O mercado financeiro parece ter direcionado seu foco para a inteligência artificial, com as ações das sete maiores corporações de tecnologia dos Estados Unidos registrando quedas significativas nas principais bolsas mundiais. A Tesla (TSLA) foi a que mais sofreu com a retração, perdendo 10,8% de seu valor. A Nvidia (NVDA) também apresentou queda de 9,3%, acompanhada por desvalorizações registradas pela Meta (META) e Microsoft (MSFT).
No índice Nasdaq, que concentra majoritariamente empresas de tecnologia americanas, houve uma queda de 5,52% na quinta-feira, dia 05/11, marcando a maior desvalorização diária desde abril de 2025. Essa tendência de venda se estendeu à Ásia no dia 06/11. O Nikkei, japonês, encerrou em baixa de 5,96%, enquanto o Kospi, sul-coreano, perdeu 6,02%, após atingir uma queda de 8,55% durante o pregão, o que forçou a suspensão das negociações na bolsa sul-coreana por vinte minutos.
Entre as gigantes tecnológicas, a Apple (AAPL) demonstrou a menor perda, com seus papéis caindo apenas 1,53%. Este desempenho mais estável é atribuído à menor dependência da fabricante em relação à atual corrida por infraestrutura de IA. As empresas produtoras de semicondutores também enfrentaram prejuízos consideráveis; a AMD recuou 17,3%, e o índice de empresas de chips da Filadélfia despencou 12,2%. Na Ásia, a SK Hynix, sul-coreana, perdeu 10,4%, e a Samsung Electronics registrou uma queda de 6,4%.
A principal causa por trás dessa desvalorização reside na incerteza dos investidores sobre o montante de capital necessário para sustentar a expansão da IA. Os investidores buscam clareza sobre quando os bilhões de dólares aplicados em tecnologia começarão a gerar lucros, tanto para as desenvolvedoras de sistemas quanto para os fornecedores de componentes e equipamentos.
De acordo com levantamento da Reuters, Amazon (AMZN), Meta, Microsoft e Alphabet (GOOGL), controladora do Google, aumentaram conjuntamente seus investimentos em infraestrutura de US$ 113 bilhões para US$ 207 bilhões em um período de um ano. Projeta-se que essas quatro companhias injetarão mais US$ 232 bilhões no próximo trimestre, podendo os gastos de capital do grupo alcançar US$ 740 bilhões em 2026. A maior parte desses recursos é dedicada à edificação de data centers, aquisição de processadores e aumento da capacidade de armazenamento e processamento de dados, instalações que abrigam milhares de computadores essenciais para o treinamento e execução de sistemas de inteligência artificial.
Contudo, a expansão do setor encontra um novo elemento de risco nos Estados Unidos: a possibilidade de implementação de regulamentações mais rigorosas para a construção dessas estruturas. As eleições de meio de mandato, realizadas na terça-feira (03/11), resultaram na maioria do Partido Democrata no Congresso americano, elevando a apreensão dos investidores quanto a possíveis alterações legislativas que poderiam diminuir a procura por chips.



