O Ministério da Saúde planeja despachar um lote de vacinas contra mpox para o Rio de Janeiro. Essa medida surge após o registro de 74 casos da doença na capital fluminense durante os meses de setembro e outubro, um número sete vezes superior ao registrado no mesmo período de 2025.
Diante desse crescimento, o Ministério da Saúde concedeu autorização para adquirir até 20 mil doses da vacina, visando fortalecer os suprimentos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Apesar do aumento na cidade, o Brasil registrou um total de 665 casos em 2026, o que representa uma redução de 94% em comparação com os mais de 10 mil casos notificados em 2022.
Neste ano, o estado do Rio já recebeu 3,5 mil doses, incluindo um novo envio de 2 mil unidades.
A transmissão da mpox ocorre primariamente através do contato direto com secreções corporais ou lesões. Também é possível a transmissão por contato prolongado e próximo com secreções respiratórias, embora o vírus não se propague pelo ar com a mesma facilidade que o sarampo. Beijos também constituem uma via de contágio, especialmente se houver lesões na boca ou no rosto. Além disso, roupas, toalhas e lençóis contaminados podem transmitir a enfermidade. Embora não seja classificada como uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) tradicional, a mpox pode ser transmitida durante atividades sexuais devido ao contato íntimo.
Após a exposição viral, os primeiros sinais podem incluir fadiga, dor de cabeça, dores musculares, febre e linfonodos inchados. Contudo, o sintoma mais distintivo são as lesões cutâneas, que podem iniciar como manchas ou bolhas e progredir para feridas cobertas por pus e crostas. Essas lesões podem surgir mesmo na ausência de febre ou outros sintomas iniciais.
A característica das lesões auxilia na distinção da mpox de outras patologias, como a catapora. Na mpox, as lesões na mesma área tendem a apresentar estágios similares, diferentemente da catapora, onde podem aparecer em fases distintas. Não obstante, a confirmação diagnóstica requer análise laboratorial.
Geralmente, os sintomas desaparecem em um período de duas a quatro semanas. Este intervalo também exige vigilância quanto ao risco de transmissão, pois o indivíduo pode continuar disseminando o vírus até que todas as crostas caiam e a pele esteja totalmente cicatrizada.
As ocorrências de óbito por mpox são incomuns, e a maioria dos casos manifesta quadros leves ou moderados. Entretanto, a doença pode evoluir para um quadro mais severo em indivíduos com sistema imunológico comprometido, tais como pessoas vivendo com HIV sem tratamento adequado, pacientes transplantados e aqueles em tratamento oncológico.
Álvaro Costa, infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), declarou em entrevista ao g1 que a doença tem potencial para causar morte, mas ressaltou que isso é raro, e para a população geral, o risco é considerado baixo. Marcos Vinicius Borges, outro infectologista da SBI, corroborou essa avaliação, indicando que a letalidade usualmente permanece abaixo de 1%, embora possa ser superior em locais com acesso restrito aos serviços de saúde.
O manejo clínico foca primordialmente no alívio dos sintomas e na prevenção de complicações. Em situações graves, pode ser prescrito o antiviral tecovirimat. Lesões oculares necessitam de avaliação médica imediata, e infecções bacterianas secundárias podem requerer o uso de antibióticos.
Além dos cuidados durante a infecção, a vacinação constitui uma estratégia importante para proteger os grupos mais vulneráveis. No âmbito do SUS, a imunização não está acessível a toda a população; a prioridade é destinada a pessoas com HIV/aids e contagem de CD4 inferior a 100 células/mm³. O protocolo estabelece duas doses, separadas por um intervalo de 28 dias, administradas em centros especializados.
Quando há doses excedentes, outros grupos podem ser incluídos, como indivíduos com HIV/aids e CD4 abaixo de 200, usuários de PrEP e profissionais de laboratório que manuseiam amostras virais. A vacina também pode ser recomendada após contato direto com um caso suspeito ou confirmado, dependendo da avaliação de risco. A aplicação é preferencialmente realizada nos primeiros quatro dias após a exposição. Caso ocorra dentro de um prazo de 14 dias, a eficácia preventiva diminui, mas ainda pode auxiliar na mitigação de complicações sérias.
Neste cenário, a aquisição autorizada pelo Ministério da Saúde visa assegurar que os estoques do SUS estejam prontos para eventuais incrementos na circulação do vírus.


