As maiores operadoras de serviços de telecomunicações da África do Sul estão se preparando para audiências públicas em Midrand na segunda e terça-feira. Elas expressaram uma crítica quase unânime ao projeto de regras do regulador Icasa, que visa acelerar a implementação do acesso de banda larga, mas as operadoras alertam que isso pode ter o efeito contrário.
Essência das disposições controversas
O projeto de regras, publicado em 10 de abril, visa criar um sistema unificado para o desenvolvimento de redes, abrangendo licenças, acesso a terrenos, compensações e resolução de disputas. No entanto, nas propostas escritas depositadas no site da Icasa, há uma reclamação: as regras regulamentam os licenciados que desejam construir, mas ignoram o gargalo das permissões municipais (wayleave bottleneck), que efetivamente retarda o processo de implantação.
Posição das associações de operadoras
A Associação de Comunicações e Tecnologia (ACT), que representa seis das maiores operadoras, considera a ausência de prazos obrigatórios de resposta dos municípios e de um mecanismo de aprovação presumida como a 'lacuna mais significativa' no projeto, chamando-o de 'falha sistêmica principal que a base regulatória deveria corrigir'. Em seu documento, assinado pelo CEO da ACT, Nomvuso Bathi, é apontado que as operadoras gastam de seis a doze meses para conectar clientes corporativos em algumas metrópoles, sendo que o custo das permissões (wayleave costs) varia de 8.000 a centenas de milhares de randes, incluindo 'taxas anuais arbitrárias de manutenção pelas quais o serviço não é fornecido'.
A Vodacom apresenta uma acusação semelhante, afirmando que o projeto 'impõe obrigações processuais, de relatórios e de conformidade acrescidas aos licenciados, enquanto os problemas principais permanecem em grande parte não resolvidos'. A Associação de Provedores de Internet (Ispa) acredita que as novas regras 'provavelmente retardarão a implantação ao impor obrigações adicionais aos licenciados'.
Questões de segurança nacional e banco de dados
Tanto a ACT quanto a Vodacom propõem a adoção de um modelo usado na UE no âmbito do Ato de Infraestrutura Gigabit: prazos obrigatórios de quatro meses para obtenção de permissões e aprovação automática caso as autoridades as violem. A ACT também insiste na importação do princípio de limitação de tarifas da UE, bem como do padrão de wayleave em 30 dias úteis.
Os documentos apresentados confirmam os alertas precoces do setor sobre a base nacional de infraestrutura, relatada pela TechCentral em abril. O Regulamento 7 obriga cada licenciado a fornecer duas vezes por ano dados SIG georreferenciados sobre rotas de fibra óptica, canais, postes, torres e estações rádio base, bem como dados de disponibilidade de serviços em nível de endereço e, o que gera mais controvérsia, planos futuros de implantação, sob pena de multa de até 1 milhão de randes.
Na apresentação da Telkom, assinada pelo chefe do grupo jurídico e regulatório, Nozifo Mngomezulu, há um aviso de que este banco de dados 'compromete a segurança da rede Telkom se for tornado público, pois pode ser usado indevidamente por grupos ligados ao crime organizado, anarquistas e espiões'.
A ACT levanta questões de segurança nacional, citando relatórios próprios da Icasa sobre roubos e vandalismo de infraestrutura. A Ispa afirma que é 'irrealista esperar que os licenciados forneçam informações comercialmente sensíveis', sem saber quem terá acesso a elas e sob que garantias. Além disso, a Ispa argumenta que o mapeamento SIG está totalmente fora do escopo da Seção 21 da Lei de Comunicações Eletrônicas e deve ser considerado em um documento separado.
Objeções gerais ao projeto
A reclamação é praticamente universal: o projeto de regras não especifica quem tem direito a acessar os dados, para quais fins e com quais proteções. O prazo de implementação de seis meses é criticado como irrealista — a Telkom o chama de 'absolutamente irrealista', e a ACT exige sua extensão para 12 meses — e a multa de 1 milhão de randes é condenada como desproporcional.
A Telkom vai além no processo, alegando que as regras devem ser suspensas completamente. A empresa apontou o projeto de lei de emendas à Lei de Comunicações — cuja seção proposta 21A concederá ao ministro de gestão conjunta poderes para estabelecer regras obrigatórias para os municípios — bem como o projeto de política de implantação rápida do Ministro das Comunicações, Sulli Malatsi, publicado em março e ainda não resolvido. A Telkom acredita que a finalização das regras da Icasa antes da conclusão desses processos corre o risco de consolidar um sistema direcionado para o lado errado: a jurisdição da Icasa abrange os licenciados, e não os municípios, onde reside o verdadeiro atrito. Segundo a Telkom, as disposições padrão de compartilhamento de wayleave foram adotadas por apenas quatro municípios dos publicados em 2023.
A ACT questiona por que a Icasa publicou o projeto antes da conclusão do processo de política ministerial, alertando para um 'desalinhamento regulatório', enquanto a Ispa exige que a Icasa declare publicamente como a direção política afetará a conclusão.
Pontos de acordo e luta pela ordem
Nem todos os aspectos são contestados. A ACT considera o conceito de mapeamento SIG 'significativo e louvável' em princípio, os membros da Ispa apoiam o mapeamento de banda larga, e a resolução estruturada de disputas e as regras de ciclo de vida da infraestrutura gozam de amplo apoio. O principal debate gira em torno da sequência de ações e medidas de proteção.
O problema da 'busca por renda'
A Vodacom afirma que o banco de dados só deve ser desenvolvido após a resolução do gargalo nos processos de aprovação, e que a compensação aos proprietários de terras deve se limitar à perda comprovada, e não a pagamentos recorrentes 'tipo aluguel'. A Telkom insiste que o compartilhamento de valas e os acordos de construção conjunta permaneçam voluntários, alertando para um 'comportamento voltado para a obtenção de renda' por parte das partes detentoras dos direitos de wayleave.
As audiências orais ocorrerão no Protea Hotel Marriott em Midrand.


