O Serviço Copernicus para as Alterações Climáticas divulgou que o mês de outubro foi o mais quente já documentado no planeta, apresentando uma temperatura média global do ar na superfície 1,75 graus Celsius acima do nível pré-industrial.
A avaliação conduzida pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo (ECMWF) aponta que outubro constituiu o terceiro mês consecutivo a exceder a marca de 1,5 °C. Estatisticamente, existe agora uma probabilidade superior a 99% de que o ano de 2026 ultrapasse os 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, sendo o segundo ano a alcançar tal feito após 2024, que já é o ano mais quente registado.
Especificamente, em outubro de 2026, a temperatura média do ar na superfície registou 15,35°C, o que representa um aumento de 0,90°C em relação à média observada entre 1991 e 2020, conforme comunicado pelo Copernicus. Além disso, a temperatura da superfície do mar permaneceu em níveis 'excecionalmente elevados' durante outubro, atingindo 20,95 °C fora das zonas polares, o que supera o recorde anterior para esse mês, estabelecido em 2023.
Samantha Burgess, líder da Estratégia para o Clima do ECMWF, salientou que 'Outubro deu continuidade ao padrão de notável aquecimento global, com temperaturas globais e oceânicas superficiais recorde'. Ela acrescentou que um El Niño particularmente forte está intensificando o calor num clima já alterado pelas ações humanas, e que 2026 está prestes a ser o segundo ano civil acima de 1,5°C. Burgess também destacou que a média de quatro anos deverá superar os 1,5°C, sublinhando a persistência deste período de aquecimento global.
A análise do Copernicus revelou que a Europa registou o seu segundo outubro mais quente na sua história. Contudo, houve disparidades regionais: ao contrário de setembro e grande parte do verão, as temperaturas foram mais elevadas no leste europeu e na Escandinávia, enquanto vastas áreas da Europa ocidental e central apresentaram anomalias térmicas mais baixas.
No que concerne aos recursos hídricos, os caudais fluviais permaneceram 'excecionalmente baixos' em grande parte da Europa central e oriental, afetando rios como o Reno, o Danúbio e o Vístula. Em contraste, algumas regiões da Europa Ocidental viram uma recuperação nos caudais, pois as condições de seca em outubro melhoraram face a setembro, com chuvas intensas e inundações a afetar diversos países, incluindo o Reino Unido, a Irlanda, Espanha, Grécia e Turquia.
As temperaturas da superfície do mar também se mantiveram em patamares recorde para outubro ao longo da costa atlântica e no Mediterrâneo ocidental, o que contribuiu para o aquecimento das áreas continentais vizinhas.


