ArchDaily apresenta 6 propostas de infraestrutura de transporte não construídas
Leia mais
ArchDaily Brasil
archdaily.com.br

ArchDaily apresenta 6 propostas de infraestrutura de transporte não construídas

A infraestrutura de transporte frequentemente gera sentimentos de aversão, sendo percebida como espaços de passagem e encontros com estranhos, locais que raramente são apropriados por indivíduos. No entanto, os projetos não construídos apresentados neste artigo desafiam essa visão de «terra de ninguém», propondo que a infraestrutura possa ser tratada como um objeto de arquitetura.

Essas propostas, localizadas em diversos países como Irã, Montenegro, Ilhas Canárias, Suécia, Emirados Árabes Unidos e Coreia do Sul, oferecem perspectivas culturais e visuais de seus respectivos contextos. Projetadas para acomodar caminhões, automóveis, aeronaves e pedestres, elas buscam proporcionar não só uma função prática, mas também um ambiente adequado para o descanso, a espera ou o convívio, renovando a imagem de espaços frequentemente ignorados.

Embora a infraestrutura de transporte enfrente desafios logísticos que podem ofuscar aspectos estéticos ou ambientais, esta seleção de ideias compartilhadas pela comunidade ArchDaily ilustra que a experiência espacial e a conexão com a paisagem podem ser consideradas pilares essenciais no processo de projeto. Os projetos se apoiam na geografia local, utilizando elementos gráficos, materiais e climáticos específicos.

Diversos exemplos demonstram essa inspiração na natureza: um pátio de caminhões que imita formações rochosas; um posto de serviços inspirado em asas de águia; um aeroporto insular que segue a linha do horizonte; um centro de mobilidade com revestimento terroso; um terminal de aviação com fluidez aquática; e um ponto de ônibus que se adapta às estações do ano.

Explorando soluções para o movimento contínuo

Os seis projetos não construídos, detalhados através de imagens e descrições fornecidas pelos próprios criadores, exploram soluções para o movimento perpétuo.

Terminal Rodoviário Cheshook / Vanguard Office

O Cheshook Truck Terminal, situado no Porto Imam Khomeini, no sul do Irã, funciona como um complexo de serviços e estacionamento para caminhões. Este local é um importante centro industrial que interliga o transporte terrestre e marítimo regional. Em vez de ser visto apenas como um estacionamento comum, o projeto o concebe como uma infraestrutura adaptável, combinando estacionamento com áreas comerciais, oficinas de manutenção, logística, alimentação, administração e comodidades destinadas aos motoristas.

Para responder ao clima rigoroso do Golfo Pérsico, a arquitetura emprega estratégias ambientais regionais, tais como sombreamento, controle de luz natural, efeito chaminé, vegetação e coberturas com formatos não planos. Foi implementado um sistema modular trapezoidal tanto como recurso estrutural quanto ambiental, auxiliando na diminuição do ganho térmico, ao mesmo tempo que preserva a clareza e a flexibilidade do espaço.

Pátio de Mobilidade Asa de Águia / Ferizi Architects

O Eagle Wing Mobility Pavilion transforma o posto de serviços tradicional em um ponto de mobilidade moderno. Localizado perto de Ulcinj, Montenegro, este projeto consolida postos de combustível, estações de carregamento para veículos elétricos, comércio, restaurantes, escritórios e serviços públicos em uma única estrutura arquitetônica. Inspirado na aerodinâmica da asa de uma águia, o projeto organiza-se em torno de uma cobertura escultural que ultrapassa os 3.000 metros quadrados. Esta cobertura serve como abrigo ambiental e ponto de referência visual, unificando as diversas funções do terreno ao longo do corredor de transporte Vladimir-Sukobin.

Aeroporto de Tenerife Sul

O Aeroporto de Tenerife Sul está em processo de modernização completa de sua área terminal, abrangendo 466.905 m² e contando com um investimento de €542 milhões. A premissa central do projeto é converter um complexo que se desenvolveu ao longo do tempo com vários edifícios e terminais em um aeroporto singular, funcional, intuitivo e coerente. O projeto lida com a complexidade de uma infraestrutura que deve gerenciar o fluxo de passageiros, bagagens, mercadorias, aeronaves e equipes profissionais. Assim, a arquitetura atua como uma ferramenta para organizar esse complexo, facilitando a navegação espacial e promovendo operações aeroportuárias mais eficientes e claras.

Centro de Mobilidade / Krupinski/Krupinska + Office Kersten Geers David Van Severen + Artista Akane Moriyama

O solo fértil e de grande valor cultural da Escânia serve como ponto de partida para a proposta do novo centro de mobilidade. Esse solo confere ao projeto seu fundamento contextual e torna-se o material mais expressivo da edificação. A fachada feita de tijolos recuperados localmente apresenta uma textura tátil e resistente ao tempo quando observada de perto, enquanto à distância, sua tonalidade varia conforme o tipo de tijolo, lembrando um corte transversal de distintas camadas de terra. A volumetria dos tijolos remete a um bloco de alvenaria em suas proporções, assentando-se sobre um piso térreo aberto e acessível ao público. Para assegurar uma abordagem integral e a inclusão artística precoce, Akane Moriyama, artista internacional residente na Suécia, foi convidada a colaborar no projeto da fachada externa de tijolos.

