Inteligência dos EUA aponta que empresa chinesa recrutou executiva para monitorar CEO da Nvidia
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Inteligência dos EUA aponta que empresa chinesa recrutou executiva para monitorar CEO da Nvidia

A inteligência dos Estados Unidos indicou que uma empresária chinesa, identificada como Alice Huang, foi contratada pelo Ministério de Segurança do Estado da China (MSS), a principal agência de inteligência do país, com o objetivo de obter informações sobre Jensen Huang, CEO da Nvidia. Além disso, ela deveria tentar persuadir o executivo a apoiar a liberação dos processadores mais sofisticados da companhia para o mercado chinês.

Essas descobertas foram reportadas pelo The New York Times, com base em fontes informadas sobre as operações de vigilância americanas. Até então, não havia notícia de que Alice estivesse trabalhando diretamente para o serviço de inteligência chinês.

Este caso insere-se em uma investigação mais ampla sobre o interesse de Pequim na tecnologia de inteligência artificial (IA) americana e na influência de Jensen Huang nas decisões relativas à exportação de semicondutores. Os chips da Nvidia são itens de grande disputa mundial e constituem componentes cruciais na infraestrutura de desenvolvimento de IA.

A empresária, que não possui laços familiares com o executivo, teria estabelecido uma proximidade com ele e mantido contato com outras figuras proeminentes do setor de semicondutores, incluindo diretores da Gigabyte, uma das maiores montadoras de supercomputadores que utilizam componentes da Nvidia. Alice, fluente em inglês, participou de eventos setoriais e jantares privados com executivos. Embora a data do encontro com Jensen Huang não esteja clara, ambos foram vistos juntos em um bar em Taipei (Taiwan) em 2024.

Na mesma época, a empresa de Alice, a Megaspeed, começou a operar a compra de chips avançados de IA, movimentando bilhões de dólares. O Ministério de Segurança do Estado chinês expandiu-se consideravelmente desde que Xi Jinping assumiu a liderança do país em 2012. Embora por muitos anos a agência tenha tido uma atuação menos visível comparada aos setores de espionagem e operações cibernéticas do Exército de Libertação Popular, o MSS assumiu uma fatia maior das atividades de espionagem chinesas após um acordo entre Pequim e Washington em 2015 para restringir operações cibernéticas.

Nos anos subsequentes, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou hackers ligados à agência de tentar furtar tecnologias americanas e invadir redes do país. Pesquisadores e autoridades americanas citados pelo jornal apontaram que, em 2023, o serviço de inteligência já se estabelecera como um rival da CIA. A agência também passou a empregar IA para identificar e mapear perfis de potenciais alvos. Atualmente, o MSS opera uma rede de agentes estimada em centenas de milhares de pessoas, englobando espionagem, contraespionagem, ataques cibernéticos e operações de informação.

Peter Mattis, ex-analista de contraespionagem da CIA e atual presidente da Jamestown Foundation, declarou ao jornal que a tecnologia se tornou uma prioridade para o serviço chinês. Segundo ele, a agência considera o setor tecnológico vital para a disputa pela liderança econômica global. Mattis ressaltou também que Jensen Huang é um alvo de interesse devido à sua influência sobre decisões que podem moldar o futuro da indústria.

A Nvidia negou compartilhar informações confidenciais com seus clientes e afirmou que os compradores de seus produtos não pedem à empresa que pressione o governo americano para mudar as restrições de venda de chips para a China. John Rizzo, porta-voz da empresa, acrescentou que o governo chinês estimula alternativas nacionais, como produtos da Huawei, e restringe a importação de equipamentos da Nvidia para data centers. Sobre o relacionamento entre Jensen Huang e Alice, Rizzo comentou que os encontros eram comuns e seguiam o padrão de interação do executivo com milhares de empresários que negociam com a companhia.

