Expedição Autoclásica: Viagem com veículos clássicos de diversos modelos até a Argentina
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Expedição Autoclásica: Viagem com veículos clássicos de diversos modelos até a Argentina

O autor relata sua longa intenção de participar da Autoclásica, evento realizado em San Isidro, Argentina, um desejo que ele vinha adiando desde há pelo menos quatro anos devido a dificuldades de organização, mudanças de cidade e falta de planejamento financeiro e pessoal.

Além da Autoclásica, havia outro destino desejado há muito tempo: o Museu Fangio, localizado em Balcarce. Ambos os locais são considerados pontos imperdíveis para entusiastas de automobilismo na Argentina, embora não sejam adjacentes, o que exigia um planejamento mais detalhado.

Em 2025, o MAO conseguiu realizar a ida à Autoclásica. Naquele ano, Pedro, da ACE, organizou uma expedição patrocinada pela Ford, que transportou cinco Ford Modelo A brasileiros para a exposição argentina, contando com o apoio de um Bronco e uma F-150.

Essa expedição deu origem a algo ainda mais notável. No mesmo ano, outro Pedro, conhecido como Mazza, realizou uma jornada automobilística pela Argentina, visitando oficinas e autódromos. Durante uma parada em Balcarce, na sede da Crespi Competición, fundada por Tulio Crespi nos anos 1960, Mazza conversou com Tulio e descobriu a possibilidade de pilotar alguns dos carros da empresa no autódromo local.

Balcarce também oferecia a oportunidade de visitar o Museu Juan Manuel Fangio, administrado pela fundação em homenagem ao pentacampeão. A proposta ia além da visita, incluindo a chance de dirigir carros históricos mantidos pela Fundação.

A organização dessa experiência exigia mais do que apenas comparecer; era necessário estabelecer contatos, estruturar a logística e obter acesso. Assim, os dois Pedros uniram forças para organizar a expedição de 2026, integrando a ACE e o Driven by Mazza. O pacote incluía a viagem internacional, a participação na Autoclásica e experiências exclusivas em Balcarce, com hospedagem no Casco de Fangio, hotel pertencente à fundação Fangio.

O FlatOut atuou como parceiro de mídia, e a viagem serviria como oportunidade para o formato conhecer de perto e avaliar o que poderia ser oferecido aos membros do FlatOut Clubsport.

Para o autor, a principal motivação era concretizar a visita à Autoclásica e ao Museu Fangio na mesma viagem, sendo a possibilidade de dirigir carros de corrida em Balcarce um elemento inesperado no roteiro inicial.

A expedição partia de São Paulo em 3 de outubro, percorrendo o Sul do Brasil, atravessando o Uruguai até Colonia del Sacramento e, subsequentemente, cruzando o Rio da Prata até Buenos Aires. De lá, seguiam para Balcarce, onde aguardavam a Crespi, o autódromo e a Fundação Fangio, antes de retornar à capital argentina para os quatro dias da Autoclásica.

Os participantes utilizariam três veículos distintos: um Chevrolet Chevette 1982, um Volkswagen Gol CL 1992 com motor 1.8 e características do GL, e um Triumph GT6 1972. Um Volkswagen Golf Variant funcionaria como veículo de apoio. Estes carros eram dos próprios participantes, clientes da expedição e assinantes do FlatOut, representando diferentes escolas automobilísticas.

Kiko, Fernando e Marco optaram por fazer a viagem de estrada. Fernando e Leonardo viajariam de avião até Buenos Aires, juntando-se ao grupo apenas para as atividades em Balcarce. Adicionalmente, os Pedros tinham a tarefa de transportar dois esportivos brasileiros do acervo do Dream Car Museum, em São Roque — um Concorde 1979 e um Hofstetter Turbo automático — em plataformas, realizando uma logística própria para cruzar fronteiras.

O plano original envolvia um segundo carro de apoio, mas a ausência de patrocínio impediu essa mudança, forçando o autor a viajar como passageiro. Ele também pretendia estender a estadia em Buenos Aires para reencontrar sua esposa, planejando uma viagem mais reflexiva, inspirada em autores como Clarkson, Chesterton e Setright. Contudo, acabou ficando sem carro, mas não sem a viagem.

