O Ministro dos Trabalhos Públicos e Infraestrutura, Dean McPherson, compareceu à imprensa em Cidade do Cabo na terça-feira para alertar sobre uma séria ameaça representada pela chamada máfia da construção. Ele informou que essa criminalidade organizada levou ao fracasso de mais de 180 projetos de infraestrutura em toda a África do Sul, cujo valor total excede 63 bilhões de randes.
Táticas da Máfia da Construção
McPherson observou que os grupos se tornaram extremamente sofisticados: eles criam suas próprias empresas, passando-se por empreiteiros legítimos, para obter acesso aos canteiros de obras. O ministro enfatizou que esses grupos frequentemente possuem laços políticos e sabem infiltrar-se nos processos não apenas através de violência aberta, mas também por meio de acordos de subcontratação, estruturas de participação local, contratos de segurança, uso de empresas de fachada e representantes comunitários autoproclamados.
Nova Política Nacional
Essas declarações vieram após a aprovação pelo Gabinete do Programa Estrutural Integrado de Facilitação Social (ISFF). Este programa é uma política nacional obrigatória que exige que departamentos governamentais, municípios e empresas estatais interajam com as comunidades locais antes do início da construção. A máfia da construção é definida como grupos organizados que invadem canteiros de obras exigindo dinheiro, empregos ou subcontratos sob o pretexto de participação local, frequentemente usando intimidação e violência.
McPherson explicou que o ISFF, desenvolvido por quase dois anos, visa prevenir que esses grupos usem a frustração pública para sabotar projetos. Ele chamou este programa de uma ferramenta importante na luta contra os extorquidores e aqueles que obstruem o desenvolvimento da infraestrutura no país. O ministro agradeceu ao Gabinete por adotar o ISFF como uma ferramenta obrigatória de política governamental, marcando a transição do desenvolvimento de políticas para sua implementação oficial pelo Estado.
Escopo do Problema e Sucessos Passados
McPherson relatou que, em julho de 2024, quando assumiu o cargo, a máfia da construção era uma das ameaças mais evidentes à implementação de projetos de infraestrutura. O que começou no KwaZulu-Natal espalhou-se para a maioria das províncias. Ele afirmou que a África do Sul não pode se tornar um canteiro de obras se for administrada por criminosos. Projetos eram paralisados, trabalhadores eram intimidados, em alguns casos agredidos violentamente, equipamentos eram danificados ou roubados, e as empresas eram forçadas a pagar dinheiro ou ceder o trabalho a pessoas sem direito legal sobre ele.
Os sindicatos aumentavam os gastos do estado, afastavam investimentos e colocavam em risco a vida de trabalhadores, gerentes de projetos e proprietários de empresas. O ministro lembrou-se de um caso terrível em Durban, onde um gerente sênior foi baleado seis vezes no local, mas sobreviveu milagrosamente. Ele destacou especialmente que o mais alarmante é o roubo de infraestrutura das próprias comunidades.
Ponto de Viragem e Reação
Um ponto de viragem para ele foi o incidente no projeto hídrico de uMkhomazi no KwaZulu-Natal. Este projeto multimilionário, um dos maiores esquemas de infraestrutura hídrica do país, prevê a construção de uma barragem no rio uMkhomazi para fornecer água a Durban e arredores, onde a demanda há muito tempo excedia a oferta. Lá, o incidente relacionado à máfia da construção resultou na morte de três pessoas e no ataque a uma quarta. McPherson chamou isso de momento decisivo e de um «despertar» que confirmou que não se tratava apenas de problemas de aquisição, protesto comunitário ou disputa trabalhista, mas sim de crime organizado que exige uma resposta nacional coordenada.
Ele observou que a abordagem anterior falhou porque os fracassos eram vistos como casos isolados: o empreiteiro reportava o problema, o município tentava negociar, a polícia abria um caso, mas nada acontecia, e as redes por trás dos fracassos continuavam operando. Isso o levou, juntamente com o ministro dos Trabalhos Públicos do KwaZulu-Natal, Martin Meyer, a realizar uma cúpula nacional sobre a atividade da máfia da construção em Durban em novembro de 2024. A cúpula resultou na adoção da Declaração de Durban, que obrigou o governo, as forças policiais, o Tesouro Nacional, os reguladores, as empresas estatais e o setor da construção a adotarem uma resposta nacional coordenada.