Terminal de Aviação Geral de Mumbai / ZNera Space

Concebido como um ponto de convergência entre luxo, inovação e natureza, o novo Terminal de Aviação Geral de Mumbai revoluciona as viagens aéreas particulares. Sua cobertura sinuosa e a fachada de vidro translúcido evocam o movimento suave do voo e a geografia costeira da cidade. A sustentabilidade está integrada em todos os aspectos do projeto, desde métodos de resfriamento passivo e otimização da luz natural até o uso de materiais locais e paisagismo com gestão eficiente da água. Um átrio com pé-direito triplo e um aquário cilíndrico de água salgada estabelecem um foco biofílico e tranquilo, enquanto o planejamento espacial apurado molda uma experiência de aviação ecologicamente responsável e serena.

Pavilhão / Insitu Architecture

Este pavilhão funciona como um abrigo de ponto de ônibus, construído majoritariamente com papel, e foi desenhado para se adaptar às diferentes estações. O papel impermeável, após tratamento específico, é moldado em cortinas, criando uma área extensa onde a distinção entre o interior e o exterior se suaviza. A cobertura é formada por tubos de papel, permitindo que os usuários observem o céu e experimentem a mudança sazonal. Foram realizados testes de durabilidade e impermeabilidade, e foi sugerida uma estrutura híbrida que incorpora tubos de aço para garantir a segurança.

Histórias semelhantes

Projeto Biblioteca de Súria de Javier de las Heras Solé foca na integração com o cidadão
Leia mais
archdaily.com.br

Projeto Biblioteca de Súria de Javier de las Heras Solé foca na integração com o cidadão

O projeto Biblioteca de Súria, concebido por Javier de las Heras Solé, foi apresentado como um local público destinado ao encontro e à convivência. A arquitetura proposta utiliza a repetição e o padrão para evitar gestos desnecessários, direcionando o foco para o cidadão e para as maneiras como ele interage com o ambiente.

Este projeto arquitetônico tem como objetivo reconhecer e valorizar tanto os aspectos físicos quanto os patrimoniais e culturais já existentes no local. Ele busca se integrar ao contexto circundante, incentivando assim a apropriação coletiva do espaço.

Galeria do Projeto

A obra foi citada como «Biblioteca de Súria / Javier de las Heras Solé» e pode ser acessada através do ArchDaily em Português, datada de 04 de novembro de 2026.

Cinco aspectos cruciais a serem considerados no planejamento de soleiras internas
Leia mais
archdaily.com.br

Cinco aspectos cruciais a serem considerados no planejamento de soleiras internas

A abertura entre dois ambientes estabelece como as pessoas se deslocam dentro de um edifício, o que elas observam ao passar de um local para outro, e se uma área parece unificada ou separada. Embora as portas sejam um dos componentes arquitetônicos internos mais usados, seu impacto na organização interna é frequentemente avaliado tardiamente no processo de projeto. Contudo, o movimento das portas e sua interação com as superfícies vizinhas afetam a circulação, o arranjo dos móveis e a percepção do espaço.

Em reformas residenciais, estas decisões são especialmente relevantes. Elementos como paredes existentes, estruturas, instalações prediais e a altura do pé-direito podem restringir as opções, enquanto novos projetos buscam conciliar a integração dos espaços com a necessidade de privacidade. Em construções novas, os arquitetos têm mais liberdade para alinhar nichos nas paredes, forros e mecanismos de portas desde o início do planejamento.

A questão fundamental é definir a relação entre dois espaços: eles devem permanecer conectados, isolados ou alternar entre esses estados? Vãos livres, divisórias, portas giratórias, portas pivotantes, portas de correr e o próprio mobiliário oferecem soluções distintas. Sistemas de portas, como os desenvolvidos pela ECLISSE, apresentam diferentes métodos para essas transições, atendendo tanto às condições construtivas atuais quanto à configuração espacial desejada.

Uma cozinha integrada à sala de estar pode se beneficiar de uma abertura ampla que mantenha a continuidade visual, possibilitando, ao mesmo tempo, o isolamento durante o preparo de alimentos ou eventos sociais. De modo similar, um escritório doméstico pode ficar aberto durante o dia, mas ainda necessitar de privacidade visual e sonora para reuniões ou tarefas que exijam foco. Em ambos os cenários, o projeto deve equilibrar a sensação de amplitude com a possibilidade de fechamento.

Nem toda mudança de área requer uma porta. Alterações no revestimento do piso, vãos mais profundos, painéis ou variações na altura do pé-direito podem demarcar zonas sem isolá-las totalmente. O mobiliário também pode cumprir uma função parecida: uma ilha de cozinha, um armário autossustentável ou uma estante podem delimitar áreas, guiar a circulação e prover armazenamento sem a necessidade de uma divisão do chão ao teto.

