Queda de espaçonave, desaparecimento de Mercúrio e recorde de El Niño: eventos da semana na ciência e no espaço
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Queda de espaçonave, desaparecimento de Mercúrio e recorde de El Niño: eventos da semana na ciência e no espaço

Esta semana, a comunidade científica mundial marcou uma série de eventos significativos: a queda de um telescópio espacial na Terra, o desaparecimento temporário de Mercúrio do céu e o atingimento de um recorde histórico de temperatura pelo fenômeno El Niño. Esses eventos tornaram-se alguns dos principais tópicos dos últimos dias.

O telescópio espacial Swift da NASA concluiu sua missão, operando por mais de duas décadas em órbita da Terra. Na quinta-feira (dia 4), a nave entrou na atmosfera terrestre de forma incontrolada, três meses após uma tentativa fracassada de resgate realizada por uma empresa privada.

Este satélite, oficialmente nomeado Neil Gehrels Swift Observatory, foi lançado em novembro de 2004 para estudar explosões de raios gama — um dos fenômenos mais poderosos do universo.

A cometa interestelar 3I/ATLAS também gerou interesse. Dados obtidos pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA mostraram que o objeto é composto por grãos de gelo misturados com poeira, o que difere da composição das cometas originadas no Sistema Solar.

Este objeto, descoberto perto do nosso sistema em julho de 2025, é apenas o terceiro visitante de regiões distantes da Via Láctea observado pela humanidade após as passagens do asteroide 1I/’Oumuamua e da cometa 2I/Borisov. Devido a essa raridade, a comunidade científica mundial utilizou instrumentos infravermelhos do Webb para rastrear detalhadamente a trajetória deste corpo celeste.

Na quinta-feira (dia 4), às 11h20, horário brasileiro, Mercúrio entrou em uma fase que os astrônomos chamam de 'conjunção inferior solar'. Ele passou entre a Terra e o Sol, aproximando-se dele em aproximadamente 0,674 unidades astronômicas (UA), o que equivale a cerca de 100,8 milhões de quilômetros. Esse fenômeno ocorre uma vez por ciclo sinódico do planeta, que é de 116 dias.

Durante esta conjunção, Mercúrio estava a apenas 0°22′ do Sol. Essa proximidade fez com que a luz intensa da estrela ofuscasse o planeta, que já estava difícil de observar nos últimos dias. Esta fase marcou o 'desaparecimento' de Mercúrio no céu noturno e sua transição para o status de estrela da manhã nas próximas semanas.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), conforme relatado pelo Olhar Digital, El Niño atingiu um aquecimento histórico em outubro. A anomalia na região Niño 3.4 atingiu 2,47 °C acima da média, superando o índice de outubro de 1982, que era de 2,07 °C. As medições semanais também registraram recordes: na região Niño 3, a temperatura atingiu 3,7 °C acima da média na última semana do mês, ultrapassando a marca de 1981. Na zona Niño 1+2, localizada perto do Peru e Equador, a diferença foi superior a 4,6 °C, igualando o pico de junho de 1983.

Quando este fenômeno foi confirmado em junho deste ano, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) já apontava uma alta probabilidade de intensificação. Em entrevista ao Olhar Digital, Carlos Nobre, climatologista e doutor em meteorologia do MIT (Massachusetts Institute of Technology) nos EUA e autoridade internacional em aquecimento global, alertou sobre a gravidade do cenário de um possível 'Super El Niño'.

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A semana teve diversos destaques científicos e noticiosos. No âmbito político, Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente do Brasil, e o Olhar Digital analisou seu plano de governo focado em ciência e tecnologia.

Em outra frente, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos forneceu à SpaceX acesso a dados confidenciais de rastreamento de objetos orbitais. Este acordo, assinado entre a empresa de Elon Musk e a Força Espacial norte-americana, permitiu que uma entidade privada recebesse acesso aprimorado ao Catálogo de Alta Precisão do Comando Espacial dos EUA, que monitora corpos em órbita, levantando discussões sobre segurança nacional e o papel da companhia no tráfego espacial comercial.

No campo da comunicação científica, o engenheiro biomédico Daniel Dahis foi agraciado com o Eric and Wendy Schmidt Awards for Excellence in Science Communication. Ele é o primeiro brasileiro a receber este prêmio, concedido pelas Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos (NASEM), com anúncio realizado na segunda-feira (26).

