A Ferrari parece ter subestimado tanto a lealdade quanto o conservadorismo de seus admiradores. O Luce, que representa o primeiro sedã e o primeiro veículo totalmente elétrico da marca italiana, foi lançado sob uma onda de críticas inesperadas, surpreendendo a montadora.
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Características e Críticas do Luce
Com um valor de US$ 640 mil (aproximadamente R$ 3,3 milhões), este modelo diverge de muitos princípios que caracterizam um esportivo de Maranello. Ele carece da sonoridade dos motores a combustão e da estética agressiva tradicional italiana, apresentando um visual controverso, que se assemelha mais a um dispositivo tecnológico do que a um carro de corrida.
Design e Reação do Mercado
O projeto do Luce foi desenvolvido pelo estúdio LoveFrom, que conta com os designers Jony Ive — ex-chefe de design da Apple — e Marc Newson, em colaboração com o diretor de design da Ferrari, Flavio Manzoni. Essa associação levou críticos a frequentemente compararem o veículo a produtos da Apple. Emanuele Carando, diretor global de marketing da Ferrari, confessou ao portal Edmunds que a companhia antecipava uma resposta dividida, mas não na dimensão que realmente ocorreu.
Até o antigo presidente da empresa, Luca di Montezemolo, fez uma sugestão incisiva, pedindo que a Ferrari retirasse o emblema «Cavallino Rampante» do capô do novo sedã.
Estratégia e Desempenho do Veículo
Apesar da recepção negativa, a decisão estratégica era deliberada. Segundo Carando, a marca optou não apenas por eletrificar a base de um modelo já existente, como o Purosangue, mas também para capitalizar os benefícios da arquitetura elétrica, que possibilita um capô mais curto e um maior espaço interno.
O executivo tentou tranquilizar o público fazendo um paralelo com o lançamento do próprio Purosangue, que também enfrentou severas críticas e acusações de «trair a história da marca», mas que hoje é considerado um dos carros mais elogiados da fabricante.
Especificações Técnicas e Lançamento
Sob a carroceria projetada pela LoveFrom, o Luce oferece um desempenho digno da Ferrari, gerando cerca de 1.050 cavalos de potência distribuídos por quatro motores elétricos — um em cada roda — e equipado com uma bateria de 122 kWh. Curiosamente, o interior, que incorpora controles físicos em alumínio e vidro, contrariando a tendência de grandes telas vista nos concorrentes elétricos, recebeu elogios mesmo daqueles que criticavam o exterior.
Apresentada em Roma em maio, a Luce é também o primeiro modelo de cinco lugares da Ferrari e o mais caro do catálogo, superando o Purosangue. Carando acredita que a rejeição diminuirá com o passar do tempo, assim como aconteceu com outros modelos controversos no passado. Para ele, em termos de marketing, não há publicidade ruim, pois toda a atenção negativa funciona como promoção gratuita.