O automóvel já figura entre os produtos mais onerados no Brasil, mas a partir de 2027, ele será classificado entre os bens cujo consumo o governo visa desencorajar. Este tributo é conhecido como Imposto Seletivo, popularmente chamado de «imposto do pecado», e foi introduzido pela reforma tributária de 2023 para incidir sobre itens considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
Em uma Medida Provisória publicada pelo governo federal na quarta-feira (4), número 1.399/2026, foram estabelecidas as regras e alíquotas de cobrança para o tributo durante seu primeiro ano de validade. No segmento de automóveis, este novo imposto irá substituir a tributação atual feita pelo IPI, utilizando a estrutura de cálculo do denominado IPI Verde.
Definição das alíquotas do «imposto do pecado» para automóveis em 2027
A alíquota base será determinada com base em características específicas do veículo, tais como potência, tipo de propulsão, eficiência energética, equipamentos de segurança e capacidade de reciclagem. Para automóveis de passeio, a alíquota base é de 6,3%, enquanto para certos comerciais leves, ela é de 3,9%. O valor resultante deve ser multiplicado por um fator de conversão de 1,21, que serve para compensar as disparidades entre as bases de cálculo dos dois impostos.
Para ilustrar o funcionamento, considerem dois carros fictícios, um flex e outro elétrico, ambos com 100 kW (136 cv), sem quaisquer ajustes adicionais por eficiência, segurança ou reciclabilidade. No caso do flex, a alíquota inicial seria de 7,05% (6,3% da base mais 0,75 ponto percentual pela potência), resultando em uma alíquota final de 8,53% após a multiplicação por 1,21. Já no elétrico, haveria um abatimento de dois pontos percentuais devido à propulsão, levando a uma alíquota inicial de 5,05% e uma final de 6,11%.
Com uma base de cálculo hipotética de R$ 100 mil para cada veículo, o Imposto Seletivo seria de R$ 8.530,50 para o flex e R$ 6.110,50 para o elétrico. É importante notar que esses montantes não correspondem ao imposto cobrado sobre o preço final dos carros, nem permitem calcular variações de preço em comparação ao sistema vigente.
Isso implica que veículos de preços similares podem pagar taxas distintas dependendo de suas especificações técnicas. Os carros elétricos também serão afetados pelo Imposto Seletivo, mesmo não emitindo poluentes em operação, e alguns modelos compactos podem obter alíquota zero se cumprirem os critérios do programa Carro Sustentável. Ademais, há previsão de isenções para veículos adquiridos por pessoas com deficiência e taxistas, respeitando as condições legais. Caminhões com peso superior a 3.500 kg estão isentos, mas picapes não se enquadram nessa exceção.
O governo alega que as alíquotas definidas para 2027 visam manter, em linhas gerais, o patamar tributário atual, prevenindo um aumento imediato da carga fiscal durante o período de transição. O fator de conversão de 1,21 não significa um acréscimo automático de 21% ao imposto pago atualmente; sua função é equilibrar a diferença entre as bases tributáveis. Novas alíquotas deverão ser estabelecidas a partir de 2028, momento em que o Imposto Seletivo exercerá mais diretamente sua função de desincentivar o consumo de certos produtos. Contudo, isso não garante que todos os modelos terão a mesma tributação de hoje.
Embora a medida provisória tenha força de lei desde sua publicação, ela ainda necessita de análise pelo Congresso Nacional. A cobrança está programada para iniciar em 2 de fevereiro de 2027.
BYD Yangwang U9 Extreme ultrapassa 500 km/h e permanece o carro mais rápido do mundo
O Yangwang U9 Extreme tornou-se o carro mais rápido produzido em série no planeta. Desenvolvido pela divisão de luxo e alto desempenho da BYD, o veículo alcançou impressionantes 503,17 km/h em 1º de novembro, em um trecho fechado da rodovia Sheikh Khalifa Bin Zayed International Road (E11), na área de Al Dhafra, em Abu Dhabi.
O piloto alemão Marc Basseng conduziu o teste. Ele não era novato na façanha, pois em setembro do ano anterior, ele havia levado o mesmo carro a 496,22 km/h na pista de testes de ATP Papenburg, na Alemanha. Naquela ocasião, o U9 Extreme superou o Bugatti Chiron, que detinha o recorde anterior ao atingir 490,48 km/h em agosto de 2019. Este recorde já foi formalmente reconhecido pela FIA, que divulgou um comunicado em seu portal oficial.
Apesar da conquista, levantou-se a questão sobre o sentido prático de continuar elevando os limites físicos de velocidade máxima. O Bugatti Veyron, há duas décadas, surpreendeu o mundo ao superar os 400 km/h com seu motor W16 quadriturbo de oito litros, potente em 1.011 cv.
Atualmente, o elétrico chinês requer quatro motores elétricos, gerando 3.019 cv, para exceder os 500 km/h, o que é mais que o dobro dos 1.299 cv da versão padrão (não-Extreme) do U9. Além disso, os pneus, componente mais vulnerável ao estresse de velocidades tão altas, foram desenvolvidos especificamente para este recorde, em colaboração com a Giti Tire, recebendo tratamento especial para evitar o desprendimento das rodas.
