Especialistas do Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB) identificaram quatro setores capazes de atrair uma nova geração de investimentos diretos estrangeiros na Ásia Central e na região do Cáucaso: energia verde, transporte e logística, conectividade digital e cadeias de valor agrícolas.
De acordo com os especialistas, o Uzbequistão é líder regional na atração de investimentos diretos estrangeiros no setor de energia verde. Para concretizar esse potencial em projetos reais, propõe-se a criação de um ecossistema de investimento regional unificado. Esta informação foi divulgada pelo Conselho de Investidores Estrangeiros sob a Presidência da República do Uzbequistão, citando a análise dos especialistas.
O estudo foi publicado em 6 de novembro de 2026. Os autores foram Rolando Avendano, economista sênior do Departamento de Pesquisa Econômica e Impacto do ADB; Khalid Umar, especialista em cooperação regional do Departamento da Ásia Central e Ocidental; consultora Angelica Beatriz Natividad e Loveli Tolin, especialista em cooperação e integração regional. O objetivo deles era identificar a concentração de oportunidades de investimento e determinar o que é necessário para transformá-las em projetos atraentes para bancos.
A Ásia Central e o Cáucaso estão em uma encruzilhada estratégica entre a Ásia e a Europa, possuem recursos naturais significativos e estão desenvolvendo seu potencial inovador. Nas últimas duas décadas, os investimentos diretos estrangeiros apoiaram a industrialização e a transformação estrutural na região. No entanto, o capital permanece concentrado em indústrias tradicionais intensivas em recursos, como mineração, carvão e gás. A transição para cadeias de valor mais complexas abre novas oportunidades.
Energia Verde
O interesse internacional em energia verde na região está crescendo. As necessidades de investimento no setor de energia, no âmbito do programa de Cooperação Econômica Regional da Ásia Central (CAREC), são estimadas entre 2,9 e 3,8 trilhões de dólares americanos até 2030.
Em 2024, os projetos de transição energética representaram até 90% de todos os investimentos diretos estrangeiros estratégicos na Ásia Central e no Cáucaso. A maior parte do capital veio da China, Europa e Oriente Médio. O Uzbequistão atraiu a maior fatia desses investimentos, seguido por Azerbaijão e Quirguistão.
Segundo os especialistas, grandes projetos como a hidrelétrica de Kambarat-1, a hidrelétrica de Rogun e o CASA-1000 demonstram potencial de investimento que pode fortalecer a interconexão energética regional.
Transporte e Logística
A localização da região entre a Ásia e a Europa permite que ela sustente a diversificação das rotas comerciais e das cadeias de suprimentos. Prevê-se que o Corredor Central transporte 11 milhões de toneladas de carga anualmente até 2030. Os autores observam que a ferrovia China-Quirguistão-Uzbequistão e o porto de águas profundas de Anaklia podem reforçar ainda mais o papel da região como um nó de trânsito.
Conectividade Digital
Os especialistas veem um potencial de investimento significativo no setor digital, impulsionado tanto pela crescente demanda quanto pelas lacunas estruturais na infraestrutura. A maioria dos países da região são países sem litoral e não têm acesso direto a cabos submarinos, enquanto o tráfego de internet passa por um número limitado de rotas de trânsito. Isso limita suas capacidades diante do rápido crescimento da demanda por serviços em nuvem, processamento de dados e inteligência artificial.
O volume total de investimentos digitais mútuos entre os países da região atingiu cerca de 1,2 bilhão de dólares americanos, sendo mais de 90% desse valor direcionado a serviços e soluções digitais, incluindo 1,1 bilhão de dólares em serviços financeiros.
Atualmente, está sendo realizada um estudo de viabilidade do Corredor Digital CAREC em 10 países. O projeto preliminar prevê a criação de um novo portal digital sul, que conectará os países da Ásia Central aos cabos submarinos globais no Mar Arábico. Também está planejado o fortalecimento das redes rodoviárias nacionais, a criação de um ecossistema regional de centros de processamento de dados e a implementação de um modelo de troca federativa de tráfego de internet.
