O crescente boom das compras online na África é sustentado por intermediários que ajudam os compradores a adquirir produtos de grandes marcas globais, como Amazon e Walmart, apesar da ausência dessas empresas na maior parte do continente.
O crescente boom das compras online na África é sustentado por intermediários que ajudam os compradores a adquirir produtos de grandes marcas globais, como Amazon e Walmart, apesar da ausência dessas empresas na maior parte do continente.
Empresas locais e estrangeiras de envio de encomendas desempenham um papel fundamental neste processo, utilizando soluções tecnológicas e a crescente penetração da internet para contornar dificuldades. Entre esses problemas estão a falta de endereços postais formais e a inacessibilidade de serviços bancários tradicionais para muitos consumidores.
Um exemplo de tal serviço é a startup senegalesa Afrety. Ela permite que compradores africanos encomendem produtos dos EUA, Europa e China e os recebam diretamente no endereço. O serviço Afrety fornece aos compradores endereços de armazéns na China, EUA e França. Em seguida, vários pedidos podem ser combinados e embalados para envio para a África Ocidental. Os impostos alfandegários são pagos na chegada, gerando receita para os governos locais.
Clientes sem cartões bancários podem efetuar pagamentos através de dinheiro móvel, que pode ser carregado em quiosques. O dinheiro móvel é amplamente utilizado no Senegal e em outras partes da África em vez de sistemas bancários tradicionais. Assim que os pacotes chegam ao Senegal, eles são entregues nas grandes cidades, como Dakar, usando motocicletas e vans, com navegação GPS.
Souane Diop, CEO de 34 anos da Afrety, enfatizou a necessidade de alta flexibilidade na operação da empresa. A Afrety foi fundada em 2018 com o objetivo de conectar redes informais de viajantes entre França e Senegal. A empresa cresceu significativamente: semanalmente, processa de quatro a cinco toneladas métricas de carga aérea e de dois a três contentores marítimos. Para manter custos baixos, a Afrety aluga um armazém na França e colabora com parceiros nos EUA e na China para processar o comércio nesses países.
Um grande concorrente da Afrety é a empresa logística global Aramex, que opera duas plataformas com serviços sobrepostos. Enquanto a Afrety se desenvolveu graças às fortes ligações entre Senegal e a antiga potência colonial França, que possui uma grande diáspora senegalesa, a Aramex apoia-se no MyUS nos países da África Austral. A Aramex adquiriu o MyUS em 2022 e também lançou sua própria plataforma Shop and Ship, que atende a muitos países do continente.
Amadou Diallo, CEO da Aramex Group, afirmou que a empresa visa satisfazer as necessidades dos clientes africanos que desejam ter acesso a marcas e escolhas que de outra forma lhes seriam inacessíveis. Angola é um dos principais focos de atuação da Aramex, mas a empresa também opera em regiões complexas, como Somália, que sofre de guerra há décadas. A Aramex considera os países da África Austral como uma das regiões de crescimento mais rápido, e os bens mais procurados são eletrônicos, vestuário, brinquedos e equipamentos agrícolas com peças de automóveis. A empresa planeja dobrar a receita de entrega desses e outros bens até 2030.
No entanto, existem limitações para o crescimento. Tanto para a Aramex quanto para a Afrety, os clientes residem principalmente em grandes cidades, onde a riqueza relativa está concentrada. De acordo com a consultoria Tech Cabal Insights, o comércio eletrônico na África depende em grande parte dos centros econômicos. A penetração da internet atingiu cerca de 43% dos 1,5 bilhão de habitantes da África, mas apenas uma pequena parcela da população tem renda suficiente para compras online. Mesmo na Nigéria, uma potência econômica da África Ocidental, apenas um em três usuários de internet faz compras online. Em regiões mais pobres, como a África Central, cerca de um em vinte pessoas utiliza compras online.
A África do Sul, com a economia mais rica da África Austral, domina o uso da internet no continente e se destaca entre os países africanos pelo nível de compras online. De acordo com dados do Mastercard, o volume de varejo online na África do Sul aumentou quase 35% anualmente nos últimos cinco anos, atingindo cerca de 140 bilhões de randos em 2025. Esse crescimento atraiu grandes marcas que começaram suas operações na África Austral. Por exemplo, a Amazon lançou seu primeiro marketplace na África do Sul em 2024, competindo com o gigante local de e-commerce Takealot. No ano passado, as primeiras lojas da marca Walmart foram abertas em Joanesburgo, África.
Quando questionados, nem a Amazon nem a Walmart comentaram se consideram expandir para outras partes da África Austral, nem responderam a pedidos de dados de vendas aos intermediários.
Embora os gigantes do comércio online permaneçam ausentes na maior parte da África, os intermediários enfrentam outra concorrência. A empresa de varejo nigeriana Jumia, frequentemente chamada de 'Amazon da África', opera em oito países da África Austral, oferecendo bens de consumo — de moda a eletrônicos e eletrodomésticos. Embora a empresa ainda não tenha obtido lucros, espera alcançar o ponto de equilíbrio este ano.
Francis Dufé, CEO da Jumia, relatou que a empresa está enfrentando concorrência de gigantes varejistas chineses, como Temu e Shein, adaptando seus serviços para cada país, incluindo a abertura de centros de assistência locais e pontos de retirada em áreas rurais. Os líderes da Jumia e da Aramex observaram que a Nigéria é um dos mercados de comércio eletrônico africano com maior potencial. O governo nigeriano não publica dados regulares sobre comércio eletrônico, mas citou dados da ONU que estimam o volume total em US$ 75 bilhões até 2025. A Aramex abriu um armazém na Nigéria em abril deste ano. Dufé acrescentou que o negócio na Nigéria cresceu cerca de 50% no último trimestre de 2025, observando que o mercado 'ainda está muito inexplorado e estamos apenas começando nossa transformação na Nigéria'.