A IBM experimentou a maior desvalorização de suas ações em aproximadamente cinquenta e oito anos, após divulgar uma previsão de receita para o segundo trimestre que ficou aquém das expectativas do mercado financeiro.
Desempenho Financeiro Abaixo das Expectativas
De acordo com a própria IBM, o resultado preliminar do segundo trimestre atingiu US$ 17,2 bilhões (equivalente a R$ 87,5 bilhões), um valor inferior à projeção de US$ 17,9 bilhões (R$ 91 bilhões) estabelecida por analistas. A divisão de infraestrutura foi particularmente afetada, registrando uma redução de 7% nas vendas.
Após a divulgação desta prévia, os títulos da IBM caíram drasticamente, chegando a perder 26% em valor na Bolsa de Nova York, sendo negociados a US$ 215,67 (R$ 1.097,46). O fechamento subsequente registrou uma queda de 25%, configurando a maior desvalorização desde 1972, conforme noticiado pelo Financial Times. Além disso, a empresa sofreu uma perda de US$ 68 bilhões (R$ 346,1 bilhões) em valor de mercado, segundo dados da Elos Ayta.
Impacto da Escassez de Semicondutores
A IBM atribuiu seu desempenho à alteração no padrão de investimento de seus clientes. A expansão acelerada dos centros de dados focados em Inteligência Artificial (IA) gerou uma grave carência de semicondutores, especialmente chips de memória. Este cenário elevou os custos de vários dispositivos eletrônicos, desde iPads até consoles Xbox.
Como consequência, os clientes passaram a priorizar a aquisição de servidores, armazenamento e chips, diminuindo os recursos alocados em tecnologias como mainframes e softwares fornecidos pela IBM. O analista Anurag Rana comentou à Bloomberg que os gastos com tecnologia da informação estão deteriorando, e isso deve ser um tópico central nas divulgações de resultados das empresas de software.
Reconhecimento de Falhas Operacionais
Arvind Krishna, presidente-executivo da IBM, admitiu que a companhia já previa desafios na cadeia de suprimentos global, mas não antecipou que os clientes redirecionariam significativamente seus investimentos para servidores e memória como medida de proteção contra futuros aumentos de preços. Krishna declarou em uma carta aos investidores que a situação foi mais grave do que o esperado.
O executivo apontou que os maiores impactos recaíram sobre os mainframes da linha Z e os softwares associados. Ele lamentou que a equipe não tenha conseguido executar tudo com perfeição naquele trimestre, afirmando: «Não nos adaptamos nem reagimos com rapidez suficiente e diversos grandes contratos não foram concluídos dentro dos prazos que esperávamos».
Desafios na Estratégia de Transformação
A retração nas vendas de hardware adiciona um novo obstáculo à meta da IBM de se estabelecer como uma empresa de software de rápido crescimento. A companhia realizou aquisições importantes, como Red Hat, HashiCorp e Confluent, como parte dessa reestruturação. Contudo, esse reposicionamento intensificou a apreensão dos investidores quanto à possibilidade de ferramentas de IA substituírem parte dos produtos de software da empresa.
Em fevereiro, as ações da IBM já haviam caído acentuadamente após a startup de IA Anthropic lançar uma ferramenta capaz de modernizar uma linguagem de programação antiga usada nos mainframes da corporação.
Queda no Lucro e Influência da IA
Além da receita abaixo do previsto, a IBM reportou uma diminuição preliminar de 2% no lucro diluído por ação, que ficou em US$ 2,27 (R$ 11,55). A empresa continua integrando recursos de IA em seus produtos e expandindo sua oferta de tecnologias avançadas para tentar convencer os investidores de que a IA fortalecerá, e não substituirá, seus negócios.
Executivos da IBM ressaltaram que projetos relacionados à IA continuam impulsionando a procura por seu software de infraestrutura. Segundo Arvind Krishna, os clientes também estavam preocupados com questões de cibersegurança em rápida evolução. O modelo Mythos, desenvolvido pela Anthropic, causou apreensão em governos e empresas globais no início do ano devido à sua capacidade de detectar vulnerabilidades exploráveis por agentes maliciosos.