O grupo se reuniu na noite de sábado, em São José/SC, após a primeira fase iniciada em São Paulo. No domingo, seguiriam para Pelotas/RS, onde passariam a noite antes de cruzar a fronteira com o Uruguai na segunda-feira.

Um longo domingo

Na manhã de domingo, ao partirem de São José em direção a Pelotas, o Triumph apresentou falhas na ignição, um problema elétrico comum em carros ingleses antigos. Embora Marco, o proprietário, soubesse que seria necessário excitar o alternador, o procedimento não resolveu o problema naquele dia. A suspeita recaiu sobre a bateria, mas, estando na região de Florianópolis, ninguém se preocupou excessivamente em encontrar uma bateria no domingo.

Após resolver a partida, o grupo prosseguiu, monitorando o carregamento da bateria. O ritmo era determinado pelos mais lentos, especialmente o Chevette, mantendo uma velocidade média entre 80 e 100 km/h. Em uma parada entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, constatou-se que a bateria não estava sendo carregada, embora o alternador impedisse uma perda drástica de carga. A causa do problema elétrico do Triumph foi identificada como um terminal solto no alternador.

Ao chegarem perto da capital gaúcha, na região baixa próxima a Gravataí, Marco e seu pai detectaram um ruído vindo do eixo traseiro do Triumph. A suspeita era de um defeito no rolamento de roda, o que exigia atenção imediata. O desafio era encontrar um mecânico disponível em Porto Alegre em um domingo à tarde.

Utilizando a rede de contatos do FlatOut, o autor solicitou ajuda aos FlatOuters do Rio Grande do Sul. Marcos de Sá indicou Jonatas, um mecânico que se dispôs a recebê-los em sua residência, perto de Cachoeirinha, onde possuía as ferramentas necessárias para tentar solucionar ou mitigar o problema.

Enquanto seguiam para a oficina, o Gol teve outro imprevisto: sua bomba mecânica de combustível falhou, necessitando ser rebocado até a casa de Jonatas. A expedição, que começou com quatro veículos, passou a enfrentar desafios com o Triumph com suspeita de rolamentos, o Gol impossibilitado de chegar sozinho, e um Chevette com carburador instável, tudo isso no meio do segundo dia.

Apesar dos contratempos, o clima permaneceu amigável entre os entusiastas. Após desmontar o conjunto do cubo de roda do Triumph, ficou evidente que o rolamento estava danificado, provavelmente devido a uma montagem anterior inadequada, onde o aperto excessivo do parafuso danificou o componente, em vez de ajustar a folga corretamente.

Sem rolamentos novos, seguir viagem seria arriscado. Marco optou por permanecer em Porto Alegre com seu pai, planejando buscar os rolamentos e finalizar o reparo para alcançar o grupo na Argentina na segunda-feira. O restante do grupo continuou, pois era crucial chegar a Pelotas naquela noite para receber as plataformas com o Concorde e o Hofstetter até a fronteira uruguaia.

O dia terminou com o grupo chegando tarde em Pelotas. O primeiro domingo da expedição encerrou-se com um carro fora de ação, duas intervenções mecânicas não planejadas e um atraso significativo, mas o destino noturno foi alcançado.

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A primeira parte da aventura Expedição Autoclásica 2026 começou em São Paulo com a participação dos carros Chevette de 1982, Gol de 1992, Triumph GT6 de 1972 e um Golf Variant auxiliar. O autor juntou-se ao grupo em Santa Catarina, e depois seguiram por Rio Grande do Sul e Uruguai até a Argentina. Durante a viagem, houve o transporte de dois carros brasileiros que não faziam parte da série padrão: Concorde e Hofstetter.

Quatro dias na estrada foram marcados por problemas mecânicos, burocracia nas fronteiras, perda de ferry e outros imprevistos, incluindo o aparecimento de Lionel Messi. Os participantes conseguiram levar dois carros esportivos a San Isidro e chegaram a Balcarce pouco antes da meia-noite. O grupo só se reuniu completamente às quatro da manhã, quando Marco e seu pai finalmente apareceram com o Triumph após percorrerem cerca de 1100 quilômetros em aproximadamente 20 horas.

Eles estavam agora em Balcarce, cidade de Juan Manuel Fangio. Nos dias seguintes, está planeada uma visita à Crespi Competición, autódromo local, e ao Museu Fangio, antes de regressar a Buenos Aires para participar no evento principal da expedição — Autoclásica.

Balcarce, uma cidade com cultura

Na manhã seguinte, o grupo acordou mais tarde. Após esperar pelo Triumph até às quatro da manhã, apesar da falta de sono, pela primeira vez desde o início da expedição, eles não precisaram apressar-se para sair cedo. O pequeno-almoço foi uma oportunidade para encontrar Fernando e Leonardo, dois participantes que haviam chegado de avião e estavam em Balcarce desde o dia anterior. Após uma breve conversa, dirigiram-se a conhecer a Crespi Competición e depois seguiram para o autódromo.

Balcarce fica a pouco mais de 60 quilômetros de Mar del Plata e a mais de 400 quilômetros de Buenos Aires. O município tem menos de 50.000 habitantes, distribuídos entre a cidade e as áreas rurais circundantes. É um pequeno povoado que possui uma enorme história automotiva: aqui nasceu Juan Manuel Fangio, existe um museu dedicado a ele, um autódromo de quase 4,6 quilômetros e um fabricante de carros de corrida ativo desde a década de 1960.

A Crespi Competición foi fundada por Tulio Crespi, que começou a construir carros de corrida na década de 1960 e tornou-se um dos principais fabricantes de monopostos de treino na Argentina. Seus carros participaram de várias categorias nacionais, e a empresa também produzia carros esportivos de rua, como o Tulia GT e Tulieta, apresentados na Feira de Paris em 1975.

Mazza conheceu Tulio um ano antes durante sua viagem pela Argentina, e foi então que surgiu a possibilidade de organizar uma visita ao autódromo. Infelizmente, não puderam encontrá-lo pessoalmente: Tulio faleceu em 22 de setembro, aos 88 anos, apenas quinze dias antes da visita deles. Foram recebidos pelos seus filhos, Luciano e Matias, que mostraram-lhes a fábrica, os projetos e os carros que estavam a ser construídos ou preparados nas instalações.

A Crespi projeta e fabrica seus próprios chassis, carrocerias e componentes. Não é uma oficina que pega um carro pronto e o modifica para corridas; aqui os carros literalmente nascem entre ferramentas, máquinas e componentes produzidos pela própria empresa.

Entre os carros na fábrica havia o cupê Tulieta GT e vários monopostos usados nas filmagens da minissérie Senna da Netflix. A família Crespi construiu 22 réplicas funcionais para produção, reproduzindo vários carros de corrida da trajetória de Ayrton Senna. Luciano também pilotava estes carros nas filmagens, enquanto Matias interpretava Alan Prost em cenas de corrida. Esta é uma história que o autor planeia contar noutro reportagem, pois neste trabalho há muito interessante engenharia e produção.

Da fábrica, dirigiram-se ao Autódromo Juan Manuel Fangio, um dos autódromos mais bonitos que o autor já tinha visto. Balcarce está localizado perto do sistema montanhoso Tandil, que interrompe as infinitas planícies da província de Buenos Aires. O autódromo foi construído na encosta de Serra La Barra, com montanhas de um lado e campos abertos do outro. A pista segue o relevo, com curvas de diferentes raios, mudanças de direção e grandes desníveis ao longo dos seus 4592 metros.

O autódromo foi inaugurado em janeiro de 1972 e reaberto em setembro de 2026 após cerca de quinze anos sem competições nacionais. Os trabalhos de restauração incluíram intervenções em segurança e infraestrutura, mas não mudaram o que mais chamou a atenção do autor. Juan Manuel Fangio é simples, mas não primitivo.

Não há grandes edifícios ou estruturas complexas para receber visitantes. O espaço de trabalho é principalmente um hangar capaz de acomodar algumas dezenas de carros, embora menos de dez possam trabalhar confortavelmente lá. Há casas de banho, uma área coberta, um ponto de observação e a estrutura necessária para gerir as corridas. O autor lembrou-se de Willow Springs nos Estados Unidos. São pistas completamente diferentes, mas ambas demonstram que não é necessário construir um complexo de entretenimento para ter um autódromo. A pista, o hangar e as instalações necessárias para organizar eventos podem ser suficientes — embora isso não signifique que construir ou manter uma pista seja barato, obviamente.

Essa estrutura também ajuda a explicar a tradição automobilística de Balcarce. O autódromo cria procura por mecânicos, preparadores, fabricantes de componentes, oficinas e todos os tipos de serviços relacionados com competições. A Crespi é um exemplo disso, embora a história da cidade com automobilismo preceda a abertura do autódromo.

O autor está particularmente interessado nesta ligação porque na Argentina frequentemente se discute o custo de construção de autódromos e a viabilidade de grandes competições, mas nem sempre se considera o que a pista pode representar para o automobilismo local, independentemente de acolher eventos nacionais ou internacionais.

No entanto, naquele dia, o que realmente interessava a eles eram dois monopostos preparados pelos irmãos Crespi. O primeiro era uma recriação do Formula Ford da Van Diemen, usado nas filmagens de Senna. O segundo era o Crespi FC-1, inspirado em carros de Fórmula 1 dos anos 80. O FC-1 pesa cerca de 600 kg e pode usar vários motores. A unidade disponível está equipada com um motor Volkswagen 1.8 turbo de 20 válvulas, preparado para cerca de 300 cv, segundo os irmãos Crespi — uma relação de 2 kg/cv. Os participantes deveriam conduzir os carros sozinhos, seguindo um carro guia que ditava o ritmo. Naquele dia, era um Mercedes-Benz C250 dos próprios Crespi.

O problema foi a chuva. Desde cedo, enfrentaram frio, vento e precipitação muito fina que às vezes parecia granizo. Mesmo com pneus lisos, os monopostos podiam circular na pista, desde que o ritmo correspondesse às condições. Os participantes entraram nos carros e fizeram voltas enquanto o autor esperava a sua vez. Ele estava curioso para saber se conseguiria entrar no carro. Ele mede 1,85 m e pesa 120 kg, o que não o torna um candidato ideal para a cabine de um Formula Ford. Ele não conseguiu sentar-se no assento, mas queria pelo menos tentar.

Por volta das 15:30, a garoa começou a transformar-se em chuva forte. A pista ficou demasiado molhada, e a Crespi decidiu recolher os carros. Isso não foi possível. O autor não soube se caberia no Formula Ford e, o mais importante, não teve a oportunidade de experimentar o carro. Seria interessante conduzir um monoposto neste autódromo, mas a chuva não permitiu discutir nada.

Eles ainda tinham planeada uma excursão nesse dia. Depois de visitar a fábrica da família Crespi e o autódromo, dirigiram-se ao centro de Balcarce, onde se encontra o Museu Fangio. Do autódromo, seguiram para o Museo Fangio, no centro de Balcarce. Este foi um dos locais que o autor queria visitar há anos, muito antes de ter a oportunidade de conduzir os carros Crespi.

O edifício tem uma arquitetura bastante peculiar. Possui vários níveis conectados por uma rampa em espiral, que permite percorrer toda a coleção sem interromper a visita para mudar de andar. Os carros estão dispostos ao longo deste percurso, acompanhados por fotografias, documentos, troféus e objetos que ajudam a contar não só sobre a carreira de Fangio, mas também sobre a história do automobilismo argentino. Para quem cresceu lendo sobre os primeiros anos da Fórmula 1, ver o original Maserati 250F e Alfa Romeo 308 — dos quais foram produzidas apenas quatro unidades — já seria um motivo suficiente para visitar Balcarce. Também havia Talbot-Lago T26C e outros carros de corrida de diferentes épocas.

Ele conhecia esses carros por livros e fotografias. Agora podia observar suas proporções, a construção das carrocerias, a suspensão e os detalhes que nem sempre são visíveis nas imagens. O museu também guarda réplicas autorizadas de carros muito raros, como Mercedes-Benz W196, Ferrari 166 Fórmula 2, Bugatti Type 32 e Lancia D50. A Ferrari, aliás, reaparecerá em sua viagem: na próxima semana ele encontrará o original no museu Automóvil Club Argentino em Buenos Aires.

Após visitar as galerias, passaram pela loja de souvenirs e regressaram ao Casco de Fangio, onde pretendiam visitar a casa principal da propriedade, que o pentacampeão utilizava em Balcarce. Ao contrário das dependências de hóspedes, a residência foi preservada praticamente como estava nos últimos anos de vida do piloto. Os móveis, o acabamento, a decoração e até a disposição dos objetos parecem ter sido deixados no lugar. Parece a entrada numa casa de 1991, esperando o regresso do seu proprietário.

Há fotos e memórias por todo o lado, muitas delas reproduções de imagens históricas. Entre este material, encontrou uma pintura pela qual parou por longos minutos. Era uma fotografia assinada por Rudolf Uhlenhaut, Piero Taruffi, Juan Manuel Fangio, Stirling Moss, Karl Kling e Alfred Neubauer. Os nomes não precisam de apresentação para quem conhece a história da Mercedes-Benz nas corridas dos anos 50. Havia assinaturas dos pilotos, do engenheiro responsável por alguns dos carros mais importantes da marca, e da pessoa que liderava as suas equipas na pista. E eram autógrafos reais — era possível notar vestígios de caneta no papel fotográfico. Ele olhou para isso por muito tempo. A fotografia, assinada por estas seis lendas do automobilismo, pendia discretamente na parede da casa em Balcarce. Quem diria?

Após a visita, fizeram mais um jantar argentino com carne, batatas e vinho. A chuva ainda não cessava, e ele esperava que a manhã seguinte trouxesse uma trégua, pois ainda tinham dois carros históricos da Fundação Fangio para conduzir.

Outro lado do museu

Na manhã seguinte, o vento continuava a soprar nas árvores que rodeavam o Casco de Fangio. Estava gelado e a precipitação fina não cessava. Às vezes parecia granizo microscópico que queimava ao atingir o rosto. Apesar do tempo, a Fundação Fangio decidiu realizar um evento com carros históricos. A atividade foi transferida para a pista de kart de Balcarce, onde era mais seguro conduzir na pista molhada. Foram-lhe fornecidos dois carros. O primeiro é um Torino MK TC Liebre III, modelo Turismo Carretera do final dos anos 60, projetado por Peronillo, conduzido por Gastón Perkins, campeão argentino de 1969. O segundo é uma recriação de um Chevrolet Coupé de 1939, que Fangio usou em corridas de estrada nos anos 40, incluindo o Grande Prêmio da América do Sul de 1948, mais conhecido como Buenos Aires–Caracas. O autor começou com o Torino. Este é um carro de corrida

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O autor relata sua longa intenção de participar da Autoclásica, evento realizado em San Isidro, Argentina, um desejo que ele vinha adiando desde há pelo menos quatro anos devido a dificuldades de organização e planejamento financeiro e pessoal.

Além da Autoclásica, havia outro destino desejado: o Museu Fangio, localizado em Balcarce. Ambos os locais são considerados pontos imperdíveis para entusiastas de automobilismo na Argentina, embora não sejam vizinhos, exigindo um planejamento logístico cuidadoso.

Em 2025, o MAO conseguiu realizar a ida à Autoclásica. Naquele ano, Pedro, da ACE, organizou uma expedição patrocinada pela Ford, que transportou cinco Ford Modelo A brasileiros para a exposição argentina, contando com o apoio de um Bronco e uma F-150.

Essa expedição deu origem a algo ainda mais complexo. No mesmo ano, outro Pedro, conhecido como Mazza, realizou uma jornada automobilística pela Argentina, visitando oficinas e autódromos. Durante uma parada em Balcarce, na sede da Crespi Competición, fundada por Tulio Crespi nos anos 1960, Mazza descobriu a chance de pilotar alguns dos carros da empresa no autódromo local.

Balcarce também oferecia a oportunidade de visitar o Museu Juan Manuel Fangio, administrado por sua fundação. A proposta ia além da visita, incluindo a chance de dirigir carros históricos mantidos pela Fundação.

Organizar tal experiência demandava mais do que apenas comparecer; era necessário construir contatos, estruturar a logística e garantir o acesso. Assim, os dois Pedros uniram forças para montar a expedição de 2026, integrando a ACE e o Driven by Mazza. O pacote incluía a viagem internacional, a participação na Autoclásica e vivências exclusivas em Balcarce, com hospedagem no Casco de Fangio, hotel pertencente à fundação Fangio.

O FlatOut atuou como parceiro de mídia, e a viagem serviria como oportunidade para o formato ser avaliado para os membros do FlatOut Clubsport.

Para o autor, a principal motivação era concretizar a visita à Autoclásica e ao Museu Fangio na mesma viagem, sendo a possibilidade de dirigir carros de corrida em Balcarce um bônus inesperado.

