O Jeep Renegade 1.8, um SUV compacto que foi um dos mais vendidos na categoria, ainda é considerado uma opção viável no mercado de usados, mesmo nas versões aspiradas que frequentemente recebem críticas negativas.
Histórico e Mercado do Renegade
Este veículo gera diversas opiniões, sendo frequentemente alvo de críticas sobre ser fraco, não suportar meio-fios ou sofrer com quebra-molas. Embora a crítica ao motor E.torQ seja recorrente, os dados de mercado demonstram que o Jeep Renegade, mesmo com motor 1.8 flex, conseguiu uma forte penetração no mercado.
O SUV começou sua trajetória em 2015, após ser apresentado no Salão de Genebra em 2014. Ele foi fabricado em Goiana (PE) e ofereceu desde o início uma variedade de motores, incluindo flex e turbodiesel. A Jeep lançou o Renegade no Brasil em março de 2015, competindo com modelos como Honda HR-V e Peugeot 2008.
Evolução e Desempenho
Após passar por uma reestilização em 2018 e lançar várias séries especiais, o modelo acumulou 500 mil unidades produzidas em sete anos, sendo que cerca de 90% dessas vendas foram do motor 1.8 flex. No momento em que atingiu esse marco, o Renegade descontinuou o motor 1.8 E.torQ aspirado e o 2.0 turbo, migrando para o 1.3 GSE turboflex em toda a linha.
Em termos de desempenho, o Renegade 1.8 flex oferece potências básicas para uso urbano, com 139/135 cv e 19,2/18,7 kgfm de torque a 3.750 rpm. Suas acelerações são consideradas honestas e seu comportamento previsível, sem foco esportivo, com o tempo de 0 a 100 km/h superior a 11 segundos.
Contudo, o conjunto mecânico apresenta desafios, pois o motor E.torQ é descrito como áspero e vibratório. O principal entrave é o câmbio automático da Aisin de seis marchas, que exibe hesitações entre a terceira e a quinta marcha, gerando interrupções na aceleração e prejudicando retomadas, levando alguns motoristas a preferirem o modo sequencial.
Consumo e Dinâmica do Veículo
A reputação de alto consumo é parcialmente justificada pelo design mais quadrado do carro, o que afeta o consumo, principalmente em estradas. De acordo com o ciclo do Inmetro (tabela 2019), o 1.8 flex apresenta eficiência moderada: 6,7 km/l em etanol na cidade e 8,1 km/l em estrada; com gasolina, atinge 9,5 km/l na cidade e 11,0 km/l na estrada.
Em contraste com o motor, a dinâmica do Renegade é elogiada. Apesar de ser alto e estreito, ele proporciona uma sensação de segurança. A suspensão independente nas quatro rodas é competente, mantendo o SUV estável em rodovias e firme em curvas. A direção é direta e eficiente, complementada pelos freios a disco presentes nas quatro rodas.
Conforto e Espaço Interno
Embora o espaço interno não seja o ponto forte do Renegade, a posição de dirigir é ergonômica e elevada. O banco traseiro é mais adequado para dois adultos. Um ponto positivo notável é o sistema de suspensão, que absorve bem irregularidades da pista, lidando adequadamente com quebra-molas e trechos sem pavimentação.
O acabamento interno também recebe destaque, apresentando superfícies macias e emborrachadas, materiais bem ajustados e um visual moderno. Já o porta-malas, com 320 litros nas versões antigas, sempre foi considerado pequeno para a categoria, embora tenha chegado a 385 litros na versão mais recente com estepe temporário, ainda limitando o transporte de malas grandes.
Sugestões de Versões e Manutenção
Para quem busca o melhor custo-benefício no modelo 1.8, sugere-se o Renegade Sport 1.8 2018/19 MT. Este modelo manual de cinco marchas permite extrair melhor o potencial do motor e geralmente possui um preço mais acessível no mercado de usados, variando entre R$ 72 mil e R$ 76 mil (Preço de Revendedor da KBB Brasil), além de contar com controles de estabilidade e tração, câmera de ré e central multimídia Uconnect de 5".
Alternativamente, o Night Eagle 1.8 AT 2017/18, baseado na Longitude, é recomendado para quem prefere o câmbio automático. Esta série especial custa entre R$ 75 mil e R$ 80 mil (KBB Brasil) e inclui itens como ar automático dual zone, monitoramento de pneus e central multimídia com GPS nativo.
Custos de Manutenção e Problemas Comuns
A manutenção do motor 1.8 é classificada como regular, e as peças são fáceis de encontrar. Os custos estimados incluem: jogo de pastilhas de freio dianteiro entre R$ 220 e R$ 330; jogo de velas de ignição entre R$ 300 e R$ 420; bomba de combustível entre R$ 780 e R$ 1.000; kit de troca de óleo (5 litros 5w30 + filtro) entre R$ 370 e R$ 490; amortecedor traseiro (par) entre R$ 630 e R$ 820; para-choque traseiro entre R$ 560 e R$ 800; e farol direito entre R$ 470 e R$ 650.
Os problemas mais relatados pelos proprietários envolvem falhas elétricas (como nos vidros, faróis de neblina e multimídia) e questões no câmbio automático, especialmente no trocador de calor, cujo reparo pode ser oneroso. Também são registrados vazamentos de fluidos de transmissão e de arrefecimento. É importante notar que a linha teve sete recalls ao longo dos anos, abrangendo software da central eletrônica, módulos de airbag, cabo do freio de estacionamento, relés e pinças traseiras, sendo crucial verificar o histórico de revisões.

