As entidades que representam fabricantes e distribuidores elevaram suas expectativas de vendas para 2026, projetando que a comercialização de veículos pesados, automóveis e comerciais leves voltará a exceder a marca de 3 milhões de unidades.
Essas revisões de projeção foram significativamente apoiadas pelos programas de incentivo financeiro oferecidos pelo Governo Federal, como o Carro Sustentável e o Move Brasil. Inicialmente, a Anfavea previa um crescimento modesto de 2,7% para veículos leves e pesados, mas ajustou essa meta para 12,1%, totalizando 3,014 milhões de unidades.
Já a Fenabrave, que possui um histórico de maior precisão em suas previsões recentes, havia antecipado um aumento de 3% em 2026, mas revisou este mês para um avanço de 7,9%, correspondendo a 2,902 milhões de unidades.
Apesar do otimismo apresentado, é crucial analisar a sustentabilidade desses resultados. Em 2012, o país registrou a venda de 3,8 milhões de unidades, mas os números começaram a declinar no ano subsequente e caíram ao longo dos períodos seguintes. O Brasil ainda apresenta um índice de motorização relativamente baixo, com 4,6 habitantes por veículo, uma proporção inferior à observada na Argentina e no México, que estão em torno de 3 por habitante, indicando potencial de crescimento.
No ano anterior, a frota circulante brasileira ultrapassou pela primeira vez os 50 milhões de veículos. Contudo, o nível de produção, fator essencial para a manutenção de empregos, mostra sinais preocupantes. No primeiro semestre deste ano, por exemplo, houve uma importação de 63.000 unidades acima do volume exportado.
A Anfavea optou por não recorrer judicialmente contra a decisão do Gecex, que autorizou a liberação de uma cota de importação de unidades SKD e CKD (semi ou totalmente desmontadas) sem a devida tarifa por seis meses, devido à longa duração do processo. No entanto, a entidade planeja solicitar futuras reuniões com antecedência e espaço para o contraditório.
Em relação à composição das vendas acumuladas de automóveis e comerciais leves em 2026, os dados percentuais mostram: gasolina em 2,9%; diesel em 9,4%; elétricos em 6,7%; híbridos em 5,8%; híbridos plugáveis em 5,6%; e flex em 69,7%. Embora os veículos elétricos continuem em ascensão, sua participação permanece restrita. Estatísticas da Fenabrave indicaram um aumento de apenas 0,8% nas vendas de elétricos em junho comparado a maio, mas no primeiro semestre do ano, esse crescimento atingiu 196,2%, um dado distorcido por volumes ainda insuficientes.
A Jeep introduzirá o novo modelo Avenger em uma faixa de preço inferior ao Renegade, complementando a produção da fábrica estabelecida pela PSA há 25 anos. Após a transferência dos modelos Peugeot 208 e 2008 para as instalações industriais de El Palomar, na Grande Buenos Aires, no final de 2023, a unidade fluminense operava provavelmente abaixo de seu ponto de equilíbrio financeiro.
O SUV compacto Avenger foi exibido em um evento na linha de montagem em Porto Real, cidade com 20.000 habitantes, e seu lançamento está previsto para breve, possivelmente até o final de agosto, sem confirmação da Stellantis. Um investimento total de R$ 3 bilhões está programado até 2030 para modernizar o complexo industrial, que já conta com 13 fornecedores. Com a segunda fase de produção, foram contratados 800 funcionários diretamente e mais 450 em empresas localizadas na área da fábrica e arredores.
Este novo SUV foi lançado na Europa no início de 2023, com produção na Polônia, e recebeu o título de Carro do Ano. Ele receberá uma atualização estética já integrada ao modelo brasileiro. Haverá quatro versões disponíveis, todas equipadas com sistema semi-híbrido de 12 volts e devem se adequar ao programa Carro Sustentável. A Jeep não divulgou detalhes sobre o conjunto motriz, mas há indícios de que será o de 1 litro turbo flex, com potência redefinida para 116 cv.
Um recurso tecnológico destacado pela marca é o assistente de voz integrado com ChatGPT, em colaboração com a OpenAI. Assim, o Avenger expandirá as opções de interação interna. Hugo Domingues, executivo principal da Jeep para a América do Sul, afirmou que a intenção é «levar I.A. (Inteligência Artificial) para a rotina dos ocupantes, o que tornará a experiência intuitiva, conectada e alinhada às novas demandas de mobilidade».
Os projetos polêmicos de produção dos híbridos flex Lecar 459 e da picape Campo enfrentaram desdobramentos esperados após o Ministério Público Federal iniciar investigações sobre o programa Compra Programada. O proprietário da empresa, Flávio Assis, comunicou ao portal CNN Brasil Auto que atendeu aproximadamente 90% dos clientes que solicitaram o cancelamento. No entanto, ele mencionou que os projetos permanecem «em parceria com a Horse Powertrain e a WEG», o que sugere um acordo mútuo em vez de meras encomendas com garantias prévias. Essas duas companhias não emitiram declarações.
Ainda assim, Assis mantém ambições elevadas. Ele revelou ao portal que fechou a produção de um hatchback compacto elétrico de cinco lugares, de origem chinesa, sem especificar a marca. Ele declarou que, após contatar as dez maiores fabricantes da China, estaria em Xangai em setembro e, se tudo correr bem, iniciaria as vendas de lá. Anteriormente, ele havia negociado com a Dongfeng, sem sucesso.
Assis admitiu, com franqueza, ter ouvido da Dongfeng, que está em processo de iniciar vendas no Brasil no próximo mês sob a designação DFM, a frase pouco diplomática: «Se nem seu povo acredita em você, por que nós deveríamos? Foi duro ouvir isso, mas aconteceu». Ele ponderou que resistir às adversidades pode ser um aspecto positivo em negociações. O novo planejamento inclui a importação de carros prontos da China, seguida pela produção a partir de kits SKD (semidesmontados) e CKD (completamente desmontados) na futura fábrica de Sooretama, no Espírito Santo. Caso tudo se concretize, a unidade capixaba poderá aumentar seu conteúdo nacional para modelos híbridos e elétricos até 2030.