Telescópio subaquático testa leis de Einstein com análise de neutrinos
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Telescópio subaquático testa leis de Einstein com análise de neutrinos

Um dos princípios fundamentais da teoria da relatividade de Albert Einstein afirma que as leis da física são as mesmas para todos os observadores, independentemente do seu movimento. No entanto, pesquisadores da colaboração internacional KM3NeT utilizaram um telescópio instalado nas profundezas do Mar Mediterrâneo para verificar se essa regra se aplica em todas as circunstâncias.

A equipe analisou 5.828 candidatos a neutrinos atmosféricos e não encontrou sinais de violação da chamada invariância de Lorentz. Apesar do resultado negativo, o estudo estabeleceu novos limites experimentais para possíveis mudanças nas leis da física, incluindo restrições sem precedentes relativas a dois tipos dessas partículas, de acordo com informações do portal Eurekalert.

A invariância de Lorentz está no centro da teoria da relatividade de Einstein. No entanto, algumas propostas teóricas destinadas a conciliar a gravidade com a física quântica sugerem que este princípio pode não ser válido em todas as condições.

Uma dessas hipóteses considera a possibilidade de que o espaço-tempo, geralmente considerado uma estrutura contínua, possa ser composto por unidades extremamente pequenas e discretas. Se isso ocorrer, algumas propriedades fundamentais da física podem apresentar diferenças sob certas condições.

Os neutrinos são partículas particularmente interessantes para estudar essa possibilidade. Eles interagem fracamente com a matéria e são capazes de percorrer enormes distâncias, incluindo a passagem através da Terra. Uma característica importante é a capacidade de mudar de um tipo para outro durante o trânsito, conhecida como oscilação de neutrinos, que inclui três sabores: eletrônico, muônico e tauônico.

A probabilidade dessas transformações pode ser prevista com alta precisão pelos modelos físicos existentes. Se as observações mostrarem desvios das previsões, isso pode indicar a existência de fenômenos ainda desconhecidos, incluindo possíveis violações da invariância de Lorentz.

Para procurar esses desvios, os pesquisadores utilizaram dados do KM3NeT/ORCA, um detector de neutrinos localizado nas profundezas do Mar Mediterrâneo. A análise cobriu 1,4 ano de observações realizadas apenas com seis blocos de detecção, o que foi feito em estágio inicial da construção do equipamento. A equipe comparou a energia e a direção de chegada dos neutrinos registrados com as previsões teóricas. Um total de 5.828 eventos candidatos a neutrinos atmosféricos, formados pela interação de raios cósmicos com a atmosfera da Terra, foram analisados.

Os resultados não revelaram nenhuma violação da invariância de Lorentz. No entanto, os dados obtidos permitiram estabelecer limites mais rigorosos para a intensidade de certos efeitos capazes de alterar o comportamento dessas partículas. Uma das principais conquistas foi a determinação inédita de limites diretos para possíveis diferenças relacionadas a neutrinos muônicos e tauônicos, bem como oscilações entre esses dois sabores.

Mesmo utilizando apenas uma pequena parte da estrutura planejada, o KM3NeT/ORCA conseguiu obter resultados comparáveis aos de experimentos de longo prazo, como IceCube e Super-Kamiokande. O detector continua a ser expandido, e os pesquisadores esperam que o aumento do volume de dados permita estudar efeitos ainda mais fracos. A colaboração também planeja expandir a análise para o KM3NeT/ARCA, outro detector desta estrutura projetado para estudar neutrinos de muito maior energia provenientes de fontes astrofísicas distantes.

Essas partículas podem ser particularmente úteis, pois alguns possíveis efeitos de violação da invariância de Lorentz tornam-se mais evidentes em altas energias e grandes distâncias. Por enquanto, ainda não há quantidade suficiente de neutrinos astrofísicos para realizar tal análise com o ARCA.

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Telescópio espacial Swift da NASA retorna à Terra após mais de duas décadas em órbita
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Telescópio espacial Swift da NASA retorna à Terra após mais de duas décadas em órbita

O telescópio espacial Swift, pertencente à NASA, finalizou sua jornada de mais de vinte anos no espaço nesta quarta-feira (4). O observatório reentrou na atmosfera terrestre de forma descontrolada, três meses após uma tentativa de resgate conduzida por uma companhia privada ter falhado.