Esta premiação visa valorizar profissionais que tornam a ciência acessível ao público. Na edição de 2026, 24 indivíduos foram homenageados em oito categorias distintas, abrangendo pesquisadores, jornalistas e criadores de conteúdo. Cada categoria possui um vencedor principal, que recebe US$ 40 mil (aproximadamente R$ 216 mil), além de dois reconhecidos com US$ 20 mil (cerca de R$ 108 mil) cada.

Dahis obteve o prêmio na categoria “Research Scientist: Early Career”, destinada a cientistas em fase inicial de carreira. Seu reconhecimento ressalta o trabalho de divulgação científica que ele executa nas mídias sociais, onde conta com mais de 750 mil seguidores, compartilhando vídeos sobre temas como vacinas, enfermidades, tratamentos e descobertas recentes.

Sobre fenômenos astronômicos, é possível observar bolas de fogo intensamente brilhantes durante o Halloween. Este evento está ligado às Táuridas, uma chuva de meteoros anual que atrai astrônomos pelo espetáculo visual e pela potencial presença de fragmentos maiores.

As Táuridas são segmentadas em duas correntes: as Táuridas do Sul e as Táuridas do Norte. A primeira ocorre entre setembro e novembro no hemisfério sul, caracterizando-se por atividade contínua e baixa frequência de meteoros por hora. Seu ápice está previsto para quinta-feira (5), embora a observação dependa das condições climáticas, da escuridão e da posição aparente dos meteoros. A segunda corrente acontece entre outubro e dezembro, com pico em novembro, apresentando também pouca frequência horária, mas podendo surpreender com bolas de fogo muito luminosas.

A marca distintiva desta chuva são as bolas de fogo, que são meteoros excepcionalmente brilhantes capazes de ultrapassar o brilho de Vênus e manter sua visibilidade por mais tempo que outros rastros luminosos. Por coincidirem com o período do Halloween, em 31 de outubro, esses clarões são conhecidos como bolas de fogo de Halloween.

Adicionalmente, um relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgado na terça-feira (27), indicou que a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera alcançou patamares recordes em 2025. Esse acúmulo de gases intensifica a retenção de calor no planeta, contribuindo para o aquecimento global.

O dióxido de carbono (CO₂) atingiu 426,8 partes por milhão, enquanto o metano e o óxido nitroso também registraram máximas históricas. A OMM projeta que a concentração de CO₂ continuará em ascensão ao longo de 2026.

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Na segunda-feira, dia 19, foi lançada uma missão espacial extremamente importante com destino a Marte. O objetivo desta missão é trazer para a Terra amostras de uma das luas de Marte. O sonda MMX (Exploração das Luas de Marte) partiu do foguete H3 do Centro Espacial Tanegashima, no Japão, iniciando uma jornada de cerca de cinco anos para estudar Fobos e Deimos, duas luas naturais do Planeta Vermelho.

A missão, liderada pela Agência Japonesa de Pesquisa Aeroespacial (JAXA), planeja pousar em Fobos, coletar pelo menos dez gramas de material de sua superfície e trazê-lo de volta à Terra. Se todos os planos forem cumpridos, as amostras devem chegar em 2031, permitindo uma análise detalhada em laboratórios terrestres.

O projeto também conta com a participação da NASA, agências espaciais europeias e outras instituições e empresas que são responsáveis pelo desenvolvimento e fornecimento dos instrumentos e tecnologias científicas necessários para a operação.

A chuva de meteoros das Orionídeas atingiu seu pico entre a noite de quinta-feira (21) e a madrugada de sexta-feira (22). Este fenômeno ocorre anualmente entre 2 de outubro e 7 de novembro, embora o pico possa variar de ano para ano, caindo entre 21 e 23 de outubro. Durante este período, é possível observar de 10 a 20 meteoros por hora.

Esta chuva ocorre quando a Terra cruza a trajetória de detritos deixados pelo cometa Halley, que passa pelo sistema solar interno a cada 76 anos. Ao entrar na atmosfera terrestre, essas partículas inflamam-se, criando rastros de luz conhecidos como meteoros. O nome 'Orionídeas' deriva da constelação de Órion, o ponto no céu de onde esses rastros parecem emanar, localizado perto da estrela Betelgeuse.

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A vila de Behbeit El-Hagar faz parte de um importante sítio arqueológico do Alto Egito. À beira de um afluente do Rio Nilo, este local abrigava um templo dedicado a Ísis, uma das deusas mais veneradas do Antigo Egito.

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Identificado como Cosmos 2612, o satélite já está se afastando do ICEYE-X36. Embora não haja confirmação de intenções hostis, tal aproximação chama a atenção para os riscos enfrentados por dispositivos comerciais em meio a disputas militares entre potências.

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