Um projeto abrangente de reconstrução e modernização da Escola Básica de Santo Antônio foi apresentado pela equipe do projeto. A escola foi construída no início dos anos 1950, como parte do Plano Centenários, e originalmente projetada pelo arquiteto Inácio Pereshem Fernandes em 1947. Ela corresponde ao modelo urbano do bairro de Alvalade, baseado no conceito de unidade de vizinhança.
O edifício mantém grande parte de suas características originais e é reconhecido como patrimônio representativo da primeira fase deste plano. Inicialmente, a escola foi projetada com separação entre as seções masculinas e femininas, mas alguns aspectos deixaram de corresponder à atual operação mista. Um exemplo disso era a duplicação das salas de refeitório em dois níveis, o que tornava o trabalho da cozinha ineficiente.
Originalmente, o edifício se destacava por sua estrutura robusta, arquitetura rigorosa e uso de materiais duráveis, especialmente elementos de betão armado. Essas qualidades foram preservadas e reforçadas durante a nova intervenção.
O projeto restaurou a coerência arquitetônica de todo o complexo, eliminou inconsistências funcionais e atualizou as características térmicas, acústicas e de acessibilidade. Os edifícios existentes foram reformados para abrigar escritórios administrativos, sala de professores, salas de aula e instalações de jardim de infância, visando aumentar o conforto e a segurança, mantendo o valor arquitetônico.
A concepção proposta estabeleceu uma clara zonificação, separando a escola primária do jardim de infância através de rotas de circulação independentes e áreas de recreio distintas. As salas de aula do jardim de infância estão localizadas no térreo com saída direta para o exterior. Foram adicionados dois novos volumes de reunião, executados em estilo e escala modernos, harmonizando-se com o complexo existente. Um deles abriga a cozinha, o refeitório e a biblioteca, e o outro, um ginásio esportivo e um espaço multifuncional aberto ao público.
O antigo edifício do refeitório foi transformado em um nó central que conecta os blocos de salas de aula e as áreas de lazer cobertas. Localizado próximo ao novo refeitório e ginásio, este espaço também serve como continuação da biblioteca. As áreas externas foram reconstruídas para incluir playgrounds destinados a cada faixa etária, preservando-se as grandes árvores existentes.
Finalmente, as entradas principais foram mantidas e melhoradas com a criação de um serviço de portaria fechado, que mantém a transparência visual em relação ao bloco vizinho.
Assim, a intervenção permitiu modernizar a escola, ao mesmo tempo que fortalece sua identidade e unidade arquitetônica, melhorando as condições funcionais, pedagógicas e de acessibilidade para atender às exigências modernas.



