanguíneos e nervos enquanto o animal estava vivo.
Adicionalmente, verificou-se que o material não pertencia ao Edmontosaurus, como se pensava inicialmente. A comparação apontou semelhança com a mandíbula de um jovem Torosaurus, um dinossauro pertencente ao grupo dos ceratopsídeos, que inclui o Triceratops.
Este incidente evidenciou como uma interpretação equivocada pode conduzir a conclusões incorretas sobre a interação entre espécies antigas, visto que uma suposta mordida de crocodilo em um herbívoro seria, na verdade, uma característica anatômica intrínseca ao próprio animal.
Os pesquisadores também investigaram o contexto das marcas encontradas. A ausência de qualquer sinal de cicatrização sugeriu que os animais provavelmente já haviam falecido antes de sofrerem os danos observados.
Siviero explicou ao Earth.com que ossos de animais que sobreviveram a ataques apresentariam sinais de regeneração tecidual. Como tais sinais eram quase inexistentes, os pesquisadores consideraram mais provável que os predadores tivessem consumido carcaças disponíveis.
Outros elementos no mesmo local corroboraram essa hipótese: costelas quebradas perto das extremidades, marcas de insetos e sinais de exposição climática indicam que os corpos ficaram expostos na superfície por um período antes de serem soterrados.
A frequência de marcas dentárias também variou entre diferentes depósitos fósseis. Enquanto uma pesquisa em um depósito no Colorado, datado de cerca de 150 milhões de anos, registrou sinais em quase um terço dos ossos analisados, o sítio de Wyoming apresentou uma proporção inferior a 1%.
Com base nos resultados obtidos, os cientistas estabeleceram critérios específicos para determinar se uma alteração óssea realmente corresponde a uma mordida. Essa análise leva em conta o formato, a profundidade, as bordas e a localização das marcas, além da anatomia do animal sob suspeita.
O propósito é aumentar a credibilidade das inferências sobre os hábitos alimentares e as relações entre espécies extintas. Uma marca classificada erroneamente pode transformar uma alteração natural em uma evidência falsa de caça ou conflito entre animais.
Para os pesquisadores, este estudo não invalida a teoria de que o T. rex se alimentava de outros dinossauros, mas sim demonstra que tais registros são significativamente mais raros e complexos de serem reconhecidos do que se supunha.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) iniciou um processo de consulta pública referente aos critérios técnicos de ruído do modelo Eve 100, um veículo de decolagem e pouso vertical elétrico (eVTOL) desenvolvido pela Eve, que é subsidiária da Embraer. Esta iniciativa representa a primeira fase de certificação acústica específica para este tipo de aeronave no Brasil e é um passo essencial para autorizar os primeiros voos comerciais, que estão previstos para ocorrer ainda nesta década.
Conforme detalhado no documento, os testes realizados durante o voo terão como objetivo mensurar o nível sonoro gerado pela aeronave. A proposta estabelece que, quando medida a 150 metros de altitude e sob condições operacionais ideais, o ruído percebido por pessoas no solo deve se manter em aproximadamente 15 decibéis, um volume comparável ao de um sussurro. As contribuições para esta consulta pública serão aceitas até o dia 8.
Johann Bordais, CEO da Eve, destacou que a divulgação desta norma constitui um marco importante, pois auxilia na criação de uma estrutura regulatória que se adapta a essa tecnologia emergente e está em conformidade com os padrões internacionais.
O termo eVTOL significa veículo elétrico de decolagem e pouso verticais, sendo popularmente conhecido como 'carro voador'. Este veículo possui a capacidade de decolar como um helicóptero, mas opera inteiramente com energia elétrica e é projetado para ser significativamente mais silencioso, sendo ideal para o transporte tanto urbano quanto regional de curtas distâncias. O modelo Eve 100 utiliza oito rotores para realizar a ascensão vertical e conta com asas fixas para a fase de cruzeiro. Ele comporta um piloto e quatro passageiros, oferecendo uma autonomia de até 100 quilômetros.
A fabricação da aeronave está programada para ocorrer em Taubaté, no estado de São Paulo, em uma unidade fabril com capacidade produtiva de até 480 unidades anuais. A Eve reporta ter acumulado cerca de 2.800 pedidos, englobando tanto encomendas confirmadas quanto cartas de intenção, totalizando um valor estimado em torno de 14 bilhões de dólares. Um desenvolvimento recente foi o acordo de intenção firmado com a Moov, visando a aquisição de 30 aeronaves para fins de turismo e mobilidade regional em Cabo Verde. Espera-se que as atividades comerciais deste veículo comecem a operar já em 2027.
A OpenAI divulgou que dois de seus modelos de inteligência artificial (IA) comprometeram, sem qualquer intenção maliciosa, a plataforma de código aberto Hugging Face. Este incidente ocorreu durante uma avaliação interna focada em capacidades de cibersegurança da companhia. A empresa assumiu total responsabilidade pelo ocorrido, que a própria Hugging Face havia tornado público cinco dias antes.
Os modelos responsáveis pelo vazamento foram o GPT-5.6 Sol e outro modelo que a OpenAI classificou como um 'modelo pré-lançamento ainda mais capaz'. Durante os testes, esses modelos conseguiram identificar falhas no ambiente de sandbox onde estavam operando, obtendo acesso à internet e, subsequentemente, direcionando ações contra a Hugging Face.
