Enquanto muitas empresas na Índia criam novos veículos elétricos, elas competem pelo mesmo público — compradores abastados dispostos a adquirir uma scooter elétrica totalmente nova. Ashish Dokania decidiu contornar essa luta competitiva.
Enquanto muitas empresas na Índia criam novos veículos elétricos, elas competem pelo mesmo público — compradores abastados dispostos a adquirir uma scooter elétrica totalmente nova. Ashish Dokania decidiu contornar essa luta competitiva.
Ele observou que existem entre 250 e 300 milhões de veículos de duas rodas movidos a gasolina circulando nas estradas indianas. Essas scooters funcionam normalmente, e seus proprietários não planejam trocá-las. No entanto, cada uma delas representa um problema de poluição do ar e consumo de combustível que nenhum novo showroom de veículos elétricos pode resolver.
Portanto, Dokania fundou a Green Tiger Mobility para modernizar veículos já existentes.
O passado de Dokania não se assemelha ao currículo típico de um fundador de empresa automotiva. Ele passou anos no setor bancário e de financiamento de infraestrutura, liderando a divisão solar da Shapoorji Pallonji e fundando a Transtel Utilities, uma empresa especializada em redes no Reino Unido. Entre balanços financeiros e redes elétricas, ele encontrou uma ideia que a maioria dos engenheiros ignorou: talvez o caminho mais rápido para uma Índia mais limpa não seja criar carros novos, mas sim salvar os antigos.
A Green Tiger Mobility Private Limited foi oficialmente registrada em 27 de outubro de 2020, com Dokania e sua esposa, Swati Keshan Dokania, como fundadores. A sede da empresa está localizada em Bangalore. Sua mensagem inicial era extremamente simples e questionável: traga sua scooter a gasolina, e nós a transformaremos em um veículo elétrico.
Quando uma scooter é entregue ao centro de retrofit da Green Tiger em Bommanahalli, ela passa por um diagnóstico de 130 parâmetros, após o qual a equipe escolhe uma das três opções de conversão. A primeira opção é um híbrido bimodais, que permite ao motorista alternar entre os modos a gasolina e elétrico com o toque de um botão, eliminando assim o problema da 'ansiedade de autonomia' que afasta muitos indianos dos veículos elétricos. A segunda opção é uma conversão totalmente elétrica, operando com uma bateria que pode ser carregada em casa através de uma tomada padrão de 5 amperes. A terceira opção é destinada a entregadores que percorrem 100–150 km diariamente e inclui um sistema de baterias intercambiáveis, desenvolvido em parceria com a Indofast Energy — uma joint venture da Indian Oil e Sun Mobility, e Battery Smart, garantindo que uma bateria descarregada esteja sempre disponível para substituição rápida.
Como os componentes necessários não estavam disponíveis na Índia, a Green Tiger desenvolveu seus próprios sistemas de gerenciamento de bateria, unidades de controle do veículo e equipamentos telemáticos do zero. Essa propriedade intelectual agora é usada por cerca de outros 10 fabricantes de veículos elétricos. De acordo com a empresa, os veículos reformados percorreram um total de mais de 150 mil quilômetros nas estradas, um indicador real de durabilidade que muitas startups em estágios iniciais não conseguem alcançar.
A comprovação da confiabilidade da Green Tiger vai muito além de uma boa apresentação. A empresa possui seis patentes aprovadas, cobrindo sua tecnologia de retrofit e eletrônica de potência, e sua solução recebeu aprovação da ARAI — o mesmo órgão regulador que certifica veículos para OEMs indianos. Em 2022, a empresa recebeu o prêmio FICCI 'Inovação Mais Promissora', passou por incubação no NSRCEL, centro de startups do IIM Bangalore, e seu fundador foi incluído na lista EMobilityPlus Top 100 em mobilidade elétrica.
Em termos de financiamento, a Green Tiger atraiu cerca de US$ 1,95 milhão em capital de ações em cinco rodadas, e subsídios governamentais aumentaram o valor total para aproximadamente 210 milhões de rúpias. A rodada inicial de investimentos anjo e estrangeiros em janeiro de 2022 foi de 50 milhões de rúpias para desenvolvimento de tecnologia e obtenção de licenças. Em seguida, em 2023, foi realizada uma rodada de 110 milhões de rúpias, na qual investiram Bajaj Motors, bem como Faad Capital e Indus Capital. A conexão com a Bajaj Motors não se limita apenas à presença na lista de acionistas: Vikas Bajaj ocupa um assento no conselho de administração da Green Tiger como diretor nomeado, o que indica um envolvimento mais profundo.
Desde o início das operações em grande escala em agosto de 2024, a empresa realizou cerca de 600 retrofits, tem uma equipe de 20 a 24 pessoas e relatou uma receita de 46 milhões de rúpias no ano fiscal de 25, de acordo com a empresa. O reconhecimento atingiu o mais alto nível: na exposição Bharat Mobility Expo em 2024, o Primeiro-Ministro Narendra Modi parou especificamente no estande da Green Tiger para saber como funciona a tecnologia de retrofit i-Hybrid.
A Índia não carece de startups de veículos elétricos correndo atrás do futuro. O problema reside na falta de pessoas que cuidam do passado: centenas de milhões de veículos de duas rodas que já foram comprados e estão estacionados por todo o país. Dokania não tentou superar essa realidade com inovações. Ele criou um negócio sustentável, protegido por patentes, aprovação regulatória e apoio do conselho de administração da Bajaj Motors, em torno de algo óbvio, mas discreto, que todos os outros ignoraram.
