De acordo com o relatório de tendências de e-commerce da DHL para 2026, mais da metade dos compradores online nos países da África Austral — 56%, o maior índice de todos os continentes do mundo — considera provável que, nos próximos cinco anos, permitirão que a inteligência artificial tome decisões de compra ou as realize em seu nome. Este indicador é quase o dobro da média mundial de 29% e supera significativamente a Europa, onde apenas 18% dos compradores declararam estar dispostos a transferir o controle para a IA.
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Pesquisas e estatísticas sobre o uso de IA
O relatório, publicado pela DHL em junho, baseia-se em inquéritos realizados a 29.000 compradores online e 5.800 empresas de comércio eletrónico em 29 países. Os sul-africanos já estão entre os utilizadores mais ativos de IA no processo de compra. O país ocupa o sexto lugar mundial no uso de ferramentas de chat baseadas em IA em compras online, atingindo 41%. Os líderes neste ranking são Índia (59%), Emirados Árabes Unidos (51%), China (47%), Nigéria (46%) e Arábia Saudita (42%).
Opinião da liderança e problemas de confiança
Pablo Cyano, CEO da DHL eCommerce, observou que a capacidade de compreender e responder às necessidades dos clientes sempre definiu o sucesso, mas o novo relatório mostra que a IA está agora a mudar drasticamente essa vantagem a uma alta velocidade. Ele salientou que os consumidores podem encontrar as melhores ofertas em frações de segundo, e os retalhistas obtêm análises que lhes permitem reagir instantaneamente às mudanças na procura.
No entanto, o entusiasmo pode ultrapassar a confiança. Segundo a TechCentral, a Visa está a preparar infraestrutura de pagamentos usando IA na África do Sul, incluindo o registo de bancos locais no seu programa Agentic Ready para transações totalmente autónomas, mas ainda nenhum sistema foi lançado no país. Além disso, o estudo Visa Stay Secure 2026 mostrou que apenas 23% dos consumidores sul-africanos confiam num agente de IA para concluir uma compra por eles.
Questões de responsabilidade e mercado local
Além disso, permanecem questões complexas não resolvidas relativas a permissões de pagamento: os executivos da Visa afirmaram que o consumidor permanece a parte original responsável no caso de autorização de uma transação fraudulenta por um agente de IA, e a determinação da responsabilidade ocorre individualmente de acordo com as regras vigentes.
O relatório da DHL também destaca o domínio da Takealot, propriedade da Naspers, no mercado local de comércio eletrónico. Esta plataforma é a mais utilizada pelos compradores sul-africanos (88%) e pelas empresas online locais (87%). Ao mesmo tempo, a plataforma procura manter a sua posição contra Amazon e Temu da China, que abriu um armazém de distribuição local no ano passado para acelerar as entregas aos compradores sul-africanos.
Comportamento do consumidor e comércio social
Os sul-africanos também demonstram um alto interesse nas promoções da Black Friday, onde 68% relataram ter feito compras durante o período Black Friday/Cyber Monday no último ano, o maior índice entre os 29 mercados estudados e significativamente superior à média mundial de 41%. Estes dados estão alinhados com estatísticas locais sobre gastos recordes online durante a Black Friday no ano passado. O comércio social também se destaca: 85% dos compradores sul-africanos inquiridos adquiriram produtos através do Facebook, superando significativamente a média mundial de 63%.
Ao contrário de outras regiões, onde a entrega fora de casa está a tornar-se a norma (mais de seis em dez devoluções ocorrem fora de casa), a África do Sul continua a ser um mercado dominado pela entrega em domicílio: 89% dos compradores locais recebem predominantemente os seus pedidos online em casa, e 61% usam um ponto de recolha doméstico para devoluções.
Ambições internacionais das empresas
Ao mesmo tempo, as empresas de comércio eletrónico sul-africanas olham muito além do país. Dos que ainda não vendem internacionalmente, 83% planeiam expandir-se nos próximos cinco anos, visando mercados como EUA, China, França e Índia. O relatório classifica também o corredor África do Sul-EUA como uma das rotas comerciais B2B mais movimentadas do mundo.
Herman Winter, diretor geral da DHL Express África do Sul, afirmou que a África do Sul é um dos mercados de comércio eletrónico mais desenvolvidos da região, possuindo plataformas estabelecidas, adoção digital crescente e uma comunidade empresarial que cada vez mais transcende o crescimento local. Ele acrescentou que, para os negócios, os aspetos fundamentais tornam-se mais importantes do que nunca: confiança, entrega fiável, devoluções convenientes e uma forte experiência do cliente são cruciais tanto a nível local como internacional.
Ele também observou que, para pequenas e médias empresas, o comércio digital oferece uma oportunidade real de alcançar novos clientes e mercados, mas o crescimento a longo prazo dependerá da capacidade de garantir entregas estáveis, gerir a complexidade transfronteiriça e fortalecer a confiança dos clientes. O crescimento do setor de retalho online na África do Sul continua, e a empresa de investigação World Wide Worx prevê que as vendas online ultrapassarão pela primeira vez 10% do volume total de vendas a retalho até janeiro de 2026.