A Volkswagen está analisando a possibilidade de vender suas participações acionárias em diversos clubes de futebol alemães, como o Bayern de Munique e o VfB Stuttgart. Essa revisão de investimentos faz parte de um processo de reestruturação global do grande grupo automotivo europeu.
Este plano de reestruturação abrange medidas drásticas, incluindo a previsão de demissão de até 100 mil funcionários e o possível encerramento de quatro fábricas localizadas na Alemanha, configurando um dos maiores ajustes na história da empresa.
De acordo com informações citadas pela Automotive News Europe, baseadas na Bloomberg, o conglomerado está examinando se o retorno obtido através da publicidade gerada por esses investimentos ainda justifica a permanência das ações nos clubes. Inicialmente, essa notícia foi divulgada pelo veículo alemão Correctiv, mas a Volkswagen optou por não emitir comentários sobre o assunto.
Atualmente, a Audi detém uma participação de 8,3% no Bayern de Munique, enquanto a Porsche possui 10,4% no Stuttgart. Embora a venda desses ativos tenha implicações financeiras significativas, o desinvestimento carrega também um forte simbolismo, visto que a conexão entre a indústria automobilística alemã e o futebol sempre foi vista como algo natural, com a Audi ligada ao Bayern, a Porsche ao Stuttgart e a Volkswagen ao Wolfsburg.
O Bayern de Munique é reconhecido como um dos clubes de maior valor mundial, com uma estimativa de mercado de cerca de 4,7 bilhões de euros, segundo a consultoria Football Benchmark. A Audi adquiriu sua cota em 2009 por aproximadamente 90 milhões de euros, patrocinando o time desde 2002. Uma eventual saída do clube bávaro poderia injetar um capital considerável no caixa da montadora, dependendo do valor que o clube oferece em termos de visibilidade de marca.
A avaliação de desinvestimento não se limita apenas ao setor esportivo. A marca também está considerando se deve se desfazer de sua participação majoritária na Ducati, que é gerenciada através da Audi. A Ducati, apelidada de «Ferrari das duas rodas», alcança recordes em produção, vendas e lucros sob administração alemã, tornando qualquer desinvestimento uma decisão motivada puramente por fatores financeiros.
Apesar da amplitude dessa revisão, a companhia pretende manter o controle do VfL Wolfsburg e sua participação de 20% no FC Ingolstadt 04. A decisão final sobre os clubes pertencentes à Bundesliga ainda aguarda estudos detalhados sobre o impacto financeiro e de imagem. No momento, os movimentos sinalizam a magnitude do ajuste em andamento no grupo, que é o segundo maior fabricante de automóveis do planeta, sendo que poucos ativos parecem estar imunes aos cortes de custos.