O mundo automotivo registrou dois acontecimentos notáveis: a venda de um Honda NSX pertencente a Ayrton Senna por um valor expressivo e a conquista do título mundial de Fórmula 1 por Kimi Antonelli.
Em relação ao veículo de Senna, um dos modelos Honda NSX foi arrematado pela RM Auction’s durante o The London Auction, seu principal evento de outubro. O carro, que era vermelho e estava na posse de Senna na Quinta do Lago, em Portugal, foi vendido por £871.000, o que equivale a aproximadamente R$ 6,3 milhões. Este valor excedeu a estimativa inicial da casa de leilões, que situava o preço entre £500.000 e £800.000.
O histórico do NSX, com chassi número T000233, é bem documentado: ele foi presenteado pela Honda ao piloto brasileiro em 1991 e registrado em 22 de março de 1991 com a placa SX-25-59. Após o falecimento de Senna, em 1º de maio de 1994, o carro passou para a concessionária Nipomotor, localizada no distrito de Faro, em Portugal, responsável pela sua importação. Posteriormente, em 2009, ele foi comprado por um proprietário de loja de carros no Algarve, e em 2013, o colecionador britânico Robert McGagan adquiriu o NSX para uso pessoal.
O carro foi mantido por um colecionador japonês na província de Nagoya. Embora Senna possuísse outros dois exemplares pretos do Honda NSX, sua imagem está mais ligada ao modelo vermelho. O novo comprador, cuja identidade não foi divulgada, recebeu toda a documentação, incluindo uma cópia do fax que atesta o presente da Honda a Ayrton Senna.
Em outra esfera, Kimi Antonelli alcançou o título mundial de Fórmula 1, tornando-se o campeão mais jovem da história. O italiano garantiu o título de 2026 no último domingo (1º), ao finalizar o GP do México em terceiro lugar com a Mercedes. Com apenas 20 anos e 68 dias, Antonelli quebrou o recorde estabelecido por Sebastian Vettel, que havia conquistado seu primeiro título aos 23 anos e 134 dias em 2010.
Antonelli também encerrou um jejum de 73 anos da Itália, que não tinha um campeão desde Alberto Ascari, em 1953. Ele chegou ao México necessitando apenas do nono lugar para assegurar o campeonato, independentemente dos resultados dos adversários. Partindo em quarto lugar, realizou uma corrida cautelosa, gerenciando os pneus e evitando problemas em uma prova marcada por acidentes, intervenções do Safety Car e uma bandeira vermelha decorrente da forte colisão de Valtteri Bottas, que sofreu uma falha de suspensão em seu Cadillac.
Na relargada, Antonelli ultrapassou Charles Leclerc e consolidou a terceira posição, que manteve até o fim da corrida. A vitória no México foi de Max Verstappen, que largou em quinto e terminou apenas 0,799 segundo à frente de Lewis Hamilton, que ficou em segundo lugar com a Ferrari. Leclerc concluiu em quarto, seguido por Lando Norris, enquanto George Russell, colega de Antonelli na Mercedes, ficou em sexto lugar.
Este título foi conquistado na segunda temporada de Antonelli na Fórmula 1. Ele foi selecionado pela Mercedes para substituir Hamilton em 2025 e, após um ano inicial de aprendizado, tornou-se o terceiro campeão italiano da história, somando-se a Giuseppe Farina e Alberto Ascari. Com uma vantagem de 119 pontos, ele garantiu o campeonato antecipadamente, antes mesmo do GP de São Paulo, programado para o próximo fim de semana, de 6 a 8 de novembro. A Mercedes também lidera o Mundial de Construtores, mas ainda não assegurou o título.
Outras notícias abordaram a intenção da Anfavea, associação de fabricantes de veículos no Brasil, de aumentar a tributação de carros importados e restringir a entrada de veículos chineses. Igor Calvet, presidente da entidade, apresentou propostas ao vice-presidente Geraldo Alckmin, visando conter o aumento de importações, que cresceram 106,4% entre janeiro e setembro de 2026 comparado ao mesmo período do ano anterior.
As propostas incluem a criação de salvaguardas comerciais temporárias, aplicadas como sobretaxa a veículos importados por empresas que não produzem no Brasil; a instituição de uma CIDE Automotiva, contribuição cobrada sobre o valor dos veículos importados, além do Imposto de Importação de 35%, podendo abranger autopeças; e a negociação de um limite anual de importações da China equivalente a 2,5% a 3% do mercado brasileiro, ou cerca de 75.000 a 90.000 unidades anuais.
É relevante notar que a sobretaxa proposta pela Anfavea não afetaria as importações realizadas pelas próprias fabricantes que já operam no Brasil, nem os kits CKD e SKD usados na montagem local. Segundo Calvet, essas medidas buscam proteger a competitividade da indústria instalada no Brasil frente ao crescimento das marcas chinesas e aos custos de produção nacionais. Alckmin encaminhará as sugestões para análise técnica e jurídica do governo, com expectativa de novos desenvolvimentos em novembro, após a Fenatran.
Adicionalmente, o Rally Dakar retornará à África, mas com uma alteração no trajeto. A organização anunciou que a edição de 2027 ocorrerá entre Portugal e Marrocos, abandonando a Arábia Saudita devido a questões de segurança no Oriente Médio. A 49ª edição está prevista para acontecer de 9 a 23 de janeiro de 2027, com partida em Loulé-Faro, na região algarvia de Portugal, e chegada em Marrakech, Marrocos. O percurso total será de 7.824 km, sendo 4.341 km cronometrados, distribuídos em um prólogo e 12 etapas.
O trajeto marroquino contemplará 11 etapas, passando por Bouarfa, Zagora, Agadir, Smara e Dakhla antes de finalizar em Marrakech. A organização prevê especiais de 350 a 500 km, abrangendo montanhas, terrenos pedregosos e vastas áreas desérticas do sul do país, com um dia de descanso previsto em Agadir. O Dakar, que nasceu em 1978 entre Paris e a capital do Senegal, teve sua trajetória interrompida na África em 2007, mudando-se para a América do Sul em 2008 e depois para a Arábia Saudita em 2020. No entanto, a mudança para 2027 é considerada temporária, pois a organização confirmou o retorno à Arábia Saudita em 2028 para a 50ª edição. O calendário de 2027 aguarda a aprovação formal do Conselho Mundial de Automobilismo da FIA. O Dakar Classic, destinado a veículos históricos, também seguirá a rota para Portugal e Marrocos.
Por fim, a Renault Duster Oroch, pioneira das picapes monobloco, encerrou sua produção no Brasil após 11 anos e a venda de cerca de 139.000 unidades. A Renault iniciou este segmento com a versão de caçamba da Duster no final de 2015, antes da Fiat Toro. Em 2022, a picape passou por sua última grande atualização, trocando o nome Duster. Embora a Toro fosse referência, a Duster era vista mais como um utilitário, enquanto a Toro apresentava um estilo mais moderno e ousado.
A sucessora da Oroch é a Renault Niagara, que foi lançada recentemente e começou a ser comercializada na Argentina nesta segunda-feira (2). Com base na plataforma e no design contemporâneo herdados do SUV Boreal, a Niagara possui maior potencial para competir com a Fiat Toro. Diferentemente da Oroch, que era fabricada em São José dos Pinhais (PR), a Renault Niagara será produzida em Córdoba, Argentina.