Resultados dos Esforços Conjuntos
Desde a assinatura da declaração, segundo McPherson, houve progresso mensurável. Foram registrados mais de 770 casos de extorsão e intimidação relacionados à construção em todo o país, dos quais foram feitas 241 prisões e, o que é importante, 176 pessoas foram condenadas. No KwaZulu-Natal, o centro histórico de atividade da máfia da construção, o número mensal de paralisações em locais caiu de mais de 60 incidentes por mês para menos de 10. McPherson classificou isso como uma melhoria significativa, demonstrando a eficácia da colaboração entre o governo, as forças policiais, as estruturas estatais e o setor privado.
A gestão das consequências também foi reforçada: desde setembro de 2025, 52 empreiteiros foram colocados na lista negra, e outra leva está em análise. Ele comparou isso com apenas dois casos anteriores em 22 anos.
Alerta sobre Novas Ameaças
No entanto, McPherson alertou que o governo ainda não declara vitória, citando incidentes recentes em Gauteng, incluindo Randfontein no Western Rand e na região de Vaal ao sul de Johannesburgo. Contudo, esses casos foram escalados através do comité de crimes prioritários provincial, e os locais estabilizaram sem longas paralisações. Ele advertiu que os sindicatos estão procurando novas maneiras de penetrar nos projetos. «Agora temos criminosos que têm suas próprias empresas de fachada, passando-se por empreiteiros, e eles manipulam as estruturas comunitárias e influenciam as oportunidades de subcontratação», declarou ele. «Eles ainda tentam fazer com que a infraestrutura pública sirva a interesses criminosos, e não públicos».
Padronização da Interação com a Comunidade
O ISFF padroniza a interação com as comunidades nos níveis nacional, provincial e local, bem como nas empresas estatais. As comunidades deverão receber informações sobre o que está sendo construído, por que está sendo construído, quais oportunidades existem para elas e como expressar preocupações legalmente. Este quadro será aplicado durante todo o ciclo de vida do projeto — do planejamento à conclusão. Ele também instituirá comitês de relações com projetos como plataformas formais para comunicação e resolução de conflitos, exigindo monitoramento e relatórios constantes para detecção precoce de riscos.
McPherson enfatizou que isso significa que as comunidades não devem ser envolvidas apenas após o início do conflito; elas devem ser envolvidas antes do início do projeto. Ele observou que a interação com as comunidades foi muito inconsistente e fragmentada por muito tempo, às vezes reduzida a formalidades ou deixada a intermediários desprotegidos. «Em muitos casos, funcionários autoproclamados de relações comunitárias preenchem o vácuo e afirmam falar em nome das comunidades, sem assumir nenhuma responsabilidade, padrões ou obrigações éticas», disse ele. «Este vácuo foi explorado pelos extorquidores, e este quadro elimina esse vácuo».
O elemento central da reforma foi a profissionalização da facilitação social, liderada pelo Conselho Sul-Africano de Profissões de Gestão de Projetos e Construção em conjunto com o departamento e o Conselho Ambiental. No futuro, os facilitadores sociais deverão ser qualificados, registrados e vinculados a um código de ética. McPherson observou que eles devem atuar como uma ponte entre a comunidade, e não como porteiros. Ele acrescentou que a implementação dará prioridade a projetos de alto risco, onde os conflitos, extorsões e vandalismo são mais altos. Ele esclareceu que o quadro não substitui as forças policiais, mas as fortalece: «Se houver preocupações legais da comunidade, nós interagiremos. Se as empresas locais procurarem participação legal, nós criaremos essas oportunidades. Mas se criminosos invadirem os locais, ameaçarem nossos trabalhadores, exigirem dinheiro ou tentarem manipular os resultados ou vandalizar a infraestrutura, nós garantiremos que sejam presos».
Ele concluiu com um aviso aos sindicatos: «Não se negocia com extorquidores ou criminosos. Não haverá concessões com eles. E não haverá futuro para a indústria da construção onde a implementação depende do pagamento de suborno para proteção».

