A Argentina se aproxima do tetracampeonato mundial de futebol, com especulações sobre uma vitória argentina contra a Espanha em 2026. No entanto, o foco deste artigo é apresentar os diversos automóveis que Diego Armando Maradona, conhecido como o maior jogador argentino de todos os tempos, possuía ao longo de sua vida, incluindo veículos que não eram estritamente carros.
O Caminhão Scania e a Imprensa
Um episódio marcante ocorreu durante a última fase de Maradona no Boca Juniors, em 1997. Para escapar do assédio constante da imprensa argentina, ele optou por usar um caminhão Scania 113H 360 Topline, que possuía 11 toneladas. Essa decisão foi motivada pela suspensão por doping sofrida na Copa de 1994, e ele solicitou o veículo ao seu empresário, Guillermo Coppola.
Ao chegar ao treino pilotando o imponente Scania azul-celeste, Maradona sorriu para os jornalistas perplexos, afirmando que seria difícil para eles tirarem declarações, pois ninguém alcançaria ele lá de cima. Para o público brasileiro, o modelo Scania 113 é uma figura lendária, e a visão do ídolo manobrando tal máquina no pátio do Boca Juniors em outubro de 1997 teve grande impacto cultural.
Detalhes Técnicos do Primeiro Veículo
O caminhão, oriundo da fábrica em San Martín, Argentina, era equipado com o motor DSC11, um seis-em-linha de 11 litros com turbo e intercooler, alimentado por uma bomba injetora mecânica Bosch. Essa configuração gerava 360 cv e 169 kgfm a 1.100 rpm, colocando o 113H no topo da cadeia de transporte sul-americana da época. A potência era controlada por uma transmissão manual de 10 marchas.
A versão Topline era crucial, pois proporcionava um teto alto que elevava o chão da cabine em mais de dois metros do solo, servindo como um drible geométrico contra os repórteres. Contudo, o início foi problemático: o Scania apresentou falha logo na frente do portão principal porque alguém colocou gasolina no tanque em vez de diesel. Este primeiro caminhão, com placa AZW765, sofreu problemas mecânicos. A empresa de rastreamento LoJack forneceu um segundo caminhão sueco, também um 360 Topline, na cor azul-clara, com placa AVP115.
Destino dos Caminhões e Coleção Automotiva
Os destinos dos veículos divergiram: o primeiro Scania (AZW765) foi modificado e pintado de preto para corridas, enquanto o segundo (AVP115), registrado em nome da “Diego Maradona Producciones”, permaneceu azul e trabalhou para a empresa de transportes Magnone até agosto de 2010, sendo posteriormente adquirido pelo empresário Juan Carlos Rodríguez. Após ficar parado em Ushuaia, o Scania azul foi restaurado e exibido no evento #DriftMode na Argentina.
Além do caminhão, Maradona acumulou uma vasta coleção de carros, variando de modelos econômicos a luxo britânico. Sua relação com os automóveis começou em 1980, aos 19 anos, quando comprou um Porsche 924 usado, que representava para ele a conquista pessoal. No mesmo ano, a torcida do Argentinos Juniors presenteou-o com um Mercedes-Benz 450 SLC 5.0, um cupê especial de homologação de rali com V8 de cinco litros e 237 cv.
Carros Antes do Estrelato Europeu
Pouco antes de se mudar para o Barcelona, em 24 de dezembro de 1982, Diego adquiriu um Fiat 128 CLS, seu primeiro carro zero-quilômetro, que simbolizava sua vida normal no bairro natal. Posteriormente, entre 1986 e 1987, ele foi proprietário de um Ford Sierra XR4 preto, que era conduzido por seu pai, Don Diego, em Buenos Aires.
Em 1987, após conquistar o título mundial com a Argentina e levar o Napoli ao título italiano, ele desejou uma Ferrari Testarossa, mas impôs a condição de que fosse preta. A casa de Maranello cedeu a exceção, entregando o bólido na cor Glasurit Nero Met 901/C. Mais tarde, ele buscou a Ferrari F40, também pedindo a cor preta, mas Enzo Ferrari insistiu que todas as F40 seriam vermelhas. Maradona aceitou, mas ficou insatisfeito com a falta de itens de conforto, como ar-condicionado e rádio, criticando o carro purista.
Declínio e Novas Aquisições
Em 1991, durante um período de controvérsias, Maradona foi preso em Buenos Aires por posse de cocaína. Dois meses depois, ele comprou um Renault Fuego GTA Max prata, que era o carro nacional mais rápido da época, com motor 2.2 de 123 cv. Em 1995, em sua volta triunfal ao Boca Juniors, ele comprou duas Ferrari F355 Spider vermelhas idênticas, cada uma equipada com motor V8 3.5 de 380 cv, para ter uma reserva na garagem. Uma dessas F355 foi posteriormente confiscada pelo Estado argentino.
Fase Final e Viagens Internacionais
Como técnico e dirigente, sua garagem refletiu sua personalidade excêntrica. Durante a Copa de 2010, ele utilizou dois Mini Cooper S em Buenos Aires. Ao se mudar para os Emirados Árabes Unidos para treinar o Al-Wasl, ele usufruiu de um esportivo híbrido BMW i8 e de um Rolls-Royce Ghost azul, movido por um V12 biturbo de 570 cv. Em 2018, ao ser vice-presidente honorário do Dynamo Brest, na Bielorrússia, recebeu um Overcomer Hunta, um veículo militar anfíbio gigante, como presente do Sohra Group. Após uma breve passagem pelo México, onde obteve um Chevrolet Camaro RS V6 de 335 cv, Maradona retornou à Argentina para seu último compromisso no Gimnasia de La Plata.