Os desafios do U9 Extreme não foram apenas mecânicos. Antes de atingir a marca de 503 km/h, o U9 Extreme sofreu um acidente significativo no mesmo trecho reto em Abu Dhabi. O piloto de testes Jiang Wen perdeu o controle e colidiu com a proteção lateral da pista a 450 km/h. Apesar disso, Wen saiu ileso, atestando a qualidade da estrutura e da célula de segurança do carro. Entretanto, o U9 Extreme, avaliado em mais de US$ 3 milhões, foi totalmente destruído. A data do ocorrido não foi divulgada.
Produção do Audi A8 encerrada após 32 anos
O declínio gradual dos sedãs de luxo prossegue com o encerramento da produção do A8, o modelo topo de linha da Audi, após 32 anos de comercialização. O fim do A8 ocorreu em fases. Inicialmente, sua permanência foi questionada após a divulgação dos menores números de vendas da história no ano passado, um sinal claro da preferência do mercado por SUVs de luxo. Naquele momento, a própria Audi admitiu não ter certeza sobre o futuro imediato do competidor do Mercedes-Benz Classe S e BMW Série 7.
Posteriormente, em março deste ano, foi tornado público que a Audi parou de aceitar pedidos do A8 na Alemanha. Quem desejasse um exemplar teria que procurar o estoque das concessionárias por conta própria ou tentar a sorte em outros países. Agora, a publicação alemã Auto motor und Sport informa que o último Audi A8 saiu da linha de produção em Neckarsulm em meados de outubro. A montadora redirecionou os recursos que eram destinados ao A8 para aumentar a fabricação dos modelos A5 e A6.
Lançado em 1994, o sedã passou por quatro gerações, sendo que a última, lançada em 2017, já demonstrava sinais de desgaste pelo tempo. Atualmente, não há planos concretos para um substituto ou uma nova geração do A8. Existem rumores de que um eventual retorno poderia utilizar a plataforma do Porsche Panamera. Outra possibilidade, mais alinhada com o cenário atual, envolve uma parceria com a chinesa Huawei, o que faz sentido visto que o Grupo Volkswagen busca intensificar a colaboração com parceiros na China para reduzir custos e agilizar o desenvolvimento de novos modelos. Nesse cenário, não seria incomum imaginar que um novo A8 seria restrito ao mercado chinês, onde os sedãs de luxo ainda mantêm uma participação relevante no mercado, contrariando a tendência global.
Corvette C8 finalmente recebe câmbio manual — mas não da GM
Quando a Chevrolet lançou o Corvette C8 em 2019, a mudança não se restringiu apenas à posição do motor. Pela primeira vez, nenhuma versão do Corvette podia ser equipada com câmbio manual. A GM justificava que «o câmbio automatizado de dupla embreagem e oito marchas permitia trocas mais rápidas e aproveitava melhor o desempenho do carro».
Entretanto, a demanda por uma opção manual persistiu. Após sete anos, uma preparadora americana resolveu o problema autonomamente. A Peitz Performance, localizada no Texas, apresentou na SEMA 2026 o primeiro Corvette C8 equipado com um câmbio manual de seis marchas funcional. A transmissão empregada é a Tremec TR-9060, um transeixo projetado para esportivos de motor central, apresentado na edição de 2025 do SEMA Show.
Este conjunto inclui câmbio e diferencial autoblocante, suporta 138 kgfm de torque e é capaz de operar com motores que giram até 8.600 rpm. O desafio principal residia na integração com o restante do veículo, pois o C8 foi concebido exclusivamente para o câmbio de dupla embreagem. Assim, a Peitz precisou desenvolver os comandos mecânicos e adaptar o gerenciamento eletrônico.
A alavanca de câmbio foi construída a partir de um mecanismo utilizado pela Porsche, e o pedal de embreagem foi adaptado do Cadillac CT4-V Blackwing, com modificações no suporte e no acionamento hidráulico. A McLeod desenvolveu um volante de motor específico, reaproveitando componentes do volante original do Corvette. A parte eletrônica demandou uma solução igualmente complexa, substituindo o gerenciamento original por módulos MoTeC: um M182 controla o motor, enquanto um M150 gerencia funções ligadas à transmissão, como cortes de ignição durante as trocas e acelerações automáticas nas reduções. A meta é que a conversão final mantenha o funcionamento dos instrumentos, ABS, direção elétrica e demais sistemas originais.
O protótipo exibido na SEMA é otimizado para pista, mas já foi pilotado por John McGann, editor da revista Hot Rod. Ele relatou que o acionamento da embreagem é relativamente pesado, embora os engates sejam curtos e precisos. McGann reconhece que a transmissão original de dupla embreagem provavelmente mantém maior velocidade, mas considera a experiência de dirigir o Corvette manual muito mais imersiva.
A adaptação, contudo, não é simples nem econômica. A Peitz Performance já anunciou o conjunto por US$ 74.528,99, valor próximo ao preço de um Corvette Stingray novo nos Estados Unidos. O sistema eletrônico definitivo deve estar pronto no primeiro trimestre de 2027, e a disponibilidade da transmissão para clientes está prevista para julho.
Mazda Miata de 13 rotores é real (mas possui um segredo)
O Mazda MX-5 Miata é um dos carros esportivos mais apreciados mundialmente por diversas razões, mas seu apelo mais forte reside em sua atratividade universal para qualquer entusiasta: um veículo leve, com motor aspirado naturalmente, tração traseira e dinâmica excelente, projetado para proporcionar alegria ao dirigir, não necessariamente por alcançar velocidades extremas, mas por sua performance em curvas.


