Um novo estudo conseguiu decifrar o nome do primeiro astrônomo-matemático maia conhecido, Sak Tahn Waax, juntamente com uma complexa fórmula datada de 781 d.C.
Contexto da Civilização Maia
A sociedade maia iniciou seu desenvolvimento na Mesoamérica antes do nascimento de Cristo. Com o passar do tempo, ela evoluiu para uma vasta civilização que, em seu auge, abrigava milhões de indivíduos distribuídos pelo território que hoje compreende o México, Guatemala, El Salvador e outras nações. Devido a transformações sociais e à colonização espanhola, muitos aspectos dessa poderosa cultura foram obscurecidos, gerando mistérios, especialmente no que tange aos seus matemáticos e astrônomos.
Descoberta em Xultún
Embora existam registros de calendários, estudos de ciclos astronômicos e cálculos avançados maias, grande parte desse saber se perdeu historicamente, e os nomes desses gênios nunca haviam sido revelados até recentemente. Uma pesquisa recente, publicada na revista científica Antiquity, permitiu identificar o nome de um astrônomo-matemático maia do século VIII. Especialistas de universidades americanas focaram em uma pequena sala encontrada no sítio arqueológico de Xultún, uma antiga metrópole maia situada no norte da Guatemala, imersa na selva de Petén.
Análise das Inscrições
Xultún tem sido objeto de investigação desde a década de 1920, mas a sala específica só foi descoberta em 2010. Inicialmente, suas paredes exibiam manchas leves que poderiam ser confundidas com sujeira. Contudo, essas manchas eram, na verdade, gravuras desgastadas com conteúdo ainda não interpretado. Após serem negligenciadas, os pesquisadores revisitaram o local periodicamente.
Utilizando softwares para intensificar as cores das pinturas, os investigadores notaram que se tratava de onze glifos e aproximadamente cinquenta microtextos matemáticos (pequenas anotações contendo datas, números e cálculos). Após uma análise minuciosa que empregou desenhos, fotografias digitalmente aprimoradas e outras ferramentas, a equipe concluiu que se tratava de uma equação matemática. Esta fórmula, datada de 781 d.C., calculava o tempo necessário para que Marte e Vênus retornassem à mesma posição em relação ao Sol, completando seus respectivos ciclos. A inscrição consistia unicamente em símbolos e números matemáticos, sem texto.
Significado da Fórmula e Nome
David Stuart, um dos autores do estudo, explicou ao Science Alert que a matemática maia englobava uma compreensão única das relações e padrões entre diversos ciclos temporais, incluindo a contagem ritual de 260 dias, o ano solar e os ciclos de Vênus e Marte. Os pesquisadores especulam que essa fórmula poderia ter servido de alicerce para cálculos subsequentes da civilização maia, como os encontrados no célebre Códice de Dresden, produzido séculos mais tarde.
Além da fórmula, encontrava-se um nome: Sak Tahn Waax, que traduz-se como «Raposa de Peito Branco». É provável que este seja o crédito ou a assinatura do criador da fórmula. Os pesquisadores não podem confirmar se Sak Tahn Waax escreveu a fórmula diretamente na parede; uma possibilidade é que outra pessoa registrasse os cálculos e creditasse o autor, enquanto outra hipótese sugere que alguém escreveu a fórmula e Sak Tahn Waax reivindicou a autoria.
Ambiente de Trabalho Maia
Independentemente disso, os pesquisadores caracterizam o local como uma espécie de escritório de escribas reais, onde os astrônomos conduziam seus estudos. Posteriormente, os próprios maias cobriram a área com terra e pedras ao construir novas estruturas ao redor.