Oficialmente nomeado Neil Gehrels Swift Observatory, o instrumento foi colocado em órbita em novembro de 2004 com o propósito de investigar explosões de raios gama, consideradas alguns dos eventos mais potentes do Universo.

De acordo com dados reportados pelo Space.com, o telescópio cruzou a atmosfera às 9h39 (horário de Brasília) sobre o norte de Sumatra, na Indonésia. O equipamento possuía um peso aproximado de 1.450 kg e suas dimensões eram comparáveis às de um micro-ônibus.

A maior parte da estrutura era esperada para se desintegrar durante a passagem atmosférica. Anteriormente à reentrada, a NASA calculou que a probabilidade de qualquer fragmento sobrevivente atingir alguém na superfície terrestre era de apenas uma em 2.1 mil.

O retorno à Terra poderia ter sido postergado. Em setembro de 2025, a NASA firmou um contrato de US$ 30 milhões (equivalente a cerca de R$ 165 milhões) com a empresa americana Katalyst Space para desenvolver uma missão robótica destinada a elevar a órbita do Swift.

O observatório estava perdendo altitude progressivamente devido ao arrasto atmosférico e não dispunha de propulsores próprios para neutralizar esse efeito.

Para executar o resgate, a empresa criou a LINK, uma nave robótica equipada com três braços e com tamanho similar ao de uma geladeira. Este equipamento foi lançado em 3 de julho de 2026, visando alcançar o Swift em agosto.

Contudo, a operação não ocorreu conforme o previsto. A LINK enfrentou problemas no seu sistema de propulsão e nas rodas de reação responsáveis por manter sua orientação espacial, o que impossibilitou o encontro com o telescópio. A própria espaçonave de resgate acabou retornando à Terra em 25 de setembro.

Apesar do insucesso da missão de resgate, a NASA avaliou que a iniciativa proporcionou conhecimentos valiosos para futuras operações de manutenção e prolongamento da vida útil de satélites.

O fim da missão Swift não é um evento isolado. Um relatório de 2025, citado pelo Space.com, indica que, em média, pelo menos três objetos grandes — sejam satélites desativados ou partes de foguetes — voltam à atmosfera terrestre diariamente.

Projeta-se que este número venha a crescer nos próximos anos, à medida que a humanidade aumenta a quantidade de satélites em órbita, especialmente através das megaconstelações. Assim, o término da missão Swift também destaca um desafio crescente para a exploração espacial: gerenciar a quantidade cada vez maior de equipamentos orbitais e planejar o destino dessas estruturas quando elas deixam de operar.

Ciência por trás do observatório de neutrinos premiado com o Nobel de Física
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Ciência por trás do observatório de neutrinos premiado com o Nobel de Física

Francis Halzen, naturalizado estadunidense e belga, foi agraciado com o Prêmio Nobel de Física de 2026 pelo seu trabalho fundamental no desenvolvimento do IceCube. Este observatório está situado nas profundezas do gelo do Polo Sul, na Antártida, e possui a capacidade de identificar neutrinos de alta energia, fornecendo novas informações sobre os ambientes mais extremos do Universo.

O tema foi abordado no programa Olhar Espacial desta sexta-feira (30), onde o físico Alexandre Cherman participou para detalhar como o IceCube auxilia na investigação dos fenômenos cósmicos mais intensos e o que os neutrinos podem revelar sobre eles. Cherman, que é astrônomo, doutor em física teórica, cientista de dados, educador, palestrante e autor de oito livros, também é coautor do jogo educativo Banco Imobiliário Cósmico, produzido pela Estrela Cultural. Atualmente, ele lidera a área de Astronomia da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro.

A concepção de utilizar o gelo antártico como um detector de partículas remonta a 1988. Após mais de vinte anos de desenvolvimento, o IceCube começou a operar em 2010. Sua estrutura abrange cerca de um quilômetro cúbico de gelo e é composta por 5.160 sensores ópticos, distribuídos em 86 cabos verticais que se estendem entre 1,45 e 2,45 quilômetros de profundidade.

Neutrinos são partículas subatômicas que não possuem carga elétrica e apresentam massa muito reduzida. Gerados em diversos eventos naturais, eles conseguem atravessar corpos celestes, como planetas e estrelas, e até mesmo o corpo humano, interagindo minimamente com a matéria. Estima-se que aproximadamente cem trilhões desses neutrinos passam por uma pessoa a cada segundo.

