Sete localidades do Brasil concorrem ao título de melhores destinos rurais do mundo. Essas comunidades de seis estados disputam um selo que reconhece locais dedicados à preservação da cultura, natureza e tradições.
Critérios do concurso e participantes
Apesar do pequeno porte, esses sete destinos brasileiros possuem um patrimônio cultural significativo e uma natureza bem preservada. Eles foram selecionados para representar o país no evento de 2026 sob a égide do selo 'Melhores Vilas Turísticas do Mundo', iniciativa da UNWTO. O programa, lançado em 2021, avalia comunidades com população de até 15 mil habitantes, ligadas a atividades tradicionais como agricultura e pecuária, e também considera os aspectos de preservação do patrimônio natural e cultural.
Os destinos brasileiros competem com outras 261 localidades de diferentes países. Os resultados do concurso serão anunciados em dezembro durante uma cerimônia em Buenos Aires, Argentina.
Representação do Brasil no concurso
Araçá (Porto Belo, Santa Catarina)
Na zona costeira de Santa Catarina, a vila de Araçá tem pouco mais de mil habitantes. Esta comunidade está localizada em uma área de proteção ambiental e mantém forte ligação com o mar, especialmente através da pesca artesanal, que impacta a economia e a gastronomia local. O local também inclui a Área de Proteção Ambiental de Ponta do Araçá, que protege cerca de 140 hectares de ecossistemas costeiros. Os visitantes podem fazer passeios em embarcações tradicionais e percorrer trilhas costeiras. Araçá também preserva manifestações culturais, como o Festival de Santa Teresinha, reconhecido como patrimônio cultural imaterial de Porto Belo, além de tradições populares transmitidas de geração em geração, como bênçãos e rituais de cura realizados por benzedeiras. Araçá fica a 75 km ao norte de Florianópolis, na região de Porto Belo e Bombinhas.
Conselheiro Ibitipoca (Lima Duarte, Minas Gerais)
Localizada na Serra da Mantiqueira, Conselheiro Ibitipoca combina aventura e contemplação. Este pequeno povoado mineiro, com cerca de 1.100 habitantes, surgiu durante a febre do ouro e ainda preserva ruas de paralelepípedos, casas coloridas e construções que ajudam a contar parte da história da ocupação do centro do estado.
A 3 km da vila, encontra-se o Parque Estadual do Ibitipoca, cujas trilhas levam a cachoeiras, cavernas, piscinas naturais e mirantes, como Janela do Céu, um dos paisagens mais belas da região. O parque também é lar de espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção, incluindo o lobo-guará e o leopardo-pardal. Ibitipoca também abriga a Igreja Matriz, fundada em 1768, e a Igreja do Rosário, que remetem à tradição religiosa do centro de Minas Gerais.
Delphinópolis (Minas Gerais)
Graças a mais de 150 cachoeiras espalhadas por montanhas e vales, Delphinópolis ganhou fama como a 'terra das cachoeiras'. Mais próxima da Serra da Canastra, o município tornou-se um dos principais destinos naturais de Minas Gerais, unindo trilhas, cânions, rios de água cristalina e áreas protegidas do Cerrado. A cultura canastrense está presente em muitos aspectos do cotidiano de Delphinópolis, desde as tradicionais Folias de Minas até a produção do Queijo Artesanal da Canastra, reconhecido como patrimônio cultural. Entre os locais com cachoeiras, destaca-se o Complexo do Claro, que inclui cinco quedas d'água conectadas por uma trilha de aproximadamente 2,5 quilômetros.
Olambra (São Paulo)
Aproximadamente a duas horas da capital paulista, Olambra foi fundada por imigrantes holandeses e manteve a influência da Holanda na arquitetura, gastronomia e manifestações culturais. A cidade possui atrações muito coloridas, como o Jardim Botânico Blumen Park e Masena Flores. Conhecida como a Capital das Flores, ela é responsável por uma parcela significativa da produção e exportação de flores do Brasil. Os campos floridos permanecem sendo o principal cartão de visitas, mas não são o único atrativo. Fachadas inspiradas na arquitetura holandesa e o Moinho Povos Unidos, considerado o maior da América Latina, ajudam a formar o cenário.
Lençóis (Bahia)
Entre casarões coloniais e a natureza que parece cercar a cidade por todos os lados, Lençóis é um dos pontos de entrada mais tradicionais na Chapada Diamantina. O destino baiano une patrimônio histórico preservado e atrações criadas especificamente para os amantes do ecoturismo. O centro histórico, com ruas de paralelepípedos e casarões restaurados, conserva vestígios do período da mineração de diamantes no século XIX. De lá partem trilhas e passeios para atrações como a Cachoeira Sossego e Ribeirão do Meio. Outro ponto próximo é o Morro do Pai Inácio, localizado a 20 km de Lençóis e sendo um dos cartões-postais da Chapada Diamantina.
São José do Barreiro (São Paulo)
Em Vale do Paraíba, São José do Barreiro combina patrimônio histórico e natureza preservada. Com menos de quatro mil habitantes, a cidade faz parte da chamada História do Vale, região no leste de São Paulo que prosperou durante o ciclo do café e ainda mantém fazendas e construções datadas dos séculos XVIII e XIX. O município é um dos principais acessos ao Parque Nacional da Serra da Bocaina. De lá partem trilhas para cachoeiras, mirantes e picos com mais de dois mil metros de altitude. Destaca-se a Trilha Ouro, um percurso de 70 km que conecta São José do Barreiro à praia de Mambucaba, em Angra dos Reis, inspirado na rota utilizada para o transporte de ouro para a costa.
Vila Flores (Rio Grande do Sul)
Vila Flores constrói sua identidade turística na Serra Gaúcha com base no valor das tradições herdadas dos imigrantes italianos. A população do município é de cerca de 3,5 mil habitantes, e ali se unem turismo rural, gastronomia típica, artesanato e manifestações culturais presentes no cotidiano. O principal símbolo desse legado é o Filo Italiano, uma tradição que conferiu à cidade o título de Capital Estadual do Filo. Trazido pelos imigrantes italianos, este costume consiste em famílias e vizinhos se reunirem após o trabalho para conversar, cantar, rezar, contar histórias e compartilhar alimentos. Hoje, esse hábito permanece vivo no dia a dia de Vila Flores.