Os veículos eletrificados estão disponíveis no mercado há quinze anos e representam uma alternativa vantajosa para quem percorre longas distâncias, embora ainda persistam diversos mitos sobre eles.
Os veículos eletrificados estão disponíveis no mercado há quinze anos e representam uma alternativa vantajosa para quem percorre longas distâncias, embora ainda persistam diversos mitos sobre eles.
Os automóveis híbridos já fazem parte da realidade brasileira há mais de uma década e são frequentemente encontrados no mercado de seminovos. O primeiro exemplar deste tipo no país foi o Mercedes-Benz S400, lançado em 2010, enquanto o primeiro modelo de grande circulação foi o Toyota Prius, em 2013. Com o tempo decorrido, tornou-se possível avaliar como esses carros envelhecem e se a manutenção se torna complexa com o passar dos anos. Este artigo visa esclarecer as principais dúvidas acerca dos carros híbridos usados.
Existe a crença de que a manutenção de carros híbridos é mais custosa devido à presença de dois sistemas de propulsão. Contudo, na prática, essa afirmação não se sustenta, visto que o plano de manutenção é bastante semelhante ao de um veículo movido exclusivamente a combustão.
Tomando como exemplo o Toyota Corolla Hybrid, o único procedimento distinto em seu plano de manutenção é a substituição do filtro de ar da bateria, que deve ser realizada a cada 30 mil quilômetros ou três anos. Adicionalmente, a cada 40 mil quilômetros ou quatro anos, é necessário verificar o nível do líquido de arrefecimento da bateria e do fluido de transmissão, procedendo à troca se houver necessidade. O restante do cronograma de manutenção segue o padrão da versão puramente a combustão. No caso do Corolla e do Corolla Cross, o motor híbrido não utiliza injeção direta, eliminando a recomendação de usar um tanque de gasolina após rodar dez mil quilômetros utilizando apenas etanol.
Já no GWM Haval H6 híbrido plug-in, que dispõe de motores elétricos mais potentes e uma bateria maior, a revisão periódica também é simplificada. Os serviços extras incluem a troca do óleo do câmbio DHT e a substituição do líquido de arrefecimento do motor elétrico, ambos programados para ocorrerem a cada cinco anos ou 60 mil quilômetros. Nos modelos híbridos da Honda e da Ford, o plano de manutenção não sofre alterações em comparação com um modelo a combustão equivalente. A marca japonesa, especificamente, estabelece um intervalo maior para a troca do óleo de transmissão, sugerindo a cada 150 mil quilômetros ou seis anos.
Foi consultado o mecânico Ludovico Ballesteros, proprietário da Pitucha Centro Automotivo. Baseado em sua experiência, ele aponta que os veículos com maior número de relatos de falhas tendem a ser aqueles mais vendidos, por razões estatísticas. Ele ressalta que, até o momento, não identifica um modelo específico que apresente significativamente mais problemas que os demais. O risco mais considerável reside em carros que não receberam as revisões adequadas ou que foram submetidos a uma manutenção inadequada.
Um carro híbrido demanda menos esforço do motor a combustão, pois este opera com o suporte do sistema elétrico e pode permanecer desligado por longos períodos. Isso implica que a troca de óleo e de outras peças pode ser adiada? Para Ludovico Ballesteros, o plano de manutenção deve ser rigorosamente seguido, considerando também o fator tempo. Embora o motor sofra menos desgaste por ficar parado em certos momentos, o óleo precisa ser trocado dentro do prazo, pois o tempo afeta sua durabilidade.
Outro aspecto crucial para a longevidade do motor é mantê-lo operando dentro da faixa de temperatura ideal. O especialista explica que o gerenciamento eletrônico do veículo garante que o propulsor funcione dessa maneira, mesmo quando os sistemas híbridos estão em períodos de inatividade.
Um argumento frequente utilizado para criticar carros elétricos e híbridos usados é o custo elevado do conjunto de baterias. Embora a substituição total deste componente seja, de fato, cara, ela não é um evento comum. Atualmente, a indústria adota um padrão de oferecer oito anos de garantia para esta peça, um período que excede a garantia oferecida para o restante do veículo. O mecânico afirmou ainda não ter recebido carros híbridos em sua oficina com problemas na bateria.
Ele acrescentou que, na maioria dos casos que chegam ao seu local de trabalho, a falha não está na bateria de alta tensão, mas sim em outros componentes do próprio veículo. Em híbridos completos, a bateria é menor e menos exigida em comparação com um veículo totalmente elétrico ou um híbrido plug-in, pois ela nunca fica descarregada, sendo constantemente recarregada pelo motor ou pelo processo de regeneração.
A aquisição de um carro híbrido usado pode ser comparada à compra de um modelo a combustão. O que definirá se a escolha é acertada ou não é o estado geral de conservação e se as manutenções foram executadas corretamente. A sugestão é priorizar modelos que são mais populares no mercado, pois isso assegura uma manutenção mais acessível. Por serem mais econômicos, os híbridos são procurados por taxistas e motoristas de aplicativos.
Durante a inspeção, é importante verificar se há sinais de desgaste acentuado no assento traseiro e nas guarnições das portas, pois estes podem indicar uso profissional. Encontrar um bom híbrido usado pode resultar em economia significativa nos gastos com combustível.