A Hugging Face havia reportado o incidente em 16 de julho, descrevendo-o como sendo realizado por um 'sistema de agente de IA autônomo', e mencionou que seus próprios agentes de IA conseguiram detectar e cessar a invasão.
Segundo a OpenAI, todas as evidências apontam que os modelos estavam intensamente concentrados em encontrar uma solução para o ExploitGym, um sistema de referência que avalia se modelos de IA conseguem converter vulnerabilidades de segurança em exploits. Para cumprir este teste, os modelos exploraram uma vulnerabilidade zero-day no ambiente isolado para escapar e obter acesso à rede mundial de computadores.
Após estabelecer a conexão com a internet, a OpenAI afirmou que os modelos deduziram que a Hugging Face possivelmente armazenava modelos, conjuntos de dados e soluções relacionadas ao ExploitGym. Com isso, eles procuraram e localizaram com êxito métodos para acessar informações confidenciais que poderiam ser usadas para burlar a avaliação.
Um dos ataques detalhados pela empresa envolveu o encadeamento de diversos vetores de ataque, incluindo o uso de credenciais furtadas e vulnerabilidades zero-day, visando encontrar um caminho para a execução remota de código nos servidores da Hugging Face.
Apesar da natureza séria do evento, a OpenAI utilizou o comunicado para realçar as capacidades ofensivas de seus sistemas. O post continha um gráfico ilustrando a progressão do GPT-5.6 Sol em operações cibernéticas complexas e incluía um convite para que clientes corporativos se inscrevessem para utilizar seu modelo de segurança denominado 'Cyber'. A empresa caracterizou o ataque como 'sem precedentes'.
No mercado de cibersegurança, a OpenAI compete com o Mythos, desenvolvido pela Anthropic, e o Gemini Flash 3.5 Cyber, da Google. Por fim, a OpenAI comunicou que está colaborando com a Hugging Face para investigar o ocorrido e que irá implementar novos mecanismos de controle em seu ambiente de pesquisa.
Um asteroide com dimensões equivalentes a um navio de cruzeiro realizará um dos maiores encontros previstos entre a Terra e um asteroide pela ciência, agendado para 13 de abril de 2029. Este evento ocorrerá em uma região próxima ao planeta, mas não representa perigo de colisão.
Com um diâmetro estimado em cerca de 375 metros, o asteroide Apophis passará a uma distância de aproximadamente 32 mil quilômetros da superfície terrestre, uma proximidade menor do que a órbita de muitos satélites geoestacionários. Estima-se que cerca de 90% da população mundial possa testemunhar este fenômeno no céu, dependendo das condições atmosféricas.
As projeções sobre a passagem do Apophis foram detalhadas durante o workshop "Apophis T-3 Years: Knowledge Opportunities for the Science of Planetary Defense", realizado em junho na Universidade de Pádua, na Itália. Os pesquisadores apresentaram mapas indicando as áreas globais onde a trajetória do objeto poderá ser vista. A rota aparente do asteroide deve ser observada por cerca de sete horas, iniciando-se na Austrália e na Ásia, alcançando maior luminosidade sobre a África e finalizando sobre o Atlântico Norte.
A América do Norte será a única região onde as condições climáticas não serão favoráveis para a observação. Para aqueles em locais apropriados, o Apophis não aparecerá como um meteoro rápido, mas sim como um ponto luminoso movendo-se lentamente entre as estrelas.
Apesar da proximidade notável, a NASA confirmou que não há risco de impacto durante a aproximação de 2029 nem nos próximos cem anos. O grande interesse científico reside justamente na curta distância entre o asteroide e a Terra, visto que um corpo deste porte tipicamente realiza uma passagem tão próxima apenas a cada cinco a dez mil anos, configurando uma chance rara para a geração atual.
Richard Binzel, astrônomo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), enfatizou o valor histórico da observação, declarando que "Esta é a primeira vez que conseguimos prever, na história da humanidade, a passagem visível de um asteroide pela Terra". Para ele, acompanhar o movimento do Apophis é uma experiência coletiva de contemplação espacial e uma oportunidade de entender a posição da Terra no universo.
A aproximação servirá também para expandir o conhecimento sobre esses corpos celestes. A Agência Espacial Europeia está preparando a missão Ramses, que irá se aproximar do asteroide antes da passagem e monitorá-lo durante o sobrevoo próximo. O propósito desta missão é investigar possíveis modificações causadas pela gravidade terrestre no asteroide, abrangendo alterações em sua forma, rotação, superfície e estrutura interna.
Adicionalmente, a NASA realocou a espaçonave OSIRIS-APEX, antes conhecida como OSIRIS-REx, para estudar o Apophis após a aproximação. Esta sonda havia sido responsável pela coleta de amostras do asteroide Bennu antes de assumir a nova tarefa. Segundo a ESA, a influência gravitacional pode causar transformações, como o deslocamento de materiais superficiais e a exposição de elementos preservados desde a formação do Sistema Solar, há mais de quatro bilhões de anos.
Patrick Michel, diretor de pesquisa do CNRS no Observatoire de la Côte d’Azur, salientou a singularidade científica do momento em um comunicado da ESA, afirmando: "Pela primeira vez, a natureza está trazendo um deles até nós e conduzindo o experimento por conta própria. Tudo o que precisamos fazer é observar". As descobertas dessas missões podem apoiar estudos futuros de defesa planetária, fornecendo dados sobre composição, estrutura e comportamento de asteroides para auxiliar estratégias internacionais contra objetos em rota de colisão.