Fatih Birol comentou que, apesar da deterioração da situação no Estreito de Ormuz, existem fatores que mitigam os riscos, como os grandes esforços realizados pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos para garantir o fornecimento de petróleo através de rotas alternativas ao estreito.
Contribuições de outros produtores
Além disso, o aumento das exportações de outros produtores, notavelmente os Estados Unidos, Brasil, Venezuela e Cazaquistão, juntamente com os esforços da China para diminuir suas importações, ajudam a estabilizar o cenário. Birol observou que a China desempenhou um papel significativo na estabilização dos mercados, conseguindo reduzir suas importações de petróleo bruto em aproximadamente 50% em comparação com o período anterior à guerra.
Reserva estratégica e demanda
Cerca de 30 países membros da organização haviam anunciado em março a liberação de 400 milhões de barris para amenizar a crise causada pelo conflito no Oriente Médio. Esta liberação de reservas estratégicas em março foi a sexta e a maior na história da AIE. A organização reforçou que a reabertura do Estreito de Ormuz de forma 'total e incondicional' é crucial para prevenir uma maior degradação da segurança energética global.
Pressão nos mercados de derivados
Birol também destacou que a refinação não cresceu na mesma proporção que a entrega de petróleo bruto, o que implica que os mercados de produtos refinados, como diesel e gasolina, enfrentam maior pressão do que o mercado de petróleo bruto, refletindo-se nos preços atuais.
Mercado de gás natural e projeções
No setor de gás natural, outros produtores, especificamente os Estados Unidos e o Canadá, conseguiram suprir cerca de 70% da oferta que foi perdida. Contudo, possíveis atrasos na retomada das exportações do Golfo podem manter os mercados sob pressão por mais tempo, afetando todos os importadores, incluindo a Europa. Em seu relatório mensal mais recente sobre o mercado petrolífero, divulgado em 10 de julho, a AIE previu uma queda na demanda de um milhão de barris por dia em 2026, um valor inferior à estimativa de 1,1 milhão apresentada em junho.
Oferta mundial e cotações recentes
A organização notou que a oferta mundial se recuperou devido à retomada parcial do tráfego no Estreito de Ormuz, embora a produção permaneça consideravelmente abaixo dos níveis pré-guerra no Oriente Médio. Em junho, a AIE registrou uma oferta mundial de petróleo de 98,8 milhões de barris por dia e projeta uma média de 102,6 milhões de barris por dia para 2026, assumindo que novas hostilidades não ocorram. Na abertura das bolsas europeias do dia, o preço do petróleo Brent, referência na Europa para entrega em setembro, caiu 0,77% para 88,53 dólares, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos da América (EUA) para o mesmo mês, desceu 0,28% para 82,25 dólares.