Agricultura
Os autores também destacam a agricultura como uma área para diversificação. Este setor representa 10–20% do PIB da região e emprega 30–40%. Os investimentos podem ser direcionados para armazenamento, logística, processamento e outra infraestrutura para aumentar a exportação de produtos agrícolas de alto valor agregado.
Barreiras para Investimentos
Ao mesmo tempo, os investidores enfrentam obstáculos significativos em toda a região. As legislações de investimento, regimes de licenciamento, regras de propriedade estrangeira e procedimentos comerciais variam substancialmente de um país para outro.
De acordo com o Índice de Restrição Regulatória de Investimento Estrangeiro Direto da OCDE, a região, no geral, permanece mais restritiva para investimentos do que os países da OCDE. As restrições são maiores em certos setores do Quirguistão, Tajiquistão e Uzbequistão. Entre os obstáculos mais significativos em muitos países estão as restrições à participação de capital acionário estrangeiro.
Uma pesquisa recente com conselhos de investidores estrangeiros da região também revelou limitações chave: normas regulatórias complexas, previsibilidade jurídica limitada, acesso restrito a financiamento, falta de infraestrutura, bem como barreiras comerciais e alfandegárias. Esses fatores, juntamente com a falta de informações sobre a viabilidade dos projetos, limitam a capacidade das empresas multinacionais de expandir suas operações na região. Grandes projetos de infraestrutura também são retardados pela falta de financiamento de longo prazo e mercados de capitais pouco desenvolvidos.
Recomendações dos Especialistas
Os autores acreditam que a região precisa ir além de projetos isolados e passar para um ecossistema de investimento integrado. Eles definem cinco prioridades.
A primeira é aproximar os regimes de investimento. Isso exigirá maior harmonização na proteção de investidores, regras de parceria público-privada, registro de empresas, licenciamento e padrões específicos. Tais medidas devem reduzir os custos de conformidade e tornar os investimentos transfronteiriços mais previsíveis. Os especialistas também acreditam que os países da região que adotam práticas internacionais de resolução de disputas de investimento fortalecerão seus regimes de investimento.
A segunda prioridade é criar um registro aberto de projetos transfronteiriços, que fornecerá informações claras sobre sua prontidão, status regulatório, estruturas de financiamento e necessidades de investimento.
A terceira prioridade é ampliar o acesso a financiamento de longo prazo e inovador por meio de mecanismos de parceria público-privada, financiamento de dívida sustentável, títulos verdes e outras ferramentas. Isso pode tornar os projetos mais atraentes para os bancos e ajudar a mobilizar capital privado e estrangeiro.
A quarta prioridade é melhorar a conectividade regional e promover o comércio através de investimentos em transporte, logística, infraestrutura digital e cadeias de valor agrícolas. A harmonização de procedimentos alfandegários, padrões e sistemas digitais também ajudará a reduzir atrasos nas fronteiras.
A quinta prioridade é fortalecer a coordenação da política de investimento. A Aliança Regional de Conselhos de Investidores Estrangeiros da Ásia Central e do Cáucaso (RAIC-CAC) pode servir como plataforma para tal cooperação. Segundo os autores, essa aliança permitirá que os países troquem experiências na implementação de reformas, acompanhem o progresso na harmonização de atos normativos, mantenham um registro regional de projetos de investimento e coordenem sua interação com investidores internacionais e parceiros de desenvolvimento.
Os especialistas do ADB concluem que os países da Ásia Central e do Cáucaso possuem os recursos, vantagens geográficas e oportunidades emergentes necessários para atrair investimentos. Atualmente, dizem eles, a prioridade é a criação de mecanismos políticos, financeiros e cooperativos necessários para transformar essas oportunidades em projetos viáveis e direcionar um maior volume de investimentos diretos estrangeiros para um crescimento diversificado e sustentável.


