A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou que um em cada quatro adolescentes não realiza nenhum tipo de atividade física em 2025. Essa tendência de sedentarismo persiste globalmente sem mudanças desde 2010.
Os dados foram apresentados no relatório da agência das Nações Unidas para a Saúde, focado nas tendências de atividade física de jovens entre 11 e 17 anos. O estudo concluiu que aproximadamente 25% dos adolescentes relataram não ter tido nenhum dia ativo ao longo de uma semana.
A avaliação do nível de atividade física foi feita mediante um questionário aplicado a mais de 3,2 milhões de adolescentes de diversos países. Este questionário indagou quantos dias na semana anterior eles haviam acumulado pelo menos 60 minutos de atividade física moderada a vigorosa, abrangendo tanto o ambiente escolar quanto o tempo livre.
Estima-se que os cerca de 25% que não tiveram dias ativos correspondam a cerca de 240 milhões de adolescentes mundialmente. O relatório alerta que somente 14% dos entrevistados afirmaram manter-se ativos durante os sete dias, sendo a média de apenas 2,7 dias por semana.
As novas projeções indicam que, no total, 86% dos adolescentes reportaram ter menos de sete dias ativos em 2025, um dado que não sofreu alteração desde 2010.
Durante uma coletiva de imprensa para apresentar os achados, o diretor do Departamento de Determinantes da Saúde da OMS expressou preocupação, lamentando que «o progresso estagnou nos últimos 15 anos e, por isso, estamos muito longe de estar no caminho para atingir o objetivo de 2030 para a atividade física».
Etienne Krug esclareceu que a atividade física considerada não se restringe apenas à ida a ginásios ou à prática de esportes, englobando também hábitos cotidianos. Isso sugere a necessidade de tornar atividades como caminhar ou pedalar mais seguras para os jovens.
A OMS também observou que as meninas apresentaram menor nível de atividade em comparação com os meninos na maioria dos países analisados. Para a organização, essa disparidade reflete «oportunidades desiguais de participação e barreiras sociais, culturais e ambientais persistentes, em vez de diferenças de interesse ou de capacidade».
Apesar do aumento no reconhecimento da relevância da atividade física, a OMS ressalta que «os níveis globais pouco mudaram desde 2010», advertindo que as tendências atuais apontam para que nenhum país esteja seguindo o caminho adequado para alcançar a meta global de reduzir em 15% a inatividade física até 2030.
O documento enfatiza que, «sem ações aceleradas, a inatividade entre os adolescentes deverá permanecer praticamente inalterada durante o resto da década». Ele defende que todos os setores devem contribuir para reverter esse quadro, incluindo saúde, educação, transportes, esporte, planejamento urbano, desenvolvimento juvenil e comunidade.
Entre as medidas propostas pela OMS para modificar os índices de inatividade, destaca-se a melhoria da segurança em vias públicas, espaços abertos e sistemas de transporte, visando estimular o uso de bicicletas e caminhadas, com foco especial nas necessidades de meninas e mulheres.
Segundo a chefe da Unidade de Vigilância, Monitorização e Notificação de Doenças Não Transmissíveis, transformar o cenário atual exige que a atividade física seja mais acessível no cotidiano e que todos os adolescentes tenham acesso a essas oportunidades, inclusive nas escolas.
Leanne Riley alertou que «é bastante óbvio que mais do mesmo não vai resolver este problema que os dados mostram que tem estado estagnado nos últimos 15 anos».