A detecção desses neutrinos acontece quando eles colidem com um átomo presente no gelo, gerando partículas carregadas. Estas, por sua vez, emitem um breve brilho azulado conhecido como radiação Cherenkov. Os sensores capturam esses sinais, permitindo que os pesquisadores calculem a energia e determinem a direção de origem da partícula.

Ao contrário dos telescópios convencionais, que funcionam captando luz, o IceCube foca na observação de partículas. Devido à ausência de carga elétrica nos neutrinos, seus caminhos não são alterados por campos magnéticos. Isso possibilita que eles apontem para a localização de aceleradores cósmicos, ou seja, ambientes extremos capazes de gerar partículas com energias muito superiores às alcançadas em laboratórios terrestres.

As descobertas feitas pelo observatório impulsionaram o campo da astronomia de neutrinos, que complementa as observações realizadas com luz e ondas gravitacionais. O IceCube permanece em funcionamento e está recebendo melhorias contínuas para aumentar sua capacidade de detecção, identificar novas fontes dessas partículas e auxiliar na compreensão dos fenômenos mais extremos do Universo.

Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia – APA, membro da SAB – Sociedade Astronômica Brasileira, diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon) e coordenador nacional do Asteroid Day Brasil, apresenta o programa, que é transmitido ao vivo todas as sextas-feiras às 21h (horário de Brasília) pelos canais oficiais do veículo nas plataformas YouTube, Facebook, Instagram, X (antigo Twitter), LinkedIn e TikTok. O conteúdo original foi publicado no Olhar Digital.

Telescópio da NASA Swift será desativado após falha em tentativa de resgate
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Telescópio da NASA Swift será desativado após falha em tentativa de resgate

A NASA formalmente encerrou a missão do telescópio espacial Swift, visto que uma tentativa de resgate não obteve êxito. Este observatório, que dedicou mais de duas décadas ao estudo do Universo, está em processo de perda de altitude e deverá reentrar na atmosfera terrestre nas próximas semanas.

A operação de salvamento foi realizada pela Katalyst Space Technologies, uma empresa sediada no Arizona, nos Estados Unidos. Esta companhia desenvolveu a nave denominada LINK com o propósito de alcançar o telescópio e elevá-lo para uma órbita superior, possibilitando a continuidade das suas investigações científicas.

Contudo, a iniciativa não foi bem-sucedida. Aproximadamente três semanas após seu lançamento, em 3 de julho, a nave LINK enfrentou problemas no seu sistema de propulsão e nas rodas de reação responsáveis por manter sua orientação. Tais falhas provocaram que a nave girasse em uma velocidade imprevista, o que impossibilitou a captura e elevação do Swift.

Apesar dos contratempos, a LINK conseguiu se aproximar do observatório e registrar fotografias dele. A separação entre as duas naves variou entre 12 e 15 quilômetros, o que se mostrou insuficiente para finalizar a operação planejada.

O Swift estava perdendo altitude devido ao atrito atmosférico e não dispõe de propulsores adequados para neutralizar esse efeito. Em setembro de 2025, a NASA concedeu à Katalyst um contrato no valor de US$ 30 milhões (equivalente a cerca de R$ 162 milhões) para tentar salvar o observatório.

A estratégia adotada previa uma nave com dimensões comparáveis às de uma geladeira, munida de três braços robóticos. A concepção era que a LINK pudesse alcançar o Swift, prendê-lo e conduzi-lo a uma órbita mais elevada. Essa missão era pioneira, pois nenhuma nave particular havia conseguido capturar e elevar um satélite que não fosse projetado para receber tal tipo de manutenção. A celeridade também era crucial, dado que o Swift continuava a perder altitude enquanto a preparação da operação prosseguia.

Embora a tentativa não tenha conseguido estender a vida útil do telescópio, a NASA considerou que o projeto foi valioso para fomentar o desenvolvimento de tecnologias de manutenção robótica no espaço e para testar a capacidade de executar operações desse porte em períodos curtos.

O Swift recebeu oficialmente o nome de Neil Gehrels Swift Observatory em 2018, em memória de seu primeiro investigador principal, que faleceu no ano anterior. Com o fim da missão, o observatório retornará à atmosfera terrestre nas próximas semanas, mas os dados coletados permanecerão acessíveis para futuras pesquisas científicas.

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