A sensação de vivenciar algo e, simultaneamente, ter uma forte convicção de que tal evento já ocorreu anteriormente é denominada déjà vu. Esta expressão, que significa 'já visto' em francês, foi introduzida no século XVIII pelo parapsicólogo Émile Boirac para caracterizar este fenômeno intrigante.
Apesar de ser uma vivência bastante comum, a ciência ainda não possui uma compreensão total do déjà vu, embora seja sabido que ele não possui natureza paranormal. Ao longo da história, várias abordagens tentaram elucidar este mistério, desde discussões na Grécia Antiga até interpretações variadas.
Para a área de parapsicologia, o déjà vu pode ser interpretado como uma forma de presságio, enquanto espíritas o ligam a experiências de espíritos fora do corpo durante o sono. Sigmund Freud também buscou desvendar o enigma, associando o fenômeno a desejos inconscientes ou fantasias passadas. Contudo, a perspectiva científica aponta firmemente para uma origem inteiramente biológica.
Os cientistas concordam que a causa do déjà vu reside em um erro na transmissão de informações dentro do cérebro. O sistema nervoso humano está continuamente comparando dados novos com cenários que ele consegue prever. Um exemplo disso é quando o cérebro, ao observar dois veículos em alta velocidade, antecipa um possível acidente.
Esses dois sinais — o da percepção atual e o da previsão — chegam ao hipocampo, a região cerebral responsável por realizar essa comparação, de maneira quase simultânea. O déjà vu acontece quando há uma dessincronização entre esses dois estímulos ao atingirem o hipocampo. Se, por alguma modificação na atividade neuronal, a previsão chegar um pouco antes da percepção do momento presente, o cérebro passa a interpretar o que está ocorrendo como algo que já foi vivido.
Essa falha de sincronia gera a falsa impressão de que a situação presente faz parte do nosso histórico. Nesse breve lapso, o indivíduo pode perceber uma cena completa, incluindo sons e odores, e sentir-se absolutamente certo de já ter passado por aquilo, chegando até a acreditar que pode 'antecipar' os detalhes subsequentes. Entretanto, trata-se de uma ilusão passageira, durando apenas alguns segundos, até que o cérebro consiga restaurar sua sincronia habitual.


