Missão Escola Pública denunciou que aos professores responsáveis pela classificação dos exames nacionais está sendo solicitado que atribuam notas a respostas incompletas, caso as folhas faltantes não sejam entregues antes do término do processo.
Problemas na Classificação dos Exames
Quatro dias antes da conclusão da classificação dos exames nacionais do ensino secundário, persistem relatos sobre a ausência de folhas de resposta e um aumento constante de itens a serem corrigidos. Cristina Mota, porta-voz da Missão Escola Pública, apontou uma nova denúncia de natureza «bastante grave».
Em fóruns utilizados pelos professores classificadores para esclarecer dúvidas sobre a correção das provas, os supervisores estariam instruindo os docentes a pontuar as respostas mesmo sem receber todas as páginas em falta. Em um desses fóruns, um supervisor informou: «Deve aguardar que lhe enviem a página em falta. Se isso não acontecer até ao fim do processo, deve classificar com os dados que tem».
Preocupações dos Docentes
A professora Cristina Mota esclareceu que essa orientação foi dada a um professor, mas possui caráter público e visa prevenir a repetição de dúvidas. Ela enfatizou que «a ausência de folhas de continuação é o problema mais relatado pelos professores», observando que enquanto alguns já receberam essas folhas, outros permanecem sem elas e são orientados a classificar com o material disponível se o prazo final for atingido sem a continuação.
A Missão Escola Pública registrou «vários casos reportados» em diversas disciplinas. Segundo Cristina Mota, o objetivo é garantir que «no dia 17 haja pautas afixadas a qualquer custo», embora ela tenha lamentado que «não duvido que tenhamos pautas, o problema será a qualidade do trabalho».
Sobrecarga de Trabalho e Incertezas
A Lusa questionou o Ministério da Educação sobre a situação, aguardando uma resposta. Outra questão levantada é o acúmulo de trabalho pouco antes da divulgação das notas. Cristina Mota revelou que o Júri Nacional de Exames, por meio dos agrupamentos, anunciou uma nova intervenção entre o dia atual e sábado para a distribuição de itens, alertando para a possibilidade de surgimento de mais materiais.
Essa dinâmica impede os docentes de planejar seu trabalho, pois eles não sabem se terão mais tarefas na segunda-feira, o que inviabiliza o tempo necessário para revisão e retificação das questões nos últimos dias. A MetaProf também continua a receber relatos de professores indicando que «os problemas não estão resolvidos».
Pedro Brito, porta-voz da plataforma de professores, mencionou que há muita incerteza, pois o fim de semana deveria ser de descanso, mas o ministério espera dois dias de trabalho intenso. As reclamações centrais incluem o aumento de itens para correção: «O professor recebe um lote de respostas para classificar e vai avaliando, quando termina esse processo recebe um novo lote».
A plataforma contabiliza 206 relatos de professores que relataram receber mais itens, resultando em um aumento médio de 114,9% nas respostas a serem corrigidas. Além disso, há relatos de «falhas graves da continuação das folhas de respostas». O ministro da Educação havia informado na quinta-feira que mais de 75% das provas já estavam corrigidas e demonstrou confiança na fixação das pautas no dia 17.