O governo chinês refutou as alegações. Liu Chang, porta-voz da embaixada do país nos Estados Unidos, classificou as informações do The New York Times como infundadas e as descreveu como ataques à China. Alice Huang não respondeu às tentativas de contato feitas pelo jornal. A Casa Branca e a CIA se recusaram a comentar o assunto.

A ligação de Jensen Huang com o mercado chinês também envolve sua interação com o governo americano. Nos últimos anos, Jensen Huang defendeu publicamente a possibilidade de fabricantes americanos venderem tecnologia de IA para a Ásia. Ele argumenta que a presença de empresas americanas no mercado chinês poderia intensificar a competição com produtores locais, como a Huawei, e limitar o desenvolvimento autônomo da indústria chinesa de IA.

Em 2025, Huang convenceu Donald Trump a suspender a proibição de vendas de chips para a China, permitindo que a Nvidia comercializasse uma versão menos potente de seus produtos no país. Posteriormente, o presidente americano e a empresa firmaram um acordo para autorizar a venda do segundo chip mais potente da Nvidia ao mercado chinês, com o governo dos Estados Unidos recebendo 25% dessas vendas. Trump também cogitou liberar o Blackwell, o chip mais avançado da companhia, mas desistiu da ideia. Em maio, durante uma conferência com investidores, Huang declarou que a China não deveria ter acesso às tecnologias mais avançadas da Nvidia, como o Blackwell e o futuro Rubin. Nessa ocasião, ele defendeu que os Estados Unidos deveriam manter a liderança tecnológica, mas que as empresas americanas deveriam continuar competindo globalmente.

Enquanto isso, o interesse da inteligência chinesa por este executivo continua sob análise em Washington. Na quinta-feira (5), líderes republicanos de três comissões importantes da Câmara dos Representantes solicitaram que Huang comparecesse a uma reunião reservada ainda neste mês para prestar esclarecimentos sobre suas interações com Alice Huang.

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Líderes republicanos de três comissões importantes da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos solicitaram que Jensen Huang, CEO da Nvidia, participe de uma reunião privada com legisladores. O propósito deste encontro é esclarecer a ligação do executivo com uma empresária associada a uma empresa sob investigação do governo americano por suposta ajuda à China na aquisição de chips de inteligência artificial (IA).

O pedido foi formalizado na quinta-feira (5) pelos congressistas Brian Mast, John Moolenaar e Rick Crawford, que são responsáveis, respectivamente, pelas Comissões de Relações Exteriores, pelo Comitê Seleto sobre o Partido Comunista Chinês e pelo Comitê Seleto de Inteligência.

Os parlamentares desejam que Huang compareça em 18 de novembro para discutir suas interações com Alice Huang, executiva da Megaspeed, sediada em Singapura. Além disso, eles pretendem questioná-lo sobre as diretrizes de segurança da Nvidia visando prevenir espionagem por parte de governos estrangeiros.

Os deputados declararam no pedido que é crucial que o Congresso defina até que ponto a segurança nacional dos Estados Unidos foi posta em risco.

John Rizzo, porta-voz da Nvidia, não confirmou se o CEO aceitará o convite. Em uma declaração, ele informou que a companhia possui uma equipe de segurança de alto nível que acompanha Huang quando necessário.

Registros comerciais acessados pela plataforma ImportGenius indicam que uma entidade ligada à Megaspeed na Malásia adquiriu, entre junho de 2024 e fevereiro de 2026, pelo menos US$ 4,8 bilhões (aproximadamente R$ 26,2 bilhões) em equipamentos avançados de IA que continham chips e tecnologia da Nvidia.

As autoridades suspeitam que a Megaspeed auxiliou a China a burlar as restrições comerciais americanas e obter acesso aos componentes do fabricante.

A Nvidia sustenta que cumpre toda a legislação e nega qualquer evidência de que seus chips estejam sendo contrabandeadas para a China. Na semana anterior, Rizzo também afirmou que os encontros de Huang com Alice não eram nem incomuns nem inesperados, pois reuniões com clientes fazem parte do trabalho de um CEO, e Huang dialoga anualmente com milhares de executivos de empresas clientes.

