Daniel, um jovem de 25 anos de nacionalidade sueca, permaneceu por diversos meses no Aeroporto de Nápoles-Capodichino, localizado no sul da Itália, sem possuir documentos de identificação e sem qualquer lembrança do seu passado.
A trajetória de Daniel teve início em julho, quando ele viajou da Suécia para Roma, Itália. Não há registros claros de como ou quando isso ocorreu, mas o jovem chegou ao aeroporto de Nápoles sem documentos e incapaz de reviver sua história. Ele conseguia apenas informar seu nome, idade e origem, dizendo aos funcionários do aeroporto: «Tenho 25 anos e sou sueco».
Com base nas poucas memórias que restavam, Daniel suspeitava de ter participado em um confronto físico com outra pessoa, sem saber o motivo ou o local, e acreditava que isso poderia ter causado seu estado de amnésia e a perda de seus papéis.
Durante meses, Daniel circulou pelos corredores, lojas e restaurantes do aeroporto, tornando-se uma figura conhecida para quem transitava pelo local. Alguns colaboradores tentaram prestar auxílio, oferecendo-lhe roupas e bebidas quentes para protegê-lo do frio, conforme relatou o jornal italiano La Repubblica.
Um funcionário do aeroporto comentou à publicação italiana que «aquele rapaz que dizia ser sueco já era praticamente da casa», acrescentando que ele «nunca incomodou ninguém, mas nunca se alongou sobre o seu passado. Não sabemos se é porque não se lembra ou porque simplesmente não quer recordar».
Embora parecesse estar bem cuidado, Daniel não tinha um lugar fixo para passar a noite. Quando o terminal fechava, entre 22h30 e 3h30, ele era forçado a deixar o aeroporto.
Os funcionários consideraram organizar uma arrecadação de fundos para ajudá-lo a retornar ao lar, mas encontraram uma dificuldade: eles nem sabiam para onde ele desejava voltar.
Somente no começo de novembro, o jovem aceitou a assistência dos serviços sociais de Nápoles e foi direcionado para um abrigo de acolhimento destinado a pessoas em situação de rua. Chiara Marciani, vereadora responsável pelas Políticas Sociais do município, informou à La Repubblica que o jovem cooperou com os assistentes sociais e aceitou a mudança assim que lhe foi apresentada a opção.
Marciani relatou: «Fomos ao aeroporto e perguntamos calmamente se ele queria vir connosco. E ele disse que sim».
A responsável também ressaltou que não se sabe se a perda de memória é real ou se ele possui outras condições de saúde. Ela enfatizou: «Também não sabemos que problemas de saúde é que ele tem. Ele diz que não tem memória, mas não sabemos se é porque ele realmente não se lembra ou porque não se quer lembrar».
Nesta sexta-feira, a vereadora Chiara Marciani divulgou que Daniel já retornou à Suécia e está reunido com sua família, que não tinha notícias dele desde agosto. Marciani escreveu nas redes sociais: «Há pessoas que permanecem nas nossas recordações depois de fazerem parte da nossa vida durante muito tempo e outras que nos ficam na memória mesmo depois de um único encontro. Com Daniel, foi assim».
Ela continuou: «Vou recordar durante muito tempo o seu olhar, sentado numa cama improvisada, diante de pessoas que não conhecia. Vou recordar a voz do seu pai, aliviado e emocionado por ter finalmente reencontrado o filho, depois de tantos meses. E, acima de tudo, vou recordar o seu »sim«, dito com alguma hesitação e receio, quando lhe perguntámos se queria finalmente regressar a casa».
Segundo a vereadora, Daniel «está em casa, na Suécia», desfrutando do afeto de sua mãe e pai.
O fechamento temporário do aeroporto de Nápoles, motivado por obras na pista, foi crucial para que sua família pudesse localizá-lo, visto que a possibilidade de perder seu único refúgio teria acelerado a ação das autoridades.
O cônsul honorário da Suécia em Nápoles, Pierluigi Petrone, que havia sido avisado sobre o caso em meados de outubro, encontrou-se com Daniel na segunda-feira e fez um apelo público para que alguém o reconhecesse. No dia seguinte, terça-feira, graças ao esforço conjunto dos assistentes sociais e da Embaixada da Suécia, foi possível encontrar os pais de Daniel e providenciar seu retorno para casa.