O mecanismo da porta influencia diretamente a circulação e o espaço utilizável do ambiente. Portas giratórias demandam uma área livre para abrir, que deve ser sincronizada com a disposição de móveis, corredores e portas adjacentes. Por outro lado, as portas pivotantes permitem que folhas maiores girem em torno de eixos pivotantes distantes das dobradiças laterais tradicionais.

As portas de correr deslizam paralelamente a uma parede ou divisória, economizando o espaço de piso que seria necessário para uma folha giratória. Existem sistemas de correr aparentes (fixados no teto ou sobrepostos na parede) e integrados, como o ECLISSE Exo e o Endo. Os aparentes mantêm a folha visível quando abertos, enquanto as portas de embutir deslizam para dentro de um nicho na parede. Estas últimas deixam o vão totalmente desimpedido e liberam a superfície da parede próxima, mas exigem espessura adequada na divisória e coordenação com instalações elétricas e prediais.

Esta diferença é crucial em reformas. Um trilho sobreposto na parede ou fixado no teto pode ser instalado sem precisar criar um nicho interno ou prever um forro rebaixado, simplificando projetos onde a estrutura existente deve ser mantida. Em contrapartida, portas de correr integradas ao teto e portas de embutir são mais fáceis de implementar em uma nova divisória projetada especificamente para abrigar o mecanismo. A decisão final depende da espessura construtiva disponível, do tipo de abertura desejado e das funções que a parede adjacente terá.

Nas portas de correr, o mecanismo de deslizamento faz parte do detalhe arquitetônico. Sua localização impacta o forro, o acabamento da parede e a aparência visual do vão quando a folha está aberta ou fechada. A escolha entre um trilho visível e um sistema embutido também define como a porta se relaciona com as superfícies adjacentes.

Em um sistema de portas de correr aparente, como o ECLISSE Exo, o suporte do trilho é fixado na parede ou no teto e coberto por um bandô de alumínio com 65 mm de altura. Sua estética pode complementar as superfícies vizinhas ou se destacar como um detalhe arquitetônico, estando disponível em acabamentos como branco, preto ou primer personalizável. Já um sistema de porta de correr embutido no teto, como o ECLISSE Endo, incorpora o suporte do trilho ao forro rebaixado. Após o acabamento, o suporte fica nivelado com o teto, deixando apenas uma fenda estreita para o guia de deslizamento. A superfície revestida com primer pode ser pintada na mesma cor do teto, fazendo com que o mecanismo desapareça visualmente. Este sistema pode ser instalado na frente ou no interior do vão de passagem, sendo ideal para grandes aberturas. Embora esta abordagem exija que a estrutura do forro suporte o mecanismo embutido, o sistema é ajustável e consegue compensar irregularidades na laje. Ambos os sistemas são compatíveis com folhas de madeira e painéis de vidro com perfis de alumínio. As folhas individuais podem ter até 1.300 mm de largura e 3 m de altura, com espessura padrão de 40 mm.

A largura da passagem determina quantas folhas são necessárias e o espaço requerido para o movimento delas. Uma única folha pode ser suficiente para uma porta de tamanho padrão, enquanto vãos mais amplos podem se beneficiar de duas folhas opostas que se encontram no meio. O uso de trilhos múltiplos possibilita acomodar várias folhas, e a adição de painéis fixos auxilia a estender a área total, seja ela transparente ou opaca.

Os sistemas de portas de correr, como o ECLISSE Exo e o Endo, estão disponíveis em configurações de trilho simples, duplo ou triplo. Ambos também permitem a instalação de duas folhas opostas no mesmo trilho, oferecendo a opção de painéis fixos. Essas combinações são perfeitas para criar conexões mais extensas entre áreas de convivência, cozinhas e salas multifuncionais. A posição aberta exige tanta atenção quanto a fechada: a extensão disponível de parede ou teto, o ponto de recolhimento das folhas e a localização de interruptores e móveis influenciam diretamente a área livre de circulação.

A seleção de materiais também afeta diretamente a relação entre os espaços. O acabamento de uma porta define como a transição é percebida no ambiente. Uma folha que reproduz a cor da parede suaviza as interrupções visuais, ao passo que o contraste de madeira, vidro ou um trilho escuro pode realçar e destacar o vão. O vidro mantém a continuidade visual, enquanto uma folha opaca proporciona maior privacidade. Adicionalmente, uma folha de correr permite isolar uma área quando necessário e manter o layout totalmente aberto quando recolhida. As portas faceadas à parede (portas invisíveis ou flush) representam outra alternativa para assegurar a continuidade espacial, alinhando a folha perfeitamente com a superfície adjacente.

O propósito não é eliminar todos os limites, mas sim determinar onde eles devem permanecer visíveis, onde devem se tornar discretos e como devem reagir à dinâmica do uso cotidiano. A coordenação precisa entre o vão livre, o movimento das folhas, a estrutura de suporte e o acabamento final permite que as portas se integrem perfeitamente ao planejamento espacial.

Popular