Os veículos eletrificados estão disponíveis no mercado há quinze anos e representam uma alternativa vantajosa para quem percorre longas distâncias, embora ainda persistam diversos mitos sobre eles.
Os automóveis híbridos já fazem parte da realidade brasileira há mais de uma década e são frequentemente encontrados no mercado de seminovos. O primeiro exemplar deste tipo no país foi o Mercedes-Benz S400, lançado em 2010, enquanto o primeiro modelo de grande circulação foi o Toyota Prius, em 2013. Com o tempo decorrido, tornou-se possível avaliar como esses carros envelhecem e se a manutenção se torna complexa com o passar dos anos. Este artigo visa esclarecer as principais dúvidas acerca dos carros híbridos usados.
Existe a crença de que a manutenção de carros híbridos é mais custosa devido à presença de dois sistemas de propulsão. Contudo, na prática, essa afirmação não se sustenta, visto que o plano de manutenção é bastante semelhante ao de um veículo movido exclusivamente a combustão.
Tomando como exemplo o Toyota Corolla Hybrid, o único procedimento distinto em seu plano de manutenção é a substituição do filtro de ar da bateria, que deve ser realizada a cada 30 mil quilômetros ou três anos. Adicionalmente, a cada 40 mil quilômetros ou quatro anos, é necessário verificar o nível do líquido de arrefecimento da bateria e do fluido de transmissão, procedendo à troca se houver necessidade. O restante do cronograma de manutenção segue o padrão da versão puramente a combustão. No caso do Corolla e do Corolla Cross, o motor híbrido não utiliza injeção direta, eliminando a recomendação de usar um tanque de gasolina após rodar dez mil quilômetros utilizando apenas etanol.
Já no GWM Haval H6 híbrido plug-in, que dispõe de motores elétricos mais potentes e uma bateria maior, a revisão periódica também é simplificada. Os serviços extras incluem a troca do óleo do câmbio DHT e a substituição do líquido de arrefecimento do motor elétrico, ambos programados para ocorrerem a cada cinco anos ou 60 mil quilômetros. Nos modelos híbridos da Honda e da Ford, o plano de manutenção não sofre alterações em comparação com um modelo a combustão equivalente. A marca japonesa, especificamente, estabelece um intervalo maior para a troca do óleo de transmissão, sugerindo a cada 150 mil quilômetros ou seis anos.
Foi consultado o mecânico Ludovico Ballesteros, proprietário da Pitucha Centro Automotivo. Baseado em sua experiência, ele aponta que os veículos com maior número de relatos de falhas tendem a ser aqueles mais vendidos, por razões estatísticas. Ele ressalta que, até o momento, não identifica um modelo específico que apresente significativamente mais problemas que os demais. O risco mais considerável reside em carros que não receberam as revisões adequadas ou que foram submetidos a uma manutenção inadequada.
Um carro híbrido demanda menos esforço do motor a combustão, pois este opera com o suporte do sistema elétrico e pode permanecer desligado por longos períodos. Isso implica que a troca de óleo e de outras peças pode ser adiada? Para Ludovico Ballesteros, o plano de manutenção deve ser rigorosamente seguido, considerando também o fator tempo. Embora o motor sofra menos desgaste por ficar parado em certos momentos, o óleo precisa ser trocado dentro do prazo, pois o tempo afeta sua durabilidade.
Outro aspecto crucial para a longevidade do motor é mantê-lo operando dentro da faixa de temperatura ideal. O especialista explica que o gerenciamento eletrônico do veículo garante que o propulsor funcione dessa maneira, mesmo quando os sistemas híbridos estão em períodos de inatividade.
Um argumento frequente utilizado para criticar carros elétricos e híbridos usados é o custo elevado do conjunto de baterias. Embora a substituição total deste componente seja, de fato, cara, ela não é um evento comum. Atualmente, a indústria adota um padrão de oferecer oito anos de garantia para esta peça, um período que excede a garantia oferecida para o restante do veículo. O mecânico afirmou ainda não ter recebido carros híbridos em sua oficina com problemas na bateria.
Ele acrescentou que, na maioria dos casos que chegam ao seu local de trabalho, a falha não está na bateria de alta tensão, mas sim em outros componentes do próprio veículo. Em híbridos completos, a bateria é menor e menos exigida em comparação com um veículo totalmente elétrico ou um híbrido plug-in, pois ela nunca fica descarregada, sendo constantemente recarregada pelo motor ou pelo processo de regeneração.
A aquisição de um carro híbrido usado pode ser comparada à compra de um modelo a combustão. O que definirá se a escolha é acertada ou não é o estado geral de conservação e se as manutenções foram executadas corretamente. A sugestão é priorizar modelos que são mais populares no mercado, pois isso assegura uma manutenção mais acessível. Por serem mais econômicos, os híbridos são procurados por taxistas e motoristas de aplicativos.
Durante a inspeção, é importante verificar se há sinais de desgaste acentuado no assento traseiro e nas guarnições das portas, pois estes podem indicar uso profissional. Encontrar um bom híbrido usado pode resultar em economia significativa nos gastos com combustível.