Investidores retiraram US$ 2,5 trilhões, o que equivale a aproximadamente R$ 13,7 trilhões em valor de mercado, do Nasdaq 100. Essa forte onda de vendas foi impulsionada por ações de tecnologia e reflete a apreensão de que haverá maior resistência política à expansão de centros de dados destinados à inteligência artificial.
A queda ocorreu logo após a vitória expressiva do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. Há um temor entre os investidores de que o novo panorama político possa dificultar o crescimento da infraestrutura de IA e piorar as condições de financiamento para empresas menores neste setor.
O Nasdaq Composite registrou uma baixa de 5,5%, enquanto o Nasdaq 100 recuou 6,4%. Com essa perda acumulada de quase 12% desde o pico registrado em 6 de outubro, o índice entrou em território de correção, que é definido como uma queda mínima de 10% em relação ao seu ponto mais alto recente.
A conquista de diversos governos estaduais pelos democratas intensificou as preocupações relativas à oposição local à construção de novas instalações. Tais projetos estão sendo alvo de questionamentos referentes ao uso de energia e água, além de exercerem pressão sobre os sistemas de abastecimento existentes.
De acordo com estimativas de analistas do UBS, estima-se que cerca de 30% da capacidade adicional de centros de dados projetada para os Estados Unidos em 2028 possa ser ameaçada devido a possíveis paralisações na construção. Este cenário também gera incertezas quanto ao retorno financeiro dos investimentos bilionários direcionados à inteligência artificial.
Michael O’Rourke, estrategista-chefe de mercado da JonesTrading, identificou a desaceleração das obras como um dos fatores centrais por trás da reação observada pelos investidores.
A retração afetou tanto os fabricantes de chips quanto as empresas que fornecem infraestrutura de computação para aplicações de IA. O índice Philadelphia Semiconductor despencou 12%, atingindo seu nível mais baixo em mais de seis meses.
Empresas de neocloud, que são especializadas em infraestrutura de computação em nuvem, também enfrentam preocupações sobre o financiamento de suas atividades. Os contratos de proteção contra calote de cinco anos da CoreWeave chegaram a um recorde de 1.267,9 pontos-base, e na Intel, o indicador atingiu 149,7 pontos-base, também um recorde.
Desde o ápice do Nasdaq em 6 de outubro, as ações da CoreWeave e da Nebius perderam pelo menos metade de seu valor. Para Ted Parkhill, fundador e CEO da Incline Investment Management, foi declarado que «o mercado está passando da promessa da IA para o preço da IA».
A desvalorização alcançou também companhias que inicialmente haviam resistido à onda de vendas. Amazon e Alphabet registraram quedas de 2,2% cada, enquanto a Microsoft recuou 3,6%.
O movimento negativo se estendeu a companhias de energia e fornecedoras de equipamentos. A GE Vernova sofreu uma perda de 7,4%, e a Constellation Energy caiu 2,5%.
O Nasdaq 100 recuou 6,4%, resultando na eliminação de US$ 2,5 trilhões em valor de mercado. Paralelamente, o VIX, que mede a volatilidade esperada do mercado, atingiu seu maior patamar desde dezembro de 2024.
Em mercados asiáticos, o Nikkei, do Japão, e o Kospi, da Coreia do Sul, também apresentaram quedas após terem acumulado valorizações superiores a 20% no ano.
A instabilidade atual levantou dúvidas entre analistas sobre o cronograma da Oferta Pública Inicial de Ações (IPO) da Anthropic, prevista para o outono do hemisfério norte. Adicionalmente, segundo a Bloomberg News, a Microsoft está intensificando a fiscalização de certos projetos de centros de dados vinculados à Nebius, à IREN e à Nscale.

