A Uber está intensificando seu investimento em veículos autônomos para competir com outras empresas que já oferecem corridas sem motorista. A companhia estabeleceu como meta ter mais de dois mil carros totalmente autônomos operando em sua plataforma até o término de 2027. Este objetivo representa um aumento significativo em comparação com os aproximadamente 700 veículos que a empresa espera reunir até dezembro do corrente ano.
Este plano foi divulgado na quarta-feira, dia 4, durante a apresentação dos resultados financeiros referentes ao terceiro trimestre de 2026. Conforme declarado pelo CEO da empresa, Dara Khosrowshahi, a estratégia de mobilidade autônoma está entrando em uma nova fase, focada na expansão comercial desses serviços.
A Uber se comprometeu a alocar mais de US$ 10 bilhões (equivalente a cerca de R$ 54,8 bilhões) para expandir sua rede de robotáxis. Além disso, a empresa definiu uma meta de longo prazo ambiciosa: disponibilizar mais de 120 mil veículos sem motorista em operação. Dos mais de dois mil veículos previstos para 2027, cerca de metade deve ser implementada nos Estados Unidos, enquanto a outra metade será destinada a mercados internacionais.
Essa aposta em veículos sem motorista ocorre em um contexto de pressão sobre a operação tradicional da Uber. A divisão de mobilidade registrou uma receita de aproximadamente US$ 7,5 bilhões (R$ 41,1 bilhões) no terceiro trimestre, valor inferior em cerca de US$ 200 milhões (R$ 1,1 bilhão) às projeções dos analistas, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.
A empresa enfrenta desafios relacionados à dificuldade de aumentar a oferta de motoristas em certos mercados e também sente o impacto do aumento dos custos de combustível. Para mitigar essa situação, a Uber tem implementado incentivos financeiros e bônus de adesão para os condutores.
Apesar dos contratempos, os resultados globais indicam crescimento contínuo da plataforma. As reservas brutas, métrica que soma os gastos dos clientes nos serviços da Uber, cresceram 20% em comparação com o mesmo período do ano anterior, atingindo US$ 59,8 bilhões (R$ 327,7 bilhões). A receita total da companhia alcançou US$ 14,8 bilhões (aproximadamente R$ 81,1 bilhões), representando um aumento anual de 10%. O lucro operacional, calculado sob os princípios contábeis estadunidenses (GAAP), somou US$ 1,4 bilhão (cerca de R$ 7,7 bilhões).
A Uber também comunicou a intenção de diminuir o ritmo de aquisições para direcionar os recursos para os veículos autônomos e para a recompra de ações. Em setembro, a empresa havia anunciado planos para reduzir cerca de 10% de seu quadro de funcionários global, o que corresponde a aproximadamente 3,3 mil cargos.
Dara Khosrowshahi esclareceu que a expansão inicial dos robotáxis será financiada com recursos próprios da empresa. A busca por investimentos externos só ocorrerá quando a frota autônoma exceder dez mil veículos, o que pode começar a acontecer a partir de 2028.
Atualmente, a companhia opera em nove cidades e planeja adicionar até mais 15 locais à sua lista ainda em 2026. Esse progresso depende da disponibilidade de veículos, da infraestrutura necessária e da capacidade dos parceiros em colocar os serviços em funcionamento. A meta de dois mil carros em 2027 é apenas uma etapa dentro de um projeto muito maior, exigindo que a Uber consiga converter acordos com fabricantes e desenvolvedoras de tecnologia em serviços comerciais escaláveis para competir com líderes já estabelecidos na corrida dos robotáxis.