A iniciativa dos três parlamentares também chama a atenção por sinalizar uma mudança na postura de lideranças republicanas, que majoritariamente seguiram o presidente Donald Trump em uma abordagem menos intervencionista em relação ao setor de tecnologia.

Huang estabeleceu um relacionamento próximo com Trump nos últimos dois anos, e ambos conversam frequentemente sobre temas tecnológicos. Este movimento ocorre após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que expuseram a preocupação de parte do eleitorado com os efeitos da indústria tecnológica, como o potencial da IA para eliminar empregos e a criação de grandes centros de dados em comunidades locais.

O sentimento negativo em relação às grandes corporações de tecnologia beneficiou amplamente candidatos democratas. A ação republicana pode indicar que o partido não pretende deixar este assunto apenas nas mãos de seus oponentes políticos.

Este episódio também se conecta a uma investigação prévia do Congresso. Em abril de 2025, John Moolenaar e o Comitê Seleto sobre o Partido Comunista Chinês iniciaram uma apuração sobre as vendas de chips da Nvidia na Ásia. Contudo, nos meses subsequentes, o governo Trump flexibilizou as restrições às vendas de componentes da empresa para a China.

Huang também acompanhou Trump em sua primeira viagem diplomática ao Oriente Médio, ocasião em que o presidente anunciou grandes vendas de chips para os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita.

A Nvidia também fez uma doação superior a US$ 20 milhões (cerca de R$ 109,2 milhões) para a construção do salão de festas da Casa Branca e prometeu investir US$ 500 bilhões (aproximadamente R$ 2,73 trilhões) na manufatura de produtos nos Estados Unidos.

Em junho, Huang já havia recusado um pedido de testemunho ao Senado feito pela senadora Elizabeth Warren, democrata de Massachusetts (EUA) e principal representante da minoria no Comitê Bancário. Na semana passada, após a divulgação da matéria sobre a relação do executivo com Alice Huang, a parlamentar reiterou a cobrança de seu comparecimento.

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Órgãos americanos estão conduzindo uma investigação sobre uma rede suspeita envolvida no contrabando de chips avançados de IA para a China. Dentro desta investigação, também são estudados aspectos de espionagem e coleta de informações comerciais confidenciais para Pequim.

Esta investigação chamou a atenção para a ligação entre o CEO da Nvidia, Jensen Huang, e pessoas sob investigação. No centro das atenções está Alice Huang, também conhecida como Huang Le, uma empresária chinesa ligada à empresa de data centers de Singapura, a MegaSpeed.

De acordo com o The New York Times, ela é suspeita de coletar informações comerciais para a China, e surgiram relatos de relações próximas com Jensen Huang. Alice Huang é cidadã chinesa e trabalhou anteriormente na MegaSpeed, sediada em Singapura, como diretora executiva sênior.

Embora pouco se saiba sobre sua vida pessoal ou carreira inicial, seu cargo profissional a colocou no epicentro da cadeia global de suprimentos de chips de IA. A MegaSpeed adquire equipamentos de computação que operam com chips Nvidia e atua como intermediária, alugando capacidade de data centers para vários gigantes tecnológicos chineses, incluindo a Alibaba.

As autoridades americanas estão apurando se empresas que operam através do Sudeste Asiático ajudaram negócios chineses a contornar as restrições em chips avançados de IA. Isso levantou questões sobre o próprio modelo de negócios. Durante a investigação, Alice Huang ocupava o cargo de diretora executiva sênior na MegaSpeed. Devido à sua posição e interação com a Nvidia, ela entrou em contato com o CEO Jensen Huang.

Relata-se que os EUA já desconfiavam dela por auxiliar no contrabando de chips Nvidia para a China, após o que ela foi colocada sob vigilância.

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