A expedição partia de São Paulo em 3 de outubro, percorrendo o Sul do Brasil, atravessando o Uruguai até Colonia del Sacramento e, subsequentemente, cruzando o Rio da Prata até Buenos Aires. De lá, seguiam para Balcarce, onde aguardavam a Crespi, o autódromo e a Fundação Fangio, antes de retornar à capital argentina para os quatro dias da Autoclásica.

Os participantes utilizariam três veículos distintos: um Chevrolet Chevette 1982, um Volkswagen Gol CL 1992 com motor 1.8 e características do GL, e um Triumph GT6 1972. Um Volkswagen Golf Variant funcionaria como veículo de apoio.

Esses carros eram os dos próprios participantes, clientes da expedição e assinantes do FlatOut. Kiko, Fernando e Marco decidiram fazer o trajeto de carro. Fernando e Leonardo optaram por voar até Buenos Aires, juntando-se ao grupo apenas para as atividades em Balcarce.

Adicionalmente, os organizadores tinham a tarefa de transportar dois esportivos brasileiros do acervo do Dream Car Museum, em São Roque — um Concorde 1979 e um Hofstetter Turbo automático — até a Autoclásica, utilizando plataformas e logística própria para cruzar fronteiras.

O plano inicial envolvia um segundo carro de apoio, mas a falta de patrocínio impediu essa opção, forçando o autor a viajar como passageiro. Ele também planejava estender a estadia em Buenos Aires para reencontrar sua esposa, retornando posteriormente de carro para uma viagem mais tranquila, ideal para registrar anotações para um possível livro de viagens.

O grupo se reuniu na noite de sábado, em São José/SC, após a primeira fase iniciada em São Paulo. No domingo, seguiriam para Pelotas/RS, pernoitando antes de cruzar a fronteira com o Uruguai na segunda-feira.

Um longo domingo

Na manhã de domingo, ao iniciar a viagem de São José para Pelotas, o Triumph apresentou falhas na ignição, um problema elétrico comum em carros ingleses antigos. Embora Marco, o proprietário, soubesse que seria necessário excitar o alternador, o procedimento não resolveu o problema naquele dia. A suspeita recaiu sobre a bateria, mas como estavam perto de Florianópolis, ninguém se preocupou excessivamente.

Após resolver a partida, o grupo seguiu, monitorando o carregamento da bateria. O ritmo era determinado pelos mais lentos, especialmente o Chevette, mantendo uma velocidade média entre 80 e 100 km/h. Em uma parada entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, constatou-se que a bateria não estava sendo carregada, mas o alternador impedia uma perda drástica de carga. A causa do problema elétrico do Triumph foi identificada como um terminal solto no alternador.

Ao se aproximarem da região de Porto Alegre, perto de Gravataí, Marco e seu pai notaram um ruído vindo do eixo traseiro. A suspeita era de um defeito no rolamento de roda, o que exigia atenção imediata. Encontrar um mecânico disponível em Porto Alegre em um domingo à tarde foi um desafio superado graças à rede de contatos do FlatOut. Marcos de Sá indicou Jonatas, um mecânico que aceitou recebê-los em sua residência.

Enquanto se dirigiam ao local, o Gol teve outro imprevisto: sua bomba mecânica de combustível falhou, necessitando de reboque até a casa de Jonatas. A expedição, que começou com quatro veículos, passou a enfrentar problemas com o Triumph (suspeita de rolamentos), o Gol (necessidade de guincho) e o Chevette (carburador instável), tudo isso no meio do segundo dia.

Apesar dos contratempos, o clima permaneceu amigável entre os entusiastas. Após desmontar o conjunto do cubo de roda do Triumph, ficou claro que o rolamento estava danificado, possivelmente devido a uma montagem anterior inadequada, onde o aperto excessivo do parafuso danificou o componente em vez de apenas eliminar a folga.

Sem rolamentos novos, prosseguir a viagem seria arriscado. Marco optou por permanecer em Porto Alegre com seu pai, planejando buscar os rolamentos e finalizar o reparo para alcançar o grupo na Argentina na segunda-feira. O restante do grupo seguiu viagem à noite, chegando tarde em Pelotas, garantindo assim o cumprimento do cronograma para receber as plataformas com os carros no dia seguinte.

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