O autor relata sua longa intenção de participar da Autoclásica, evento realizado em San Isidro, Argentina, um desejo que ele vinha adiando desde há pelo menos quatro anos devido a dificuldades de organização, mudanças de cidade e falta de planejamento financeiro e pessoal.
Além da Autoclásica, havia outro destino desejado há muito tempo: o Museu Fangio, localizado em Balcarce. Ambos os locais são considerados pontos imperdíveis para entusiastas de automobilismo na Argentina, embora não sejam adjacentes, o que exigia um planejamento mais detalhado.
Em 2025, o MAO conseguiu realizar a ida à Autoclásica. Naquele ano, Pedro, da ACE, organizou uma expedição patrocinada pela Ford, que transportou cinco Ford Modelo A brasileiros para a exposição argentina, contando com o apoio de um Bronco e uma F-150.
Essa expedição deu origem a algo ainda mais notável. No mesmo ano, outro Pedro, conhecido como Mazza, realizou uma jornada automobilística pela Argentina, visitando oficinas e autódromos. Durante uma parada em Balcarce, na sede da Crespi Competición, fundada por Tulio Crespi nos anos 1960, Mazza conversou com Tulio e descobriu a possibilidade de pilotar alguns dos carros da empresa no autódromo local.
Balcarce também oferecia a oportunidade de visitar o Museu Juan Manuel Fangio, administrado pela fundação em homenagem ao pentacampeão. A proposta ia além da visita, incluindo a chance de dirigir carros históricos mantidos pela Fundação.
A organização dessa experiência exigia mais do que apenas comparecer; era necessário estabelecer contatos, estruturar a logística e obter acesso. Assim, os dois Pedros uniram forças para organizar a expedição de 2026, integrando a ACE e o Driven by Mazza. O pacote incluía a viagem internacional, a participação na Autoclásica e experiências exclusivas em Balcarce, com hospedagem no Casco de Fangio, hotel pertencente à fundação Fangio.
O FlatOut atuou como parceiro de mídia, e a viagem serviria como oportunidade para o formato conhecer de perto e avaliar o que poderia ser oferecido aos membros do FlatOut Clubsport.
Para o autor, a principal motivação era concretizar a visita à Autoclásica e ao Museu Fangio na mesma viagem, sendo a possibilidade de dirigir carros de corrida em Balcarce um elemento inesperado no roteiro inicial.
A expedição partia de São Paulo em 3 de outubro, percorrendo o Sul do Brasil, atravessando o Uruguai até Colonia del Sacramento e, subsequentemente, cruzando o Rio da Prata até Buenos Aires. De lá, seguiam para Balcarce, onde aguardavam a Crespi, o autódromo e a Fundação Fangio, antes de retornar à capital argentina para os quatro dias da Autoclásica.
Os participantes utilizariam três veículos distintos: um Chevrolet Chevette 1982, um Volkswagen Gol CL 1992 com motor 1.8 e características do GL, e um Triumph GT6 1972. Um Volkswagen Golf Variant funcionaria como veículo de apoio. Estes carros eram dos próprios participantes, clientes da expedição e assinantes do FlatOut, representando diferentes escolas automobilísticas.
Kiko, Fernando e Marco optaram por fazer a viagem de estrada. Fernando e Leonardo viajariam de avião até Buenos Aires, juntando-se ao grupo apenas para as atividades em Balcarce. Adicionalmente, os Pedros tinham a tarefa de transportar dois esportivos brasileiros do acervo do Dream Car Museum, em São Roque — um Concorde 1979 e um Hofstetter Turbo automático — em plataformas, realizando uma logística própria para cruzar fronteiras.
O plano original envolvia um segundo carro de apoio, mas a ausência de patrocínio impediu essa mudança, forçando o autor a viajar como passageiro. Ele também pretendia estender a estadia em Buenos Aires para reencontrar sua esposa, planejando uma viagem mais reflexiva, inspirada em autores como Clarkson, Chesterton e Setright. Contudo, acabou ficando sem carro, mas não sem a viagem.
O grupo se reuniu na noite de sábado, em São José/SC, após a primeira fase iniciada em São Paulo. No domingo, seguiriam para Pelotas/RS, onde passariam a noite antes de cruzar a fronteira com o Uruguai na segunda-feira.
Um longo domingo
Na manhã de domingo, ao partirem de São José em direção a Pelotas, o Triumph apresentou falhas na ignição, um problema elétrico comum em carros ingleses antigos. Embora Marco, o proprietário, soubesse que seria necessário excitar o alternador, o procedimento não resolveu o problema naquele dia. A suspeita recaiu sobre a bateria, mas, estando na região de Florianópolis, ninguém se preocupou excessivamente em encontrar uma bateria no domingo.
Após resolver a partida, o grupo prosseguiu, monitorando o carregamento da bateria. O ritmo era determinado pelos mais lentos, especialmente o Chevette, mantendo uma velocidade média entre 80 e 100 km/h. Em uma parada entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, constatou-se que a bateria não estava sendo carregada, embora o alternador impedisse uma perda drástica de carga. A causa do problema elétrico do Triumph foi identificada como um terminal solto no alternador.
Ao chegarem perto da capital gaúcha, na região baixa próxima a Gravataí, Marco e seu pai detectaram um ruído vindo do eixo traseiro do Triumph. A suspeita era de um defeito no rolamento de roda, o que exigia atenção imediata. O desafio era encontrar um mecânico disponível em Porto Alegre em um domingo à tarde.
Utilizando a rede de contatos do FlatOut, o autor solicitou ajuda aos FlatOuters do Rio Grande do Sul. Marcos de Sá indicou Jonatas, um mecânico que se dispôs a recebê-los em sua residência, perto de Cachoeirinha, onde possuía as ferramentas necessárias para tentar solucionar ou mitigar o problema.
Enquanto seguiam para a oficina, o Gol teve outro imprevisto: sua bomba mecânica de combustível falhou, necessitando ser rebocado até a casa de Jonatas. A expedição, que começou com quatro veículos, passou a enfrentar desafios com o Triumph com suspeita de rolamentos, o Gol impossibilitado de chegar sozinho, e um Chevette com carburador instável, tudo isso no meio do segundo dia.
Apesar dos contratempos, o clima permaneceu amigável entre os entusiastas. Após desmontar o conjunto do cubo de roda do Triumph, ficou evidente que o rolamento estava danificado, provavelmente devido a uma montagem anterior inadequada, onde o aperto excessivo do parafuso danificou o componente, em vez de ajustar a folga corretamente.
Sem rolamentos novos, seguir viagem seria arriscado. Marco optou por permanecer em Porto Alegre com seu pai, planejando buscar os rolamentos e finalizar o reparo para alcançar o grupo na Argentina na segunda-feira. O restante do grupo continuou, pois era crucial chegar a Pelotas naquela noite para receber as plataformas com o Concorde e o Hofstetter até a fronteira uruguaia.
O dia terminou com o grupo chegando tarde em Pelotas. O primeiro domingo da expedição encerrou-se com um carro fora de ação, duas intervenções mecânicas não planejadas e um atraso significativo, mas o destino noturno